quarta-feira, dezembro 31

Bom 2009


Em jeito de balanço do ano 2008 gostaríamos de agradecer aos que connosco fizeram a Pó dos livros: aos nossos clientes, aos fornecedores, editores, distribuidores e livreiros, aos que visitam o nosso blog e o enriquecem com os seus comentários, aos outros blogues que desde o inicio apoiaram a nossa livraria e também às diversas personalidades ( a todos e não só aos das fotos) que aqui estiveram a pretexto de eventos realizados pela livraria. A todos desejamos um feliz ano 2009.

segunda-feira, dezembro 29

Natal na terrinha


O meu Natal foi passado na casa de província dos bisavós dos meus filhos (bisavós, porque infelizmente os avós já faleceram). Existem, para além da casa principal, muitas outras casinhas que em tempos foram redil de animais e que hoje em dia não são mais do que arrumos de velharias, acumuladas ao longo dos anos. Ao vasculhar estes autênticos depósitos de memórias, no meio das teias de aranha, de veneno para ratos e de imenso pó de livros velhos, dei com um brinquedo (uma máquina de escrever) no mínimo original, fabricado na Inglaterra, daqueles brinquedos ainda feitos na Europa, em vez dos agora Made in China. Soube mais tarde que teria pertencido a um avô já falecido que em tempos fora poeta. Imagino que este brinquedo terá tido influência no gosto pelas letras do tal avô. Na esperança que exerça sobre outras crianças o mesmo feitiço, repousa agora na secção de livros infantis da Pó dos Livros.
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Jaime Bulhosa

sexta-feira, dezembro 26

The day after

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TOP 100 SUMOS
Sarah Owen, Sinais de Fogo, 2008

Não sei porquê mas hoje só me apetece a secção de livros sobre dietas e alimentação saudável!
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Isabel Nogueira

quarta-feira, dezembro 24

Para todos...

Não tenho escrito posts, nem lido blogues, nem comprado jornais, nem visto televisão ou ouvido rádio, estou completamente alheado do que se passa em Portugal e no mundo. É uma sensação estranha porque parece que estou no paraíso no segundo imediatamente antes do pecado original. Não há crises, polémicas, falências, guerras para comentar, ninguém está só, toda a gente é culta, simpática e milionária e os que estão doentes vão com certeza melhorar. Cenário ideal para desejar a todos, em nome da Pó dos livros, um bom Natal.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, dezembro 22

Exercícios de auto-apoucamento (com vista ao próximo Natal)

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Sapatos, Vicent Van Gogh

A ideia de há muito que o andava a desassossegar. Depois dos primeiros ensaios de auto-apoucamento, Valério conseguiu um primeiro grande resultado: meter-se todo, todinho, numa das pernas (por sinal, a esquerda) do par de calças de sarja que comprara nas Confecções Nilo por trezentos convidativos escudos. Com voz-de-dentro-de-calça chamou a mulher:
- Ó Quinhas, anda ver!
Quinhas levou um susto ao dar com uma perna de calça sustentando-se em pé sem, aparentemente, homem lá dentro. Logo se refez para fingir que não era capaz de o encontrar:
- Mas onde é que se teria metido o meu Lérinho!
- Aqui, sua estúpida! - desabafou-abafou a voz de Valério.
Quinhas continuava a brincadeirinha apalpando a perna vazia e bichanando:
- Lérinho! Lérinho!
Quando Valério, por fim, se libertou da perna de calça e retomou o seu (natural) ascendente, trocaram prazenteiros insultos como só os casais muito unidos sabem trocar.
Quinhas seguira os exercícios de auto-apoucamento de Valério. Este começara a enovelar-se pelos cantos da casa: passara de seguida aos gavetões da cómoda e acabara por ser encontrado numa das gavetas da mesa da cozinha. Dessa feita, Quinhas gritara. É que Valério saltara lá de dentro e avantajara-se brandindo aos urros um facalhaz.
Que horror, querido, pareces um cossaco! - dissera Quinhas que, no autocarro dessa manhã, lera nas Selecções um artigo dum biólogo americano sobre cossacos.
E então, solenemente, como só os casais muito amigos sabem fazer, combinaram logo ali que Valério, por mais apoucado e encafuado que estivesse, não pregaria sustos daqueles à sua Quinhas. E beijocaram-se, prazidos. Os exercícios de auto-apoucamento de Valério tinham um fim: preparar a grande surpresa para o Necas, quando ele viesse a férias pelo Natal. E vai daí – como o tempo corre! - o Necas veio. Valério considerou o filho com apreensão. Valeria a pena a surpresa? Necas estava tão grande! Aquela sombra no beiço, aquela voz do peito pontuada de estridulações...
- Ora o Necas é ainda tão criança! - sossegou-o Quinhas.
Criança que era, o Necas só muito raramente acordava no meio do sono com as movimentações tardias que naquela casa estavam a ser o teor diário. Mas na véspera do Natal, o silêncio foi inesperadamente tão grande que o Necas passou toda a noite numa excitação que nem te digo. Coisas de crianças, coisas da quadra?
Ao levantar-se, pés nus, para ir ver o sapatinho, o Necas já ia a bordo dos patins que a mãe lhe prometera. Quando deu com o pai, apoucado, a acenar-lhe amigavelmente da amurada do sapato, Necas fugiu a procurar no regaço da Quinhas a verdadeira dimensão do seu horror:
- Sa... Sa... Saiu-me o... o.... o pai no sa.... sa... sapato! - soluuuuçava o orfão de vivo. E a mãe, ultrapassada pela reacção do Necas, consolava-o como ia podendo, prometendo-lhe que o pai voltaria a crescer, a crescer.

Alexandre O' Neil

AS MAIS BELAS HISTÓRIAS PORTUGUESAS DE NATAL
Escolhidas por Vasco Graça Moura, Quetzal, 2008
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(Postado por Isabel Nogueira)

domingo, dezembro 21

Dedicatória do acaso

Cliente 1: (Distraída e atarefada como toda a gente nos últimos dias antes do natal e sem reparar na pessoa imediatamente a seu lado, junto ao balcão da Pó dos livros.) Por favor eu queria o livro “A Razão dos Avós”, de Daniel Sampaio.

Cliente 2: Vai oferecê-lo à sua mãe?

Cliente 1: Sim... (Surpreendida com a pergunta, levanta a cabeça na direcção da voz que lhe é dirigida.) Ah! Mas é o...?!

Cliente 2: Sim, sou eu! É uma sensação estranha ouvir assim mencionar o nosso nome. Se desejar, terei todo o gosto em fazer uma dedicatória à sua mãe. Conta-lhe esta história e ela vai achar graça.


quinta-feira, dezembro 18

A leitura nos tempos de crise

(imagem retirada de flickr.com)

Será que é desta que os portugueses vão desatar a ler que nem uns loucos? É que segundo um artigo de Jill Lawless, publicado hoje na revista Visão, com a crise, os islandeses “refugiaram-se nos prazeres simples”, como a leitura:
“(...)Runar Birgisson contabiliza uma duplicação da saída de livros, na sua banca, desde que os principais bancos comerciais do país colapsaram, em princípios de Outubro: «Na Islândia, os livros não são artigos de luxo.» E explica como a literatura e os livros podem ajudar a enfrentar a crise: «São muito importantes para a nossa alma. Durante seis meses por ano, está muito escuro e frio. É muito reconfortante ler um bom livro.»”
E que o nosso Inverno soalheiro não nos sirva de desculpa, ler um bom livro num jardim (público – que é de borla) a apanhar Sol é duplamente reconfortante!

BOOKS THAT CHANGED THE WORLD - THE 50 MOST INFLUENCIAL BOOKS
Andrew Taylor, Quercus, 2008
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Isabel Nogueira

Não há tempo

Embrulho um Saramago, um Philip Roht, um Paul Auster e depois faço dezenas e dezenas de embrulhinhos, de livrinhos pequeninos para oferecer aos meninos e meninas de uma escolinha. Não temos tempo para mais nada, principalmente para escrever aqui no blog. Ainda bem, ao menos que se venda livros nesta época. É que a brincar a brincar o natal representa entre 25% a 30% da facturação de um ano.

Jaime bulhosa

terça-feira, dezembro 16

O acaso



«Só anos mais tarde Tommy Thompson tomou consciência da sorte que teve naquele dia. E não foi pelo facto de a aterragem ter corrido bem. Sempre pensara que a sua colocação em Malta seria temporária e depois seguiria para o Cairo. “Nenhum de nós sabia as perdas terríveis que os esquadrões de Blenheims em Malta estavam a sofrer. Nem sabíamos que o comandante das forças da ilha, para colmatar as baixas que sofria, impedia todas as tripulações de seguir para o Cairo. Se tivesse chegado a Malta em vez de aterrar em Portugal, não sei se estaria aqui para contar a minha história.”»

Não sabe quem é Tommy Thompson? Nem eu saberia, não fosse o caso e o acaso deste senhor ter entrado na Pó dos livros a falar em inglês e a fazer questão de assinar a sua fotografia, num livro que se encontrava na montra. Facto que só aconteceu porque o jantar organizado pela editora Pedra da Lua, a propósito do livro “Aterrem em Portugal!”, de Carlos Guerreiro, se ter realizado nesta zona das Avenidas Novas.

Tommy Thompson é ainda um dos poucos sobreviventes da Segunda Grande Guerra Mundial. Sargento-aviador da Royal Air Force é um dos protagonistas do livro “Aterrem em Portugal!”. Ponto de passagem obrigatório nas rotas de ligação entre o Reino Unido e os restantes teatros de guerra, Portugal viu-se no centro de uma intensa actividade aérea. Por aqui passaram mais de quinhentos tripulantes de aviões americanos, belgas, franceses, britânicos e alemães. Este livro conta parte desta história através de relatos na primeira pessoa ou através de documentos de vários arquivos nacionais e internacionais.

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Jaime Bulhosa




Edição: Pedra da Lua
1.ª Edição: Novembro 2008
ISBN: 978-989-8142-21-4
N.º Páginas: 317
PVP: 27.00€

segunda-feira, dezembro 15

O mundo é que exagera

O MUNDO É QUE EXAGERA, Agenda 2009,
Planeta Tangerina
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Era Sábado, o Verão acabava de chegar ao fim, eu ia trabalhar e estava atrasada! Apesar de não haver trânsito, meia Lisboa tinha ido de fim-de-semana e outra meia iria dormir até ao meio-dia, parecia-me que nunca mais chegava. - Quando temos pressa todos os semáforos estão no vermelho! Estava parada há uma eternidade no último sinal antes de virar à esquerda para a Pó dos livros, quando uma voz na rádio começou a falar sobre como andamos sempre a correr, quão difícil é gerirmos o nosso tempo (que timming perfeito!), tempo para trabalhar, tempo para estar com a família, tempo para praticar desporto, blá, blá, blá... e afinal, era o anúncio de vendas on line de um qualquer hipermercado.
Entrei na livraria acelerada - corremos sempre nos últimos metros, como se fizesse alguma diferença. O Carlos estava debruçado sobre o balcão, a ler. Sem responder ao meu bom-dia disse-me entusiasmado: - Estou a ler as Cartas a Lucílio, isto é interessantíssimo... Ainda por cima, se pensarmos que foi escrito há dois mil anos... É extraordinário! E, voltando as páginas para trás, começou a ler-me a primeira carta:
“Procede deste modo caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra-te e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente. Podes indicar-me alguém que dê o justo valor ao tempo, aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? É um erro imaginar que a morte está à nossa frente: grande parte dela já pertence ao passado, toda a nossa vida pretérita é já do domínio da morte! (...)” in CARTAS A LUCÍLIO, Lúcio Aneu Séneca, Fundação Calouste Gulbenkian, 2007
É realmente extraordinário!

CARTAS A LUCÍLIO, Lúcio Aneu Séneca,
Fundação Calouste Gulbenkian, 2007
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Isabel Nogueira

sexta-feira, dezembro 12

Hoje não sou livreiro!

Não fica bem dizer mal de colegas, mas hoje eu não sou livreiro, sou vendedor, comerciante ou para parecer mais pomposo, consultor de leituras, empresário do livro, sei lá, tudo menos livreiro! Pergunto: qual foi a necessidade de inaugurar a nova livraria Buchholz nestas condições? É algum tipo de marketing novo? Toda a publicidade é boa, até a má? Ou há alguma coisa por detrás disto que eu não estou a atingir? Tenho esperança, pelo menos o espaço tem potencialidades.
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Jaime Bulhosa

Livraria Buchholz - Por Eduardo Pitta

«Eu não quero ser desmancha-prazeres, e posso garantir ao meu amigo Pacheco Pereira que não me move qualquer espécie de schadenfreude. Pelo contrário. Fico é deprimido com estes sucessivos passos em falso do sector livreiro. Apesar de todas as desgraças, a Byblos já tinha as portas colocadas no dia em que foi inaugurada.»

(ler tudo aqui)

singularidades de uma rapariga loura

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Li algures que Manoel de Oliveira está a adaptar para o cinema o conto de Eça de Queiroz, Singularidades de Uma Rapariga Loura. Este é um dos meus contos preferidos do Eça, não sei bem porquê. Porque o título nos espicaça (Singularidades de uma rapariga loura - !?, tenho que ler isto), porque a aparente facilidade do primeiro parágrafo de imediato nos conquista( "Começou por me dizer que o seu caso era simples - e que se chamava Macário." - Já não quero parar de ler, tenho que saber o que se passou com o Macário!). Enfim, razões tão simples, como a história de Macário.
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Isabel Nogueira

quinta-feira, dezembro 11

Uma campanha no mínimo desconcertante...

Parece que no Canadá levam estas coisas de incentivar a leitura muito a sério (se calhar é mesmo para levar a sério). Vejam esta campanha da Literacy Foundation do Quebeque, no mínimo desconcertante e que tem como ideia de slogan: “Quando uma criança não lê a imaginação desaparece”.

Jaime Bulhosa

Lançamento Hoje às 19h00


quarta-feira, dezembro 10

Livreiros… todos uns exibicionistas!

Ilustração de Aljoscha Blau e retirada da agenda: Dois mil e nove Mundos a céu aberto, edição Eterogémeas.

Jaime Bulhosa

terça-feira, dezembro 9

Placas de metal - finalmente chegaram!

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A Pó dos livros tem uma oferta alargada de placas de metal com motivos antigos, essencialmente retirados de anúncios publicitários. Poderá usá-las conforme a sua imaginação mandar.


Disponíveis em dois tamanhos: 30cm x 20cm e 11cm x 7,5 cm.

sábado, dezembro 6

"Onde Reside o Amor"


Juro, não tenho nada contra a Margarida Rebelo Pinto, nem contra quem a lê, mas não resisto a escrever umas palavrinhas sobre o seu último livro, melhor, sobre o seu último “embrulho de natal”.
Desde já peço desculpa à Margarida que o escreveu, à Maria Manuel Lacerda que fez a capa e ao António Lobato Faria que o editou, aos dois últimos porque os conheço pessoalmente, mas desta vez passaram-se!

Não sei o número da tiragem deste livro, mas são com certeza uns bons milhares. Estou a imaginar os desgraçados dos funcionários de armazém, a quem lhes calhou a árdua tarefa de executar milhares de lacinhos dourados a chamarem nomes feios aos seus patrões. É que, no mínimo, esta tarefa valeu uma tendinite! Como livreiro também quero levantar um protesto. Pergunto: Querem acabar de vez com o embrulho artesanal e centenário dos livreiros?

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Jaime Bulhosa

quinta-feira, dezembro 4

A Nova Feira do Livro de Lisboa


«Em conformidade com "Memorando de Entendimento" assinado em 19 de Maio deste ano a nossa Associação APEL entregou na CML, no passado dia 25, o "Projecto de Modernização da Feira do Livro de Lisboa, tendo em vista a 79ª edição a realizar em 2009". O documento apresentado pela APEL procura cumprir escrupulosamente o texto e o espírito do referido “Memorando de Entendimento”, assumindo-se como um projecto plural, inovador e inclusivo. Pretende igualmente valorizar as dimensões cultural e nacional de um certame que entendemos dever constituir-se como evento fundamental no domínio da promoção do livro e do fomento dos hábitos de leitura.»

Jaume Cabré

A palavra nacionalismo está tão corrompida que prefere definir-se como independentista. O escritor catalão Jaume Cabré, autor do romance As Vozes do Rio Pamano, foi o convidado para a entrevista de Carlos Vaz Marques na TSF.

Lançamento hoje pelas 19h00 - Go Natural

Lançamento hoje pelas 19h00 do livro "Receitas Go Natural" de Frederico Carvalho, editado pela tinta-da-china. Apresentação de Leonardo Guzmán, cozinheiro e proprietário do restaurante "La Moneda".

quarta-feira, dezembro 3

"Schadenfreude freudiana" de Pacheco Pereira

«Anda pelos blogues uma variante de schadenfreude freudiana sobre o encerramento da Byblos.»

Esta é uma frase retirada do blogue de José Pacheco Pereira. Também andei a ler nos blogues as diversas opiniões sobre o encerramento da maior livraria do país, e eu próprio manifestei uma opinião. Espanta-me a forma como Pacheco Pereira diz, sem referir nomes: «Vejo o fim da Byblos sem qualquer espécie do “é bem feito” com que alguns se comprazem.» Di-lo com uma sobranceria moral desnecessária. Para ser franco, entre as opiniões que li não detectei qualquer variante de schadenfreude freudiana. Pareceu-me quase unânime o sentimento de pesar perante o encerramento de mais uma livraria. O que não significa que não se possa criticar e apontar erros, como aliás o próprio Pacheco Pereira faz. Não podemos esquecer que uma decisão empresarial como a que foi tomada pela administração da Byblos tem sempre consequências para as pessoas que no projecto se envolveram, directa e indirectamente. E isso não deve ser negligenciado.
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Jaime Bulhosa

Como pôr a cabeça de um livreiro a andar à roda


Há pessoas que nunca entram numa livraria e quando entram…


- Queria aquele, (Pausa). Esqueci-me agora de repente do nome… como é que se chama? Ah!, já sei, Castelo Branco.

- E qual desejava? O Amor de Perdição, A Queda de um Anjo, Noites de Lamego.

- Não sabia que já tinha tantos! Deixe-me ver…não sei, talvez…
O Amor de Perdição, soa-me mais.

- Aqui tem!

- Desculpe! Eu queria era o CD.

- Mas…??? O Camilo não tem CD’s.

- Camilo! Mas ele não é José?

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Jaime Bulhosa

terça-feira, dezembro 2

RTP2 com audiências da TVI

O blogue da Pó dos livros está quase a fazer um ano de existência, mais precisamente 10 meses. Quando chegarmos a um ano talvez tenhamos um Estádio da Luz cheio em número de visitas. Não seria mau, tendo em conta que se trata do blogue de uma livraria.

Estupidamente, fui comparar as visitas do blogue da Pó dos livros com o número de visitas de outros blogues da mesma área, principalmente com aqueles que visito diariamente: Bibliotecário de Babel, Da Literatura, Ler e Blogtailors. Ao verificar as “audiências” destes blogues, constatei que o sucesso na blogosfera da literatura obedece a uma lógica inversa das televisões, ou seja, quanto maior a qualidade, maior o nível de “audiências”. O facto de os conteúdos serem criteriosamente escolhidos, estarem bem escritos e serem relevantes reflecte-se em mais audiência. O que faz destes blogues uma espécie de RTP2 com audiências da TVI.

Ah!, mas deixem o mainstream chegar à blogosfera da literatura e eles vão ver… Não é à toa que a Pó dos livros produz ficção nacional de má qualidade…

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Jaime Bulhosa

Vídeo do lançamento "As Vozes do Rio Pamano"


«As Vozes do Rio Pamano» é um romance de fôlego acerca das complexas histórias individuais que se ocultam por detrás da história da Guerra Civil de Espanha, cujas reminiscências perduraram ao longo de toda a transição do país para a democracia e que ainda hoje se fazem sentir, marcando a memória colectiva espanhola.
Certo dia, no ano de 2001, uma professora e fotógrafa desloca-se à povoação de Torena para recolher material didáctico da velha escola que está prestes a ser demolida. Esta trivial circunstância irá desencadear a revelação de um enredo complexo, pois Tina toma posse de um caderno manuscrito que ali permanecera escondido ao longo de décadas e que contém as memórias do mestre-escola, numa carta que nunca chegou ao seu destinatário. Pouco a pouco, interpelada pelas experiências e pelos factos contados por Oriol Fontelles, Tina deixa-se envolver na memória histórica da aldeia, situada no epicentro da repressão franquista. E assim o leitor fica a saber como as coisas se passaram em Torena: assassínios e vinganças; jogos de poder e influência; medo e intimidação; combatentes da resistência, fascistas e heróis anónimos, cujas vidas permaneceram envoltas na bruma dos tempos e do esquecimento, obliteradas pela reescrita da própria história.
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Tema:Ficção Romance Histórico
Tradução: Jorge Fallorca
1.ª edição: Setembro de 2008
n.º de páginas: 656
Formato: 15.5x22 cm
isbn: 9789728955724
pvp: 29.9 euros

Lançamento hoje às 18hoo "O Leão e o Coelho Saltitão"


Trocar as voltas ao tempo

"Quantas horas tem o dia?
-Vinte e quatro, sempre a abrir.
-Pois eu queria vinte e cinco,
p'ra brincar até cair.

Quantos minutos a hora?
-Tem sessenta, sem enganar.
-Pois eu queria os sessenta
e mais um só p'ra sonhar.

E os segundos por minuto?
-Sessenta, sempre a passar.
-Pois eu cá queria setenta,
para o tempo baralhar."

"Trocar as voltas ao tempo" de João Pedro Mésseder e Gémeo Luís, Edições Eterogémeas, 2008.

quinta-feira, novembro 27

"As Vozes do Rio Pamano" - Lançamento

( Clique na imagem para aumentar)
Contará com a presença do autor Jaume Cabré e o livro "As Vozes do Rio do Pamano" será apresentado por José Mário Silva.

Jacinto Lucas Pires- Vídeo do lançamento



“Assobiar em Público” é uma recolha de 22 contos, alguns dos quais inéditos, de Jacinto Lucas Pires. O lançamento decorreu no dia 19 de Novembro na livraria Pó dos Livros, com a presença do autor e do jornalista Carlos Vaz Marques. Foi um laçamento com casa cheia e muito descontraido.

Jacinto Lucas Pires nasceu no Porto em 1974. Vive em Lisboa. Em dez anos publicou quatro livros de teatro, cinco livros de ficção e um de viagens.Sobre o livro anterior, Perfeitos Milagres disseram:

“Um livro surpreendente e divertido” – Público – José Eduardo Agualusa

“Um dos melhores romances publicados este ano” – Blitz – João Villalobos

“Absolutamente contemporâneo” – Público – Eduardo Pitta

“O contrário do mundo construído pelo romance clássico e os seus avatares anacrónicos que por aí proliferam. Eis a primeira característica do livro de Jacinto Lucas Pires digna de ser salientada: o não fazer cedência a uma nova inocência romanesca, o que lhe permite colocar-se à altura da matéria de que se apropria” – Expresso – António Guerreiro

Prémio Europa - David Mourão-Ferreira

O “Centro de Estudos Lusófonos – Cátedra David Mourão-Ferreira” da Universidade de Bari e do Instituto Camões promove e organiza o Prémio Europa - David Mourão-Ferreira com o patrocínio do Instituto Camões, da Universidade de Bari, da Câmara de Bari, da Região Apúlia, do Banco Unicredit e de outras Entidades italianas e estrangeiras.
Este prémio tem o objectivo de difundir a língua portuguesa e as culturas dos países lusófonos homenageando o poeta David Mourão-Ferreira e favorecendo a divulgação das obras dos autores premiados através de um plano coordenado de traduções nos países da União Europeia e do Mediterrâneo.

Presidiu ao júri Eduardo Lourenço.

quarta-feira, novembro 26

Poesia Incompleta

Abriu uma nova livraria só de poesia que dá pelo nome de “Poesia Incompleta” (R. Cecílio de Sousa no Príncipe Real). A Pó dos livros, desde já, dá as boas vindas e deseja-lhes o maior sucesso. Como demonstração de uma concorrência saudável entre livreiros, sugerimos ao nosso cliente, mais conhecido como “ladrão de poesia”, este novo espaço. O local ideal para se servir a gosto. :)
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Jaime Bulhosa

É natal! É natal! No comércio tradicional.

Pesadelo nocturno


Juro que não estava preocupado com a crise financeira mundial, com as bolsas a cair, nem com os bancos a abrir falência ou a ser nacionalizados. Nem com as livrarias a fechar, nem com a crise no sector automóvel. No entanto, tudo mudou, desde que o Pai Natal visitou a Pó dos livros. Não posso garantir que era ele, porque a única vez que estive perto dele foi quando me vi ao espelho, disfarçado, para impressionar o meu filho mais novo. Mas era tal qual, gordinho, com barbas e cabelos brancos compridos. O que me inquietou foi o pedido que ele me fez, encomendando um livro cujo título era: “Os Efeitos da Falência”.


Jaime Bulhosa

Horário de Dezembro

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Estaremos abertos nos feriados dias 1 e 8 e nos domingos 14 e 21

terça-feira, novembro 25

É preciso ter cuidado com as companhias…

Não é por nada, nem é por que eu seja pudico ou muito susceptível com o uso do vernáculo. Mas ter um blogue sério, como o nosso, e depois ter links para blogues que tem títulos de post como este, no mínimo afugenta a clientela.

Jaime Bulhosa

Há livros que são mais do que um simples livro.

Daniel Blaufuks foi o vencedor do Prémio BES Photo 2006, o mais importante prémio nacional de fotografia. Vale a pena ver um excerto do filme que vem como oferta no livro.


«Sob Céus Estranhos» é «uma meditação evocativa e poética sobre a experiência dos refugiados da Europa Central e sobre um sentimento de dispersão em trânsito na cidade de Lisboa e nos seus arredores. É uma descoberta comovente, positivamente modesta e humana do espaço, do tempo e do desenraizamento, transmitidos de geração em geração, dos avós que partiram da Alemanha para Portugal, para os pais, para o neto. Poucos refugiados permaneceram em Portugal depois de a guerra acabar, mas os avós de Blaufuks, ao contrário de tantos outros, decidiram não seguir viagem nem voltar para a Alemanha.Tendo crescido em Lisboa, no quinto andar do mesmo prédio onde moravam os seus avós, Daniel Blaufuks viveu a infância imerso num universo de vestígios dessa experiência dos refugiados - um mundo de alusões, fotografias, alguns objectos, comidas, costumes e memórias que não eram as suas, mas que acabariam por atraí-lo e marcá-lo de forma indelével.Utilizando algumas dessas reminiscências, bem como filmes da época e de família, excertos de memórias e textos de refugiados, relatos de familiares e material de arquivos europeus e americanos, Blaufuks oferece-nos um vívido documento com uma bela imagem sobre um momento significativo da história do século XX. O resultado - belo, delicado - é testemunho de uma importante, ainda que muitas vezes menosprezada, verdade. Apesar da sua natureza imperfeita, apesar da sua incapacidade para captar e comunicar a experiência através da memória, a transmissão entre gerações é envolta em valores e em lições que podem efectivamente passar de pessoa para pessoa, de geração para geração, através dos tempos.»

Leo Spitzer, professor de História, Dartmouth College

Tema: Fotografia, História Arte, fotografia: Daniel Blaufuks
1.ª edição: Março de 2007
n.º de páginas: 240
Formato: 17x22.5 cm
isbn: 9789728955229
pvp: 46 euros
Edição tinta-da-china

sexta-feira, novembro 21

Comunicado da Byblos

Não tenho qualquer pretensão em querer parecer melhor gestor que o administrador da Byblos, com as devidas distâncias de dimensão, até porque nos dias que correm não estou livre de também fechar portas (bate na madeira). Só que no caso da Pó dos livros, se isso vier acontecer, não será notícia de jornal, e ainda bem... Li o comunicado que a Livrarias Peculiares, S.A. (era assim que pelos vistos se chamava a empresa proprietária da Byblos) fez para a comunicação social. Como José Mário Silva chamou já a atenção no seu blog, nem uma palavrinha de agradecimento para com os funcionários. Como é possível esquecer quem connosco trabalha todos os dias? Para quem connosco partilha as dificuldades, sim, porque as dificuldades da empresa são também as dificuldades dos seus funcionários e no fim, quando as coisas correm mal, são os principais prejudicados. Não foi um erro de gestão o tratamento que a Byblos deu às pessoas que lá trabalharam, foi um acto imoral, de falta de valores essenciais de respeito pelo próximo. Depois, outro esquecimento imperdoável, o agradecimento devido aos seus clientes, demonstra bem que nunca foram uma prioridade. Por fim, a desculpa para a insolvência, o facto de o “Protocolo de Entendimento” para a tomada de 40% do capital não se ter verificado, chama-se em linguagem técnica de gestão “contar com o ovo no cu da galinha”. O mundo mudou de facto, mas mudou para todos.
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Jaime Bulhosa

Quando o tamanho não importa

Refiro-me a A MORTE DE IVAN ILITCH, de Lev Tolstoi, editado pela Leya, na colecção BIS. Bastaram 91 páginas, em formato de bolso, para conter uma obra maior da literatura mundial.
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Deixo-vos o prefácio, também ele pequeno q.b., de António Lobo Antunes, só para aguçar o apetite:
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“Este livro tão breve, uma das maiores obras-primas do espírito humano, tem sido, desde a sua publicação, um motivo de controvérsia para a crítica: trata-se de uma obra sobre a morte ou de uma obra que nega a morte? Lukacs, por exemplo, defendia a segunda hipótese, contrapondo o Llanto por Ignacio Sanchez Mejias, de Frederico Garcia Lorca, como o grande texto acerca do fim. Embora eu concorde com parte dos argumentos de uns e de outros é um tipo de discussão que só academicamente me interessa: a morte de Ivan Ilitch é ambas as coisas e transcende tudo isso, para se tornar o retrato implacável da nossa condição: não há sentimento que nele não figure, não há emoção que não esteja presente. Tudo o que somos se acha em poucas páginas, escrito de uma forma magistral. Li-as maravilhado, umas vinte ou trinta vezes, continuarei a lê-las maravilhado, até ao fim dos meus dias. Maravilhado, exaltado, comovido, a perguntar-me como é que ele conseguiu. E conseguiu. Reparem no que Tolstoi faz com as palavras e como nos retrata, de corpo inteiro, no mais íntimo de nós mesmos.”

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Isabel Nogueira

quinta-feira, novembro 20

Go Natural



Declaração de interesses: conheço pessoalmente o Frederico Carvalho (para mim, é o Fred). Ele é o cozinheiro chefe da cadeia de restaurantes Go Natural. É daqueles gajos (acho que ele permite que o chame assim) que se inveja, daqueles que nascem com um dom «divino», tipo Cristiano Ronaldo da cozinha, e que, para além das suas qualidades humanas, tem um jeito natural para a coisa…
Mais do que as receitas da Go Natural – ok, eu sei que são importantes para a saúde e super saborosas e equilibradas «caloricamente» –, entre amigos o Fred faz outras coisas. Já tive esse privilégio. Meu deus, divinal! Garanto-vos que vão ouvir falar muito nele.
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Quando Frederico Carvalho cria as suas receitas para a marca Go Natural – um processo que ocorre no início do Verão e do Inverno, ao ritmo de cinquenta novas receitas por ano – tem de ter em consideração uma série de princípios: pratos saudáveis, saborosos, com óptima apresentação, diversificados, inovadores. A cozinha mediterrânica é a influência mais forte nesse processo criativo, que não deixa de recorrer às vastas memórias e recordações do autor. O seu gosto pela culinária começou na casa dos avós, desenvolvendo-se e afirmando-se ao longo das diferentes viagens pelo mundo que fez. Por isso mesmo, pode dizer-se que o «chef» tem como fonte de inspiração todas as experiências gastronómicas por que passa, quer como cozinheiro, quer como consumidor.«Receitas Go Natural», ilustrado com deliciosas fotografias, divide-se em cinco categorias temáticas: Sopas, Sanduíches, Wraps, Saladas, Massas e Sobremesas e Pastelaria. Todos os pratos foram testados e afinados através de rigorosos testes e sessões de provas, contando com o apoio de uma equipa de nutricionistas.Na apresentação do autor pode ler-se: «Em cada receita há uma memória. Não espero que quem as prove o sinta – espero apenas que as minhas receitas deixem boas recordações.»
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Tema: Gastronomia
Fotografia: João Lança de Morais
1.ª edição:Novembro de2008
n.º de páginas: 192
Formato: 20.5x25.5 cm
isbn: 9789728955830
pvp: 27 euros
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Jaime Bulhosa

Byblos, algumas considerações

Não tenho especial prazer em assistir ao encerramento da Byblos, até porque não era à Pó dos Livros que fazia concorrência. A ideia de uma livraria que disponibilizasse todo o fundo de catálogo dos editores agradava-me. Mas sempre, desde o início, fui céptico em relação ao projecto tal como ele foi concebido.

Muito sucintamente, porque o tempo é escasso. A meu ver, a Byblos não resultou devido a cinco factores essenciais:

1.º - Localização: Representa no mínimo 80% do sucesso de qualquer loja de retalho. Só quem não conhece Lisboa é que não sabe que, naquela zona, o movimento de pessoas acaba nas Amoreiras e só começa novamente em Campo de Ourique. Não foi por acaso que também fechou o centro comercial que havia anteriormente naquele mesmo espaço.

2.º - Comunicação e Marketing: Falha de uma regra básica: não se pode prometer o que não se vai cumprir.

3.º - Pessoal: Não está em causa a qualidade do pessoal – eu próprio conhecia alguns livreiros – mas sim a forma como ele foi tratado, muito em pirâmide invertida, isto é, não dando importância a quem de facto vende.

4.º - Serviços: Na prática, não acrescentou nada de novo.

5.º - Credibilidade: Para qualquer empresa que inicie actividade, micro ou gigantesca, a credibilidade dos seus corpos sociais, face aos seus futuros fornecedores, é fundamental.
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Jaime Bulhosa

Byblos


Segundo o Diário Económico a Byblos a maior livraria do país vai fechar.

terça-feira, novembro 18

Ladrão de poesia

Nota introdutória: É um autêntico flagelo a taxa de furtos numa livraria. Para terem uma ideia, ronda entre os 2% a 3% da facturação anual. Com margem média de 30%, significa que por cada livro roubado o livreiro tem que vender três livros iguais só para cobrir o prejuízo. Devo dizer-vos que me irrita bastante, enquanto cliente, seguranças à porta, câmaras de filmar e antenas de alarme, mas não me parece que tenhamos outro remédio.
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Poder-se-ia à partida pensar que o livro é um objecto pouco apreciado pelos ladrões, se definirmos como estereótipo de ladrão uma pessoa pouco culta. Desenganem-se, roubam-se muitos, bons e maus livros e alguns desafiam a imaginação na forma como o fazem. Assim sendo, temos pelo menos quatro tipos de ladrões de livros:

Os profissionais - roubam por encomenda, sempre novidades e em quantidade. Best-sellers, que depois vendem por meia dúzia de tostões aos quiosques que alimentam e de facto lucram com este mercado paralelo. Outro dia apanhei um deles, um homem já octogenário reincidente a roubar na Pó dos Livros. Nesse dia, menos lesto de que o costume, entrou de rompante na livraria e saca cinco livros da montra; por azar deixa cair um deles, o que me chamou a atenção. De imediato fugiu dali para fora. Quarenta anos mais novo do que ele, não foi difícil alcançá-lo. Zangado por ele me ter roubado diversas vezes, e como forma de o persuadir a não voltar, agarrei-o pelos colarinhos e num tom de voz mais elevado perguntei-lhe: - sabes o quanto me custa ganhar a vida? - Desconcertante, responde-me: - Então imagina o que me custa a mim!

Os amadores – são aqueles que roubam apenas um a dois livros por ano, sobretudo quando o dinheiro não abunda. No entanto, são estes que causam maiores prejuízos às livrarias, pois estão em maioria. Sejamos honestos, quem é que nunca roubou um livrinho para ler, nem que tenha sido por empréstimo permanente a um amigo.

Os cleptomaníacos - roubam sem critério e compulsivamente, são raros.

Os VIP - é in roubar livros. Protegidos por uma imagem credível de figuras públicas ou respeitáveis, roubam a achar que nunca irão ser descobertos, o que é um engano. Mais cedo ou mais tarde são apanhados como os outros. Na minha vida de livreiro, por diversas vezes as antenas de alarme gritaram bip, bip, bip, bip... a advogados, políticos, actores, médicos, etc., alguns bem conhecidos da nossa praça pública. Mas o mais extraordinário é verificarmos o tipo de livros que roubam. Garanto-vos, pode ser uma grande desilusão. Só não digo os seus nomes porque pode parecer mal.

Com o tempo aprendi a reconhecer as variadíssimas técnicas usadas pelos larápios para passarem despercebidos. Descrevo apenas algumas, para não dar muitas ideias: Os que usam disfarce. O mais famoso era conhecido entre os livreiros dos anos setenta como o padre do Chiado. Era um homem muito simpático, que durante anos se fez passar por padre e cliente habitual. Comprava um livro, normalmente de bolso, todos os dias, numa das livrarias do Chiado. Ao mesmo tempo levava três ou quatro livros num forro falso da sua batina. Anos mais tarde, ao ter sido descoberto, verificou-se que tinha em sua casa uma biblioteca com cerca de 30 mil volumes, todos eles roubados. Outra das técnicas consiste em fazer um apontamento no livro ou uma dedicatória a si próprios, para, no caso de serem apanhados, garantirem que o livro já lhes pertencia. Há ainda os que cortam as folhas, capítulos inteiros, um de cada vez, com uma tesoura ou x-acto, e depois escondem o resto do livro nas prateleiras por trás dos outros, para mais tarde voltarem. Acham que não é possível? Pois conto-vos que em pleno Natal, nos anos noventa, quando trabalhava no centro comercial das Amoreiras, corria a história que na loja da Singer tinha desaparecido, sem ninguém dar por ela, uma máquina de lavar roupa.

Por último, e o que motivou este relato, é o facto de ter surgido recentemente na Pó dos Livros um novo tipo de ladrão de livros: O Temático.

Ainda não sabemos quem é, ainda não o apanhámos, mas sabemos que ele existe. Só rouba poesia e da mais erudita. Quase poderíamos dizer que neste caso é apenas um acto de cultura. Excepto para o livreiro, claro está!
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Jaime Bulhosa

Hoje na Pó dos livros pelas 18h30


Quarta-feira, dia 19 de Novembro, às 18h30, convidamo-lo a assistir ao lançamento do livro Assobiar em Público de Jacinto Lucas Pires (vencedor do Prémio David Mourão-Ferreira). Está prevista a apresentação de Carlos Vaz Marques, jornalista da TSF. O evento decorrerá na livraria Pó dos Livros.

segunda-feira, novembro 17

A Invenção do Cinema Português - hoje nas livrarias

«O cinema feito em Portugal esteve, desde o primeiro momento, sujeito a um escrutínio público muito maior do que qualquer outra arte. Grande parte deste debate girou em torno da possibilidade, ou da necessidade, de o cinema português se construir como uma cinematografia nacional distinta de todas as outras, com temas próprios, um estilo autónomo e uma relação privilegiada com os espectadores do seu país de origem. Era isso realizável e desejável, ou não? E teria efeitos positivos no sucesso dos filmes portugueses, ou não? Houve respostas para todos os gostos, porque o que uma “cinematografia nacional” devia ser teve sempre as mais variadas interpretações e nunca deixou de mudar ao longo do tempo. O único dado certo, a única constante do cinema português foi, para o melhor e para o pior, o próprio cinema português. Onze décadas de invenção permanente sobre o que o “nosso” cinema devia ou não ser, sobre os temas que ele devia ou não abordar e sobre o modo como o deveria ou não fazer, dizem-nos muito mais sobre as expectativas depositadas no cinema português do que sobre o cinema feito em Portugal propriamente dito. A distinção entre uma coisa e outra não é um mero jogo de palavras. Serve para separar algo que sempre existiu – os filmes portugueses – de algo que, em rigor, nunca passou de uma ideia – a “nossa” cinematografia nacional, o «cinema português». A força desta ideia, porém, assombrou todo o cinema feito em Portugal e acabou por determinar quase tudo o que ele foi e quase tudo o que se pensou e escreveu acerca dele.»
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Tema: História do Cinema
1.ª edição: Novembro de 2008
n.º de páginas: 232
formato: 25.1x20.6 cm
isbn: 9789728955847
pvp: 44 euros
Edições tinta-da-china

quinta-feira, novembro 13

Poemas de Luís Quintais lidos por Diogo Dória


Luís Quintais nasceu em 1968 em Angola. É antropólogo social de profissão, leccionando presentemente no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Nesta qualidade, desenvolveu investigação de arquivo e de terreno sobre o exercício e as implicações públicas e forenses da psiquiatria. Trabalha actualmente sobre as relações entre arte, ciência e cognição.
Como poeta, está representado em diversas antologias, encontrando-se traduzido em inglês, alemão, castelhano, francês e croata. Publicou o seu primeiro livro de poesia, A Imprecisa Melancolia, em 1995, com o qual arrecadou o Prémio Aula de Poesia de Barcelona.
Em 1999 regressa à poesia, publicando os livros Umbria na extinta Pedra Formosa e Lamento nos Livros Cotovia. Dois anos depois, lança Verso Antigo com a chancela da Cotovia. Angst (2002) é o seu terceiro livro de poesia publicado pelos Livros Cotovia.
Em 2004 publica na Cotovia Duelo, obra a que foram atribuídos os prémios Luís Miguel Nava – Poesia 2005 e PEN Clube Português de Poesia. Em 2006 publicou Franz Piechowski ou a analítica do arquivo, um ensaio que colhe ensinamentos em vários domínios que vão da história e filosofia da medicina à antropologia social. Também no mesmo ano, retorna à poesia com a obra Canto Onde.

quarta-feira, novembro 12

Cadeirão Voltaire


Nova morada aqui.

" Uma Vida" - Simone Veil

Simone Veil é, reconhecidamente uma das mais corajosas, capazes e influentes mulheres da Europa.

Nascida em 1927, no seio de uma família judaica francesa, tinha somente 17 anos quando foi levada para os principais campos de extermínio nazis, Auschwitz e Bergen-Belsen. Nessa verdadeira «descida aos Infernos», Simone Veil assistiu a enormes atrocidades, incluindo a perda de familiares, como a mãe, o pai e um irmão.

Jurista, Simone Veil dedicaria a vida às causas das mulheres, das crianças adoptadas, dos idosos e dos imigrantes, tendo sido responsável pela lei francesa de despenalização do aborto (1975). Em França, serviu como Secretaria-geral do Conselho Superior de Magistratura ou como ministra da Saúde e dos Assuntos da Família. Em 1979, sagrar-se-ia como a primeira mulher a tornar-se Presidente do Parlamento Europeu (PE), cargo que ocupou até 1982.

Nos dois anos seguintes, também no PE, assegurou a Presidência da Comissão dos Assuntos Jurídicos. Actualmente, é Presidente da Fundação para a Memória do Holocausto.

Largamente homenageada por diversos países e entidades, ainda em Abril de 2008 recebeu no Parlamento Português, pelas mãos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, o Prémio Norte/Sul do Conselho da Europa.
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Livros de Seda
Categoria:Autobiografia
Dimensões:21,6 x 28,5 cm
Nº de páginas:270
ISBN:978-972-770-658-7
Encadernação:Capa mole
Preço:17.85€

terça-feira, novembro 11

"O Fabuloso Teatro do Gigante"


Um dia dois forasteiros chegam à aldeia de Lagares, isolada no meio das serras, lá nos confins do Minho. Um dos forasteiros era de estatura colossal, a quem logo chamam o Gigante, mas que na realidade tem por nome Thomas, o outro era Eunice, uma mulher pequena de cabelos cor de fogo que dentro em breve daria à luz dois gémeos. Ele, originário de um incerto país latino-americano, é um grande contador de histórias tão verdadeiras quanto inesgotáveis e que fazem as delícias dos habitantes de Lagares. Um dia, porém, o Gigante adormece e o seu sono prolonga-se por meses, anos, mas continua a contar as histórias com que vai sonhando. Nessa espera interminável, Eunice decide anotar por escrito tudo o que sonha aquele homem que ama e que tanto a fascina. E será a partir daí que as coisas seguirão um novo e extraordinário curso, mudando para sempre a vida daquela gente. Este é o primeiro romance de David Machado, uma obra inovadora, que abre caminho a um novo imaginário no espaço da literatura portuguesa.Depois de A Noite dos Animais Inventados, Prémio Branquinho da Fonseca 2005, este é o primeiro romance para adultos de David Machado.

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Tema: Literatura
Colecção: Grandes Narrativas
Nº na Colecção: 330
Preço c/iva: €14,00
ISBN: 978-972-23-3624-6
Nº de Páginas: 216
Edição: Presença

segunda-feira, novembro 10

Sem palavras


Durante um evento numa livraria, um cliente incomodado com alguém de quem não gostava (nitidamente por razões políticas), dirigiu-se ao balcão e pergunta:

- É o gerente?

- Sim.

- O livro de reclamações, por favor.

- O livro de reclamações… aconteceu alguma coisa grave?

- Sim! Acho deplorável que a livraria promova eventos com pessoas de tão baixa categoria.
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Jaime Bulhosa

Contos Policiais


«É um crime, caro leitor. Um crime! A vítima somos nós, leitores portugueses, e não há dados que nos apontem para um possível assassino. É praticamente um dado unânime que a literatura portuguesa é vítima de um crime de ausência: a do policial entre a nossa ficção. (...) Talvez a melhor solução seja mesmo um livro de contos policiais, com uma mira atirada à própria cultura de um país. Daí este livro que tem em mãos...»
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Pedro Sena-Lino.
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Nove destemidos autores portugueses aceitaram o desafio de escrever um conto policial. O resultado desta perigosa experiência é um tiro certeiro: nove contos policiais de alto calibre! Muito cuidado com os textos de: Dulce Maria Cardoso, Francisco José Viegas, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, Mafalda Ivo Cruz, Mário Cláudio, Rui Zink, valter hugo mãe. E com a estreia de Ricardo Miguel Gomes. Coordenada por Pedro Sena-Lino, esta colectânea de Contos Policiais é a obra inesperada do ano, com incalculável valor literário.
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Edição: 2008
Páginas: 160
Editor: Porto Editora
PVP: 14.90€

sábado, novembro 8

Afastamento da Joana Morais Varela da Colóquio/Letras

Eduardo Pitta escreve no seu blog:

«Gostava de vos chamar a atenção para o afastamento da Joana Morais Varela da Colóquio/Letras e do seu mais que provável... despedimento da Gulbenkian. »Detalhes nestes dois posts:

Com justa causa

Isto não pode estar acontecer

notícias pequenas


Parabéns à Planeta Tangerina que ganhou o prémio de "Melhor Ilustração de Livro Infantil" com o livro "O meu vizinho é um cão", no Festival de BD da Amadora.
"A grande questão" - é o novo livro da editora Bruaá e está quase a chegar à Pó dos livros.

Débora Figueiredo