quinta-feira, setembro 8

10 nomes que tem que saber identificar para ser minimamente culto

Literatura

  1 - Homero
  2 - Dante Alighieri
  3 - Shakespeare
  4 - Miguel Cervantes
  5 - Luís de Camões
  6 - Victor Hugo
  7 - Liev Tolstói
  8 - Jorge Luís Borges
  9 - Fernando Pessoa
10 - Jane Austen

Filosofia

  1 - Sócrates
  2 - Platão
  3 - Aristóteles
  4 - Santo Agostinho
  5 - Baruch Espinoza
  5 - Voltaire
  6 - Immanuel Kant
  7 - Friedrich Nietzsche
  8 - Jean-Paul Sartre
  9 - Hannah Arendt
10 - Simone de Beauvoir

Pintura

  1- Michelangelo
  2 - Leonardo da Vinci
  3 - El Greco
  4 - Diego Velázquez
  5 - Rembrandt
  6 - Vicent Van Gogh
  7 - Picasso
  8 - Salvador Dali
  9 - Andy Warhol
10-  Paula Rego

Música Clássica

  1 - Johann Sebastian Bach
  2 - Franz Joseph Haydn
  3 - Wolfgang Amadeus Mozart
  4 - Ludwig van Beethoven
  5 - Franz Schubert
  6 - Frédéric Chopin
  7 - Richard Wagner
  8 - Johannes Brahms
  9 - Piotr Ilyitch Tchaikovsky
10 - Gustav Mahler

Ciências

  1-  Ptolomeu
  2 - Nicolau Copérnico
  3 - Galileu Galilei
  4 - René Descartes
  5 - Isaac Newton
  6 - Charles Darwin
  7 - Louis Pasteur
  8 - Marie Curie
  9 - Albert Einstein
10 - Stephen Hawking

 Ciências Humanas

    1 - Heródoto
    2 - Sun Tzu
    3 - Cícero
    4 - Erasmo de Roterdão
    5 - Nicolau Maquiavel
    6 - Montesquieu
    7 - Adam Smith
    8 - Sigmum Freud
    9 - Karl Marx
  10 - John M. Keynes

Religião

   1 - Moisés
   2 - Siddharta Gautama (Buda)
   3 - Jesus Cristo
   4 - Paulo de Tarso (São paulo)
   5 - Maomé
   6 - Martinho Lutero
   7 - John Calvin
   8 - João Paulo II
   9 - Papa Francisco
 10 - Dalai Lama

Personalidades Diabólicas

  1-  Nero
  2 - Calígula
  3 - Tomás de Torquemada
  4 - Os Bórgia (em Geral)
  5 - Rasputin
  6 - Adolf Hitler
  7 - Josef Stalin
  9 - Pol Pot
10 - Donald Trump

Personalidades Históricas

  1 - Alexandre Grande
  2 - Júlio César
  3 - Cleópatra
  4 - Constantino
  5 - Carlos Magno
  6 - Genghiskhan
  7 - Cristóvão Colombo
  8 - Gandhi
  9 - Winston Churchill
10- Nelson Mandela

Desporto

  1- Jesse Owens
  2 - Pelé
  3 - Muhammad Ali
  4 - Ermerson Fittipaldi
  5 - Garry Kasparov
  6 - Maradona
  7 - Nadia Comaneci
  8 - Michael Jordan
  9 - Cristiano Ronaldo
10- Lionel Messi    

1.000.000 de amigos


Com todos os defeitos, com todas as virtudes e apesar de um blog já não ser o que era,  a verdade é que o Blog da Pó dos Livros atingiu mais de um milhão de acessos.


Muito obrigado a todos os leitores. 

quarta-feira, setembro 7

40 Livros que deveriamos ler de autores portugueses nascidos no Séc.XX (e já falecidos)



Poemas de Deus e do Diabo; José Régio - 1901-1969

Mau Tempo no Canal; Vitorino Nemésio - 1901-1978

Léah; José Rodrigues Miguéis - 1901-1980

O Barão; Branquinho da Fonseca - 1905-1974

A Criação do Mundo; Miguel Torga - 1907-1995

Gaibéus; Alves Redol - 1911 -1969

O Fogo e as Cinzas; Manuel da Fonseca - 1911-1993

O Mundo Em Que Vivi; Ilse Llosa - 1913-2006

Para Sempre; Virgílio Ferreira - 1916-1996

Poesia Incompleta; Mário Dionísio – 1916 -1993

Sinais de Fogo; Jorge de Sena - 1919-1978

Retalhos da Vida de Um Médico; Fernando Namora - 1919-1989

Poesia Completa; Sophia de Mello Breyner Andresen - 1919-2004

Finisterra; Carlos de Oliveira - 1921-1981

Tanta Gente Mariana; Maria Judite de Carvalho – 1921 -1998

Memorial do Convento; José Saramago - 1922-2010

Contos do Gin-Tónico; Mário Henrique Leiria – 1923 – 1980

As Mãos e os Frutos; Eugénio de Andrade - 1923-2005

Pena Capital; Mário Cesariny - 1923-2006

O Sol nas Noites e o Luar nos Dias; Natália Correia - 1923-1993

Estou Vivo e Escrevo Sol; António Ramos Rosa - 1924-2013

No Reino da Dinamarca; Alexandre O’Neill - 1924-1986

A Invenção do Amor e Outros Poemas; Daniel Filipe - 1925-1964

O Delfim; José Cardoso Pires - 1925-1998

Comunidade; Luiz Pacheco - 1925-2008

Felizmente Há Luar; Luis Sttau Monteiro - 1926-1993

Xerazade e os Outros; Fernanda Botelho - 1926-2007

Um Amor Feliz; David Mourão-Ferreira - 1927-1996

463 Tisanas; Ana Hatherly – 1929 – 2015

O Que Diz Molero; Dinis Machado - 1930-2008

Um Falcão no Punho. Diário I; Maria Gabriel Llansol - 1931-2008

Apresentação do Rosto; Herberto Hélder – 1930 – 2015

A China Fica ao Lado; Maria Ondina Braga – 1932 -2003

Toda a Terra; Ruy Belo - 1933-1978

O Vendedor de Bichos; Emanuel Félix - 1936-2004

A Musa Irregular; Fernando Assis Pacheco - 1937-1995

Os Sítios Sitiados; Luiza Neto Jorge - 1939-1989

Antologia dos Sessenta Anos; Vasco Graça Moura - 1942-2014

Os Universos da Crítica; Eduardo Prado Coelho - 1944-2007

O Medo; Al Berto - 1948-1997

Pó dos Livros

quinta-feira, setembro 1

110 livros que deve ler pelo menos uma vez.


Literatura clássica
«Ilíada» e «Odisseia» — Homero
«As Torres de Barchester» — Anthony Trollope
«Orgulho e Preconceito» — Jane Austen
«Viagens de Gulliver» — Jonathan Swift
«Jane Eyre» — Charlotte Brontë
«Dom Quixote» — Miguel de Cervantes Saavedra
«Guerra e Paz» — Leon Tolstoi
«David Copperfield» — Charles Dickens
«A Feira das Vaidades» — William Makepeace Thackeray
«Madame Bovary» — Gustave Flaubert
«São Manuel Bueno, Mártir» — Miguel de Unamuno
«Middlemarch» — George Eliot
«A Celestina» — Fernando de Rojas
«Crime e Castigo» — Fiodor Dostoiévski

Poesia
«Sonetos» — William Shakespeare
«A Divina Comédia» — Dante Alighieri
«Os Contos de Cantuária» — Geoffrey Chaucer
«Poesia Selecionada» — William Wordsworth
«Poemas» — John Keats
«Terra Devastada» — T. S. Eliot
«Paraíso Perdido» — John Milton
«Topografia Poética» — Octavio Paz
«Uma Antologia» — William Butler Yeats
«El azor en el páramo» (Antologia Poética) — Ted Hughes (sem edição em português)

Clássicos modernos
«Retrato de Uma Senhora» — Henry James
«Em Busca do Tempo Perdido» — Marcel Proust
«Ulisses» — James Joyce
«Pedro Páramo» — Juan Rulfo
«Por Quem os Sinos Dobram» — Ernest Hemingway
«A Morte de Artemio Cruz» — Carlos Fuentes
«O Apogeu de Miss Jean Brodie» — Muriel Spark
«Cem Anos de Solidão» — Gabriel García Márquez
«O Jogo do Mundo» — Julio Cortázar
«Beloved» — Toni Morrison
«A Margarida e o Mestre» — Mikail Bulgakov
«O Professor de Desejo» — Philip Roth
«O Nome da Rosa» — Umberto Eco

Literatura romântica
«Rebecca» — Daphne du Maurier
«A Morte de Artur» — Thomas Malory
«As Relações Perigosas» — Pierre Choderlos de Laclos
«Eu, Cláudio» — Robert Graves
«Trilogia Sobre Alexandre Magno» — Mary Renault
«Pássaros Feridos» — Colleen McCullough
«Como Água Para Chocolate» — Laura Esquivel
«E Tudo o Vento Levou» — Margaret Mitchell
«A Bem Amada» — Thomas Hardy
«O Crepúsculo da Águia» — Jean Plaidy

Literatura Infanto-Juvenil
«Alice no País das Maravilhas» — Lewis Carroll
«O Faticeiro de Oz» — L. Frank Baum
«Fronteiras do Universo» — Philip Pullman
«O Rei Babar» — Jean de Brunhoff
«Os Meninos e o Comboio de Ferro» — Edith Nesbit
«Winnie Puff» — Alan Alexander Milne
«Contos de Grimm» — Irmãos Grimm
«Harry Potter» — J. K. Rowling
«O Vento nos Salgueiros» — Kenneth Grahame
«A Ilha do Tesouro» — Robert Louis Stevenson
«O Livro da Selva» — Rudyard Kipling

Ficção científica
«Frankenstein» — Mary Shelley
«Vinte Mil Léguas Submarinas» — Julio Verne
«A Máquina do Tempo» — H. G. Wells
«Admirável Mundo Novo» — Aldous Huxley
«1984» — George Orwell
«O Senhor dos Anéis» — J. R. R. Tolkien
«Os Mutantes» — John Wyndham
«Fundação» — Isaac Asimov
«A Exploração do Espaço» — Arthur C. Clarke
«Neuromancer» — William Gibson

Mistério
«O talentoso Ripley» — Patricia Highsmith
«O Falcão Maltês» — Dashiell Hammett
«As Aventuras de Sherlock Holmes» — Arthur Conan Doyle
«O Longo Adeus» — Raymond Chandler
«Um Espião Perfeito» — John le Carré
«Dragão Vermelho» — Thomas Harris
«Assassinato no Expresso do Oriente» — Agatha Christie
«Os Assassinatos da Rua Morgue» — Edgar Allan Poe
«A Mulher de Branco» — William Wilkie Collins
«Raylan» — Elmore Leonard

Livros que mudaram o mundo
«O Capital» — Karl Marx
«Os Direitos do Homem» — Thomas Paine
«O Contrato Social» — Jean-Jacques Rousseau
«A Democracia na América» — Alexis de Tocqueville
«Da Guerra» — Carl von Clausewitz
«O Príncipe» — Nicolau Maquiavel
«Leviatã» — Thomas Hobbes
«A Interpretação dos Sonhos» — Sigmund Freud
«A origem das Espécies» — Charles Darwin
«Enciclopédia» — Denis Diderot

Livros que influenciam a sua percepção sobre a vida
«Fernão Capelo Gaivota» — Richard Bach
«à Boleia pela Galáxia» — Douglas Adams
«Fora de Série» — Malcolm Gladwell
«O Mito da Beleza» — Naomi Wolf

Livros voluptuosos
«Satíricon» - Petrónio
«Decameron» - Giovanni Boccaccio
«Fanny Hill» - John Cleland
«A Minha Vida Secreta» - Casanova
«Justine» - Marquês de Sade
«Confissões Sexuais, de um Anónimo Russo» - anónimo
«Trópico de Câncer» - Henry Miller
«A História de O» - Pauline Reage
«Lolita» - Vladimir Nabokov
«Delta de Vénus» - Anaïs Nin

segunda-feira, agosto 22

Fácies

Assim de repente e olhando para o espelho, nunca serei um génio…
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Jaime Bulhosa

sexta-feira, agosto 19

O Poder de Deus



Dentro de um livro usado, com mais de quarenta anos, encontrei um bilhete autocarro cor-de-rosa no valor de 1 escudo, uma folha de prata, provavelmente, de embrulhar chocolate e ainda um papel liso amarelado pelo tempo, com uma pequena estória escrita à mão e a caneta tinta-permanente. O texto é muito simples, mas de grande alcance e ganha direito a ser reproduzido aqui:

«Um homem apercebeu-se com alegria de que entendia a linguagem das formigas.
Então, aproximou-se de uma formiga e pergunta-lhe:
- Voz tendes um Deus?
- Claro! – disse a formiga admirada com o teor da pergunta.
- Como é Ele? É parecido com uma formiga?
- A formiga vacila um pouco, mas acaba por responder – Não exactamente. Nós temos um ferrão. Ele tem dois».

quinta-feira, agosto 18

Literatura impossível

Há livros que são mais difíceis de ler do que outros. E se pensarmos um bocadinho, isso depende, na maior parte das vezes, mais dos leitores do que dos próprios livros.
No entanto, quantas vezes não deixamos de lado certos livros, mesmo aqueles que o nosso círculo de amigos ou os críticos literários insistem em afirmar que se tratam de obras-primas e de leitura obrigatória, fazendo-nos sentir estúpidos ou, no mínimo, imbecis por não conseguirmos lê-los. Eu confesso: há livros dos quais não passei das primeiras páginas, por me parecerem demasiado densos, ocultos, eruditos ou apenas vazios de ideias. Mas a verdade é que os não consigo ler. Mesmo após várias tentativas.
Sejamos honestos, muita gente anda a escrever para si próprio ou para uma plateia restrita e minoritária. Como curiosidade, dou-vos dois exemplos: James Joyce confessou que levou um quarto do tempo da sua vida a escrever Finnegans Wake e acrescentou que levaríamos uma vida inteira para o ler (há inclusive quem diga que nem Matusalém, figura bíblica que terá vivido 969 anos, conseguiria cumprir o feito); também Robert Browning, poeta e dramaturgo inglês do século XIX, confessou que o seu livro Sordello apenas seria entendido por si próprio e por Deus. Vinte anos depois, admitiria que só mesmo por Deus.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, agosto 17

Sou um livro de autor premiado


Papel de 80 gramas, traduzido, paginado e revisto sem pressas, com todas as regras que o melhor profissionalismo editorial exige. Foi assim que fui feito, depois de ter nascido da mão de um escritor, eu e mais 3000 irmãos gémeos verdadeiros. Deram-me uma capa. Infelizmente não é dura, como as que se dão aos clássicos, mas é condigna e tem uma foto tratada em photoshop, linda, como se usa agora. Assinado por um autor premiado e com boas críticas, tudo devidamente destacado numa cinta de cor garrida. Com um título sugestivo, estou sentado – ou melhor deitado, porque um livro sozinho não se consegue sentar, a menos que peguem nele –, como dizia, estou deitado numa mesa central da livraria, ao lado de outros romances, alguns tão novos quanto eu, à espera. Dizem, os mais velhos, que sou um sortudo, que a maior parte deles vai sozinho para as prateleiras de canto, enquanto esperam, coitados, de pé. Mas eu tenho tudo para que me vejam, toquem, cheirem, abram e, de um impulso, me levem.
Parecem passos, acho que vem aí alguém, não esperava que fosse tão rápido. Não consigo distinguir se é homem se é mulher, jovem ou mais velho. Disseram-me, em conversa com os outros, que a livros como eu costumam levá-los as mulheres maduras. Espero então que quem se aproxima seja uma mulher. Não vai ficar desapontada com o que tenho para lhe contar: o meu autor é, como já disse, premiado. Mas, para além disso, eu tenho tudo. Intensidade dramática, personagens bem construídas, uma narrativa fluida, ao mesmo tempo poética, bem escrita, original e um fim, esse então, completamente inesperado.
Sempre era uma mulher, mas não me levou, preferiu outro, um com uma flor na capa e corpos nus deitados. Não desespero, há-de aparecer alguém com mais bom gosto. Digo eu!...

Os meus pensamentos começam a ficar confusos, não sei se passou um dia, se passaram 15 dias ou meses. Seja como for, o tempo começa a esgotar-se. Senão aparecer ninguém rapidamente… Nem quero pensar nisso.
Finalmente, pegam em mim. Espera!... Eu conheço-o. É o livreiro que me pôs aqui, aquele que de vez em quando vem dar-me um jeito, virar-me com a cara para cima, porque me deixam desleixadamente de cara para baixo. Sejamos sinceros, quem é que gosta de estar de traseiro virado para os outros?
Mas, o quê...? Ele não veio para me virar para cima, porque assim já eu estou. Sei qual vai ser o meu destino. Já tinha ouvido rumores, contados com desprezo por aqueles que dizem ser de uma estirpe diferente, os livros de top. Todos achávamos que não passavam de rumores. Agora sei que é verdade, e está a acontecer comigo.
Fui levado numa caixa de cartão, juntamente com muitos outros indesejados da mesma editora, sem respeito, nem cuidados especiais, em monte, uns em cima dos outros, como se fossemos livros sem direitos e sem qualquer identidade. E agora é o fim, ingloriamente transformado em pasta de papel.

Eu tinha tudo, ouviram!?... Sou um livro de autor premiado!


Jaime Bulhosa

quinta-feira, junho 16

Herança



Revisitar o passado é um exercício, por vezes, tão falível e pouco credível como imaginar o futuro. Todavia, conta-se que um tal marquês de Fuscaldo se tinha tornado no homem mais erudito do seu tempo. Um dia, o marquês, ao folhear um livro, de uma enorme biblioteca que tinha recebido, como única herança, e que desdenhava completamente, encontrou entre duas páginas uma nota de mil liras. Questionando-se se o mesmo se passaria com os outros livros, passa o resto da sua vida a folhear sistematicamente todos os livros recebidos em herança. E foi assim que se tornou num poço de ciência.

sábado, junho 11

Os sentidos


Numa conversa com uma leitora especial de 8 anos que queria um livro sobre o corpo humano, lembrei-me de lhe perguntar sobre os cinco sentidos.

Resposta: Os cinco sentidos são: o ouvido, a vista, o cheiro, o bom gosto e a apalpadela

terça-feira, junho 7

A vaca


Dentro de um livro escolar antigo encontrava-se a seguinte resposta sobre a importância da vaca. Um aluno, no mínimo, com imaginação:

A Vaca


«A vaca é um mamífero cujas pernas chegam ao chão. A vaca produz carne, mas não põe ovos como as galinhas. Na cabeça da vaca, crescem cerca de dois olhos e compridas orelhas de burro. Dos lados, tem dois ossos curvos. Atrás do dorso tem outra coisa: a cauda, cuja extremidade serve para sacudir as moscas. Comemos o interior da vaca, mas do exterior os sapateiros fazem coiro.»

Fábrica de livros (Feira do Livro)


«Nada se pode escrever sobre nada.» Esta parece ser uma verdade absoluta, inexorável e impossível de rebater. Por ano, editam-se (estimativa) em todo o mundo um milhão de novos títulos e cerca de três milhões de inéditos ficam por publicar. Tendo em conta o que se edita por ano e que um leitor razoável apenas lerá, em toda a sua vida, 0,1% desse número, é-me cada vez mais difícil acreditar na veracidade da primeira afirmação.
Livreiro anónimo em reflexões sobre a indústria do livro.

quarta-feira, abril 6

Já escolheu a sua Livraria preferida de Lisboa?


Qual a sua Livraria Preferida? - Votação

Durante o mês de Abril, até 15 de Maio, está a decorrer uma votação, na APEL, para eleger a Livraria Preferida de Lisboa, no âmbito da iniciativa “Ler em Todo o Lado”.
Se a sua livraria preferida de Lisboa é a Pó dos livros, vote aqui. Se não for vote também.
Razões para votar na Livraria Pó dos Livros:
Origem da Pó dos Livros:

A ideia do nome da livraria Pó dos Livros surgiu-me quando estava a ler o livro "A Sombra do Vento", de Carlos Ruis Zafón. É um livro que, para além de muitas outras coisas, nos fala de um cemitério de livros esquecidos - livros cheios de pó. Este facto recordou-me uma pequena história passada comigo e com o meu pai durante a minha infância. O meu pai era um bibliófilo, comprava e lia compulsivamente. Um dia, pela tarde, em que mais uma vez chegava a casa com um saco cheio de livros, velhos e com pó, perguntei-lhe:

- Pai, porque é que compra sempre livros velhos e cheios de pó?
- Foi precisamente por terem pó que eu os comprei.
- Não entendi...
- Os livros com pó são os livros que resistiram ao tempo, por isso os considero importantes.

Jaime Bulhosa



A Pó dos Livros é uma livraria de bairro, independente, alternativa, com livreiros experientes e gosto pela partilha das suas leituras. Tem um conceito arquitectónico que nos transporta para um ambiente retro, decorada com objectos de outros tempos, fazendo lembrar as antigas e tradicionais livrarias de Londres, com estantes altas, negras, de madeira trabalhada, e com as paredes coloridas. Procura atrair um público diferenciado do das livrarias de grande superfície, clientes mais exigentes, mais selectivos, se quiserem. Oferecemos um largo conjunto de livros, que passa pelas novidades editoriais dos autores mais valorizados, pelo fundo de catálogo, livros raros e usados, pelos clássicos da literatura que, cada vez mais, são difíceis de encontrar nas livrarias de centro comercial. Tentamos dar o máximo de visibilidade aos catálogos das pequenas editoras, a edições de autor e a textos esquecidos. Privilegiamos, sem nenhum pudor de o expressar, as editoras e chancelas de qualidade. Somos particularmente exigentes na selecção dos livros da secção infantil e juvenil, tanto em termos da qualidade gráfica como pedagógica. Afinal de contas, é quase sempre nestas faixas etárias que se ganha o apetite, ou não, pela leitura. Tentamos sempre satisfazer aqueles pedidos que ninguém quer aceitar, porque dão muito trabalho e pouco retorno financeiro, isto é, fazemos, sistematicamente, périplos pelos alfarrabistas, feiras de usados, etc., em busca de um só livro que há muito se encontra esgotado, mas que o cliente deseja muito adquirir. Por vezes, dizem-nos que fazemos milagres. Apostamos nos novos meios de comunicação gratuitos que a Internet nos proporciona, como o blogue, umapágina Vintage de venda de livros raros, usados, o twitter e o facebook. Acreditamos não errar se dissermos (e passamos a imodéstia) que a Pó dos Livros é a livraria independente com o maior número de seguidores no facebook, sendo o nosso blogue um dos mais visitados na área dos livros. 

Prémios:
- Melhor Livraria Independente, 2007/2008 (Revista Ler e Booktailors).
- Melhor Blogue de Livraria ou Editora, 2008/2009 (Blibie)
- Livraria Preferida de Lisboa 2.º Prémio, 2013 (APEL e Bibliotecas Municipais de Lisboa, CML)

sexta-feira, fevereiro 19

Também nos preguntamos.


Entra uma cliente, olha para um lado e depois para o outro. Faz vários esgares esquivos, parece estranhar qualquer coisa na livraria, talvez o facto de conter alguns livros antigos. 
Pressentindo qualquer coisa, o livreiro decide cumprir o seu dever:

Livreiro: Bom dia. Em que posso ser útil?

Cliente: Diga-me uma coisa, para que é que serve esta livraria?

Livreiro: ?...

Jaime Bulhosa

quarta-feira, fevereiro 17

Muitas vezes não pareça...



O livreiro novato para o livreiro mais antigo:

- Mestre, como posso distinguir os temas dos livros e saber onde os arrumar?

- Os livros com textos antigos vão para a filosofia. Os livros com textos curtinhos e, às vezes com rima, vão para a poesia. Os livros com diálogos e didascálias vão para o teatro.

- Didas… quê?

- Didascálias.

- Ah!... E o resto?

- O resto?!… Embora, muitas vezes não pareça, é tudo ficção.

quinta-feira, fevereiro 4

Aconselhando livros



- Já leste este livro?
- Não.
- E este?
- Também não.
- E já agora este?
- Não, também não.
- Puxa! és uma rapariga de sorte.
- De sorte!?... Porquê?
- Porque tens a sorte de os ir ler pela primeira vez.

terça-feira, dezembro 15

Pensamento do dia


«Toda a minha vida procurei nos livros respostas para a curiosidade mais profunda. Tenho lido, muito até, mas não sei se tenho lido os livros certos. Parti para a leitura com o espírito aberto, perguntando: Qual é a resposta? Todos os livros fizeram silêncio. 
Vou mudar de paradigma e passar a perguntar: Qual é a pergunta?» 

Livreiro anónimo

As Leituras e as Estações do Ano


Não tenho nenhum estudo científico que sustente a sensação que tenho de que as pessoas lêem mais determinados temas de acordo com as estações do ano. Apenas constato isso através da análise que faço das vendas.

No Inverno: estamos mais predispostos a ler não-ficção, ensaio, poesia ou aquele clássico de quinhentas páginas que estava à espera na mesa-de-cabeceira, desde o Verão passado (para ganhar coragem).

Na Primavera: a ficção “leve” ou light, (como quiserem chamar-lhe) dispara no número das vendas, e todos os livros que falem de paixões, sexo, namorados, amantes ficam de repente na berra. Também os livros de auto-ajuda aumentam significativamente (para os que não conseguem acompanhar o chamamento primaveril da Natureza).

No Verão: a literatura de viagens, desporto, o romance para ler na praia.

No Outono: sem dúvida, os romances históricos são os mais vendidos. Os livros de direito são igualmente muito procurados nesta estação (necessitamos deles para nos tentarmos livrar das alhadas em que nos metemos nas duas estações anteriores).

No Natal: é uma quadra à parte, pois vende-se de tudo, mas não acredito que se leia tudo o que se vende.

Não fui o único a reparar nesta tendência, alguns editores (principalmente as que editam para as grandes massas) já o fizeram antes. É só estarmos com atenção ao tipo de livros que saem em cada estação e olharmos para as capas.

No Inverno: predominam as capas a preto e branco, as cores escuras, as paisagens de montanha com neve e chuva, as lareiras.

Na Primavera: as flores, as cores vivas, as mulheres bonitas, carros desportivos e vedetas de televisão.

No Verão: as praias, areia, corpos bronzeados, conchas e paisagens tropicais.

No Outono: as planícies e paisagens rurais, as árvores com as folhas a caírem, os verdes, castanhos. Monumentos e pinturas com temas históricos (não podemos esquecer que estamos na estação do romance histórico).

No Natal: é fácil – temos o Pai Natal.

Um editor que não tenha em atenção estes pormenores e que edite um romance com uma capa de Verão no Inverno, arrisca-se a só o vender na estação seguinte.
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Jaime Bulhosa