domingo, maio 31

Dia Mundial da Criança

Porque acho que um livro e um grande abraço é a melhor prenda que se pode dar no dia mundial da criança, aqui fica uma listagem cheia de sugestões para todos os gostos e feitios. Aproveitem o dia.

Para os faladores - "És mesmo tu", Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina.

Para os músicos - "A aula de Tuba", T.C. Bartlett, Gatafunho.

Para os que gostam de peixes - "O Aquário", João Pedro Mésseder e Gémeo Luís, Deriva; "Nadadorzinho" Leo Lionni, Kalandraka e "O Polvo Coceguinhas", Ruth Galloway, Minutos de Leitura.


Para os sonhadores - ""Um dia normal de escola", Colin Mcnaughton e Satoshi Kitamura, Gatafunho.

Para os activistas - "Guia do jovem consumidor ecológico", John Elkington, Julia Hailes e Tony Ross, Gradiva; "Todos nós nascemos livres", Paulinas

Para os "non-sense" - "Baralhando histórias", Gianni Rodari, Kalandraka.

Para os criativos - "O ponto", Peter H. Reynolds, Bruáa; "Sabe-se lá como é o crocodilo...", Eva Montanari, Livros Horizonte.

Para os perguntadores - "Donde vem a pimenta", Manuela Olten e Brigitte Raab, Gatafunho.

Para os colecionadores - "A colecção", Margarida Botelho, Calendário.

Para os que gostam de lobos - ""Um lobo pela trela"Daniella Vignoli e Guido Vignoli, Livros Horizonte; "Lobo Feroz", Chené Gomez e Paracrúa Gomez, OQO e "Mais uma ovelha", Russel Ayto e Mij Kelly, Livros Horizonte.

Para os irmãos - "Tucha e Bicó", Leonor Praça, Plátano; "Fred e Maria", Rita Taborda Duarte e Luís Henriques, Caminho.
Para os bem-humorados - "28 histórias para rir", Ursula Wolfel e João Vaz de Carvalho, Kalandraka.

Para os solidários - "O incrível Sr. Zooty", Emma Chichester Clark, Gatafunho.

Para os piratas - "Ilha do Tesouro", Robert Louis Stevenson, François Roca, Porto Editora; "Piratologia", Livros Horizonte e "Piggy Wiggy Pirata", Christyan Fox e Diane Fox, Minutos de Leitura.

Para os partilhadores - "Os presentes", Maria Keil, Livros Horizonte.

Para os sem palavras - "O Balãozinho vermelho", Iela Mari, Kalandraka e "Ah", Josse Goffin, Kalandraka.


Para os cientistas - "O novo mundo do Sr.Tompkins", Russell Stannard e George Gamow, Gradiva e "O tempo e o espaço do tio Alberto", Russell Stannard, Edições 70.

Para os evolucionistas - "Henriqueta a tartaruga de Darwin", José Jorge Letria e Afonso Cruz, Texto Editora; "A árvore da vida", Peter Sís, Terramar e "Darwin e a verdadeira história dos dinossauros", Luca Novelli, Gatafunho.

Para os comichosos - "Os piolhos do miúdo e os miúdos do piolho", Rita Taborda Duarte e Luís Henriques, Caminho.

Para os aflitos - "Está um hipopótamo na minha cama", Beatrice Masini e Pia Valentinis, Livros Horizonte e "Chau, chau penico!", Benoît Charlat, Gailivro.

Para os inventores - "Um dia na praia", Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina e "As ideias da Bia", Elisabeth Baguley e Gregoire Mabire, Minutos de Leitura.

Para os que gostam de monstros - "Um pesadelo no meu armário", Mercer Mayer, Kalandraka.

Para os informáticos - "A bruxa Mimi e o computador", Valerie Thomas e Korky Paul, Gradiva.

Para os disparatados - "Hipopótamo porcalhão", Gatafunho, "A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça", Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch, Kalandraka.

Para os rurais- "200 Amigos (ou mais) para uma vaca", Alessia Garili e Miguel Tanco, Livros Horizonte; "Ainda nada", Christian Voltz, Kalandraka.

Para os que se acham "os maiores" - "As quatro maçãs", David McKee, Gatafunho.

Para os vagarosos e para os apressados - "A lebre e a tartaruga", Helen Ward, Caminho.

Para os viajantes - "As duas estradas", Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina; "As viagens de Gulliver", Jonathan Swift, Vega.


Para os que fazem perguntas difíceis - "O livro dos grandes opostos filosóficos", Oscar Brenifier e Jacques Després, Edicare; "Para onde corre a raça humana", Jamie Lee Curtis, Quasi e "A grande questão", Wolf Erlbruch, Bruáa.

Para os bibliófilos - "Sara e o gigante das histórias", Laurence Bourguignon, Minutos de Leitura; "O incrível rapaz que comia livros", Oliver Jeffers, Orfeu Negro e "A biblioteca mágica", Jostein Gaarder, Presença.

Para as princesas e fadas - "Fada-bruxa", B. Mine e Carl Cneut, Kual ; "A princesa que bocejava a toda a hora", Elena Odriozola e Carmen Gil, OQO;"A princesa baixinha", Beatrice Masini e Octavia Monaco, Livros Horizonte; "O Feiticeiro de Oz", Frank L. Baum e Lizbeth Zwerger, Ambar.

Para os cavaleiros - "Como ser um cavaleiro", Livros Horizonte e "Joana e o dragão", Cristina Lastrego e Francesco Testa, Presença.

Para os injustiçados - "É tão injusto!", Pat Thomson e Jonathan Allen, Gatafunho.

Para os que não gostam de comer - ""Ssschlep", João Pedro Mésseder e Gémeo Luís, Edições Eterogémeas; "Come a sopa, Marta", Marta Torrão, Bichinho de conto.

Para os artistas - "Pablo o pintor", Satoshi Kitamura, Gatafunho, "Moncho e a mancha", Kiki Dasilva"Kalandraka.

Para os historiadores - "Uma pequena história do mundo", E.H. Gombrich, Tinta da China e "História ilustrada das grandes Descobertas", Clarke Hutton, Bertrand.

Para os cantadores - "Sementes de Música", Paulo Ferreira Rodrigues e Ana Maria Ferrão, Caminho e "Canta o galo gordo", Gonçalo Pratas, Inês Pupo e Cristina Sampaio, Caminho.

Para os que gostam de histórias passadas na Floresta - "Contos da Mata dos Medos", Álvaro Magalhães e Cristina Valadas, Assírio & Alvim e "O Vento nos Salgueiros", Tinta da China.

Para os corajosos - "Grufalão", Julian Donalson, Verbo e "O pequeno livro dos medos", Sérgio Godinho, Assírio & Alvim.

Para os que gostam de histórias muito divertidas - "O nabo gigante", Niamh Sharkey e Alexis Tolstoi, Livros Horizonte; "Pau de Giz", Marije Tolman e Iris van der Heide, Gatafunho e "O rapaz dos hipopótamos", Steven Kellog e Margaret Mahy, Livros Horizonte .

E para ti?

Débora Figueiredo

sexta-feira, maio 29

Infância(s)

Na contracapa do livro A Guerra Pelos Olhos Das Crianças, lê-se o seguinte:
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"O olhar da criança capta acontecimentos que nenhum adulto se lembraria de relatar.
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Em 17 de Setembro de 1939, duas semanas após a invasão da Polónia pela Alemanha, as tropas soviéticas ocuparam a parte leste da Polónia e impuseram de imediato uma nova ordem política e económica. Na sequência de um plebiscito, a mesma área foi, em princípios de Novembro, anexada à Ucrânia e à Bielorrússia. No início do Inverno de 1939-40, as autoridades soviéticas deportaram mais de um milhão de polacos, incluindo muitas crianças para as várias províncias da União Soviética. Na sequência do ataque alemão à ex-URSS no Verão de 1941, o governo polaco, exilado em Londres, foi autorizado pelo seu novo aliado a formar unidades militares com os deportados polacos e, mais tarde, a transferir cidadãos polacos para campos no Médio Oriente controlados pelos britânicos. Nesses campos as crianças puderam frequentar escolas polacas.
As 120 redacções aqui traduzidas foram seleccionadas de entre as composições que os alunos das mesmas escolas escreveram. O que torna estes documentos únicos é a percepção das testemunhas: o olhar das crianças capta acontecimentos que nenhum adulto se lembraria de relatar. Numa linguagem simples e pejada de erros ortográficos e gramaticais, as crianças registaram as suas experiências e as suas conclusões sobre a invasão e ocupação soviética, as deportações para leste e a vida nos campos de trabalho e kolkhozes. Os horrores da vida na ex-URSS formaram memórias vívidas; a privação, fome, doença e morte tornaram-se tão banais que passaram a ser aceites como qualquer facto da vida."
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Foi perante a repetição de situações destas e tantas outras, mais quotidianas mas nem por isso menos dramáticas que em 1959 a ONU aprovou a Declaração dos Direitos da Criança, no dia 29 de Novembro, que se tornaria oficialmente o Dia Universal das Crianças (embora os diversos países o comemorem em diferentes dias).
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A Guerra Pelos Olhos Das Crianças
Irena Grudzinska-Gross e Jan Tomasz Gross
Tradução: Hugo Gomes
Pedra da Lua, 2009
ISBN: 9789898142122
PVP: 22.50E
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Isabel Nogueira


quinta-feira, maio 28

Curiosidade literária

Mark Twain, (1835-1910)

Aproxima-se o centenário da morte de Mark Twain, nós para sermos os primeiros a assinalar a efeméride, deixamos-lhe esta curiosidade:

Mark Twain adorava o luxo e o conforto de escrever na cama. Consta que foi lá que escreveu as suas duas obras mais conhecidas, Huckleberry Finn e As aventuras de Tom Sawyer. Twain terá sido a primeira pessoa a aperceber-se que trabalhar na cama poderia ser uma ocupação muito perigosa, pois é lá que ocorrem a maior parte das mortes.
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Jaime Bulhosa

Tempo escandinavo



Nas livrarias dia 1 de Junho.

«O sol ainda está longe, pensei. Mas, ao desembrulhar o último pacote, saiu lá de dentro magicamente aureolado pela doce luminosidade do sol da meia-noite o volume de José Gomes Ferreira Tempo Escandinavo e vi-o ofuscar a lâmpada eléctrica. Apaguei o abat-jour – O livro tinha luz própria. E comecei a lê-lo. E vi Fernão Mendes Pinto em campo de neve. E o cavaleiro de Oliveira em Kristiansund, tentando vender azeite. E um Dom Quixote lusitano tomando os fiords por Torres de Belém. Tempo Escandinavo é a saudade e o remorso de um anti-herói. Mas é, acima de tudo, um grande livro. Julgo não errar afirmando que se trata de obra perfeita de José Gomes Ferreira. Se o mundo não estivesse tão conturbado, é de justiça acreditar que dentro em breve estaria traduzido em todos os idiomas. Até em brasileiro. E foi assim que ontem só me fui deitar às sete da manhã.»

quarta-feira, maio 27

Mirabai

Enquanto o mundo dorme
eu permaneço acordada
Num glorioso palácio de prazer
sento-me vigilante
e vejo uma rapariga abandonada
com uma grinalda de lágrimas
que passa a noite a contar
as estrelas a contar as horas
que a separam da felicidade
Se eu soubesse que
o amor e o desespero
andam sempre de mãos dadas
teria pegado num tambor
e iria proclamar pela cidade
que o amor foi banido para sempre
--- Publicado por Isabel Nogueira

sábado, maio 23

Uma Coisa Atrás de Outra

1.Uma palavra sucede-se a outra.

(...)

5.
Assim que Gabriel se decide a respeito dela, a sua concentração vai ao ar. Telefona-lhe. Envia-lhe cartões com flores. A situação no emprego deteriora-se. Telefona-lhe mais, envia-lhe mais flores.
- Está bem - diz ela.
Depois de fazerem amor pela primeira vez, ele repara que um dos dentes dela não está direito. Não será a última coisa em que há-de reparar.

(...)

7.
Primeiro uma palavra, depois outra. Outra, e outra. Outra folha que cai. Cai a chuva, batendo na janela com o som de quem respira. Respira comigo a escuridão enquanto nos abraçamos um ao outro. Outro temporal sacudirá a chuva, outras folhas tombarão, outras palavras cairão de nós e cá voltaremos, vezes sem conta, na esperança de encontrar precisamente aquilo que os nossos corpos esperam que digamos. Digamos outra coisa por agora. Agora diz aquilo que te vier à cabeça primeiro.

in Pequenos Mistérios, Bruce Holland Rogers, Livros de Areia, 2007



38 Miniaturas
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Pequeníssimo conto (quase bíblico)
No princípio era o Verbo. Ou outra coisa qualquer. Deus já não se lembra.
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(...)
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À la carte
Foi sincero: o que ele desejava, para usar a expressão da empregada de mesa, nunca constaria da ementa.
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(...)
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Honestidade
Ao fim da manhã, visitou o amigo no hospital e assinou-lhe o gesso (mesmo por baixo da frase: «Fui eu que te empurrei»).
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in Efeito Borboleta e Outras Histórias, José Mario Silva, Oficina do Livro, 2008
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Publicado por Isabel Nogueira

sexta-feira, maio 22

Encontro marcado na Pó dos livros


Pensamento do dia

«O primeiro autor a chamar a atenção sobre si devido ao facto de ter escrito um romance num computador foi o jornalista e escritor inglês Desmond Bagley, no princípio dos anos 70. O público e os jornalistas da época compreendiam tão pouco e eram tão ignorantes em relação aos computadores que acreditaram no boato segundo o qual o romance de Bagley fora escrito pelo seu próprio computador. Hoje em dia estamos bastante mais informados acerca das capacidades dos computadores. Sabemos que a criatividade e imaginação humanas não podem, por enquanto, ser reproduzidas pela máquina. Ainda há escritores que escrevem as suas obras à mão e outros que utilizam a máquina de escrever. Mas a verdade é que a maior parte já escreve sempre no computador. Já ninguém acredita que são os computadores que escrevem por eles. Contudo, também é verdade que os computadores disponibilizam uma ferramenta (o «copy-paste») que permite que muita gente escreva livros.»

Livreiro anónimo

João Bérnard da Costa 1935-2009

Em homenagem a João Bénard da Costa, uma das suas últimas intervenções públicas.

terça-feira, maio 19

O melhor incentivo à leitura

(fotografia de Franck Juery)
Desceu a escada que dá acesso aos livros infantis a correr, não tinha mais de 9 anos, daquelas miúdas cujos olhos brilham só pela aproximação dos livros. A vontade de levar todos era imensa, mas a mãe trouxe-a à terra e lembrou-lhe que a vontade que ela tinha de ler era proporcionalmente inversa à quantidade de dinheiro disponível para comprar livros. E que só chegava para um. O ânimo não diminuiu, só não sabia qual escolher, já tinha lido aquele, o outro e também toda a colecção respectiva, tinha gostado de todos. Estava muito indecisa. A mãe nitidamente não tinha tido tanta sorte como a sua filha no que se refere ao acesso aos livros, e talvez por isso não se sentisse à vontade para escolher um.
Pede-me para lhe indicar um livro, um que dure mais do que os anteriores – «é que ela lê com uma velocidade impressionante e eu não tenho dinheiro para tantos livros». Escolhi um, um livro mais a sério, grosso, só com letras, um de que a minha sobrinha de 13 anos tinha gostado imenso. A miúda tinha nitidamente capacidade para este e para mais, se fosse preciso. Ao dar-lho para as mãos, a menina diz:
- Vou lê-lo num instante… se não, gostar posso vir trocá-lo?
Sabia que era um estratagema para poder ler mais com o mesmo dinheiro, mas respondi:
– Sim, podes.

Eu sei que é politicamente incorrecto e que na maior parte das vezes não é verdade, mas, para uma criança, o facto de os livros não estarem imediatamente à mão pode funcionar como o melhor incentivo à leitura.
*
Jaime Bulhosa

Manhattan Transfer

John Dos Passos é sem dúvida um nome incontornável da literatura norte-americana do século XX. Responsável pela introdução de técnicas literárias inovadoras e originais, inspirou toda uma nova geração de escritores e mereceu a crítica elogiosa dos seus contemporâneos. Manhattan Transfer, publicado pela primeira vez em 1925, é justamente considerado por muitos a obra mais importante do autor. Através deste livro John Dos Passos esboça um retrato fiel da América, captando o verdadeiro espírito da cidade de Nova Iorque pelo olhar, bastante próximo do registo cinematográfico, daqueles que a habitam. E, nesta galeria de personagens de todos os quadrantes socioculturais, o que nos deslumbra é a forma como as histórias de vida correm paralelas umas às outras, aproximando-se, afastando-se, ramificando-se ou perdendo-se abruptamente, como se John Dos Passos tivesse conseguido com este livro a impressão digital, única, indelével, da grande metrópole.
*
Editora: Editorial Presença
Autor: John Dos Passos
Tradução: João Martins
Data 1ª Edição: 21/04/2009
ISBN: 978-972-23-4122-6
Nº de Páginas: 416
Dimensões: 150x230mm
PVP: 20.00€

segunda-feira, maio 18

Professor Joaquim Furtwangler

Vídeos do lançamento do livro Estado Civil, de Pedro Mexia (Edições tinta-da-china).

Aproveitando a raríssima passagem por Portugal do Excelentíssimo Senhor Professor Dr. Joaquim Furtwangler, Pedro Mexia convidou-o para a apresentação do seu livro.
Consta que Ricardo Araújo Pereira também foi convidado, mas não pôde aparecer.
Prof. Joaquim Furtwangler

Um Taxista Lisboeta, por Pedro Mexia

Samuel Úria

sábado, maio 16

Convite


A Pó dos Livros e a Editora Labirinto convidam-no. para a sessão de lançamento do livro “As Flores do Caos”, da autoria do poeta e letrista brasileiro Ildásio Tavares, que terá lugar no próximo dia 16 de Maio (Sábado), pelas 16 horas, nas instalações da livraria - Av. Marquês de Tomar, n.º 89 A, Lisboa.
Como letrista, Ildásio Tavares tem músicas gravadas por Maria Bethânia, Alcione, Vinícius de Moraes, Toquinho e Maria Creuza, entre outros.
A apresentação da obra estará a cargo do escritor e poeta Casimiro de Brito.

Contamos com a sua presença

sexta-feira, maio 15

Só um momento



- Tem o livro a Pequena História do Tempo?

- Só um momento vou ver se ainda tenho.

- Um momento! Que quer dizer com isso? É que de acordo com a antiga medida inglesa, um momento durará cerca de meia hora. Já se for de acordo com a medida da Europa continental da Idade Média, um momento durará 1/40 ou 1/50 de hora. Contudo, se for de acordo com a recontagem dos rabinos um momento é precisamente 1/1,080 de hora. É esse o tempo que eu tenho que esperar?


Jaime Bulhosa

Hoje pelas 18h30


Apresentação: da colecção Palavra Ibérica. A colecção Reune escritores de Portugal e Espanha, em torno das diferenças e de projectos comuns. Hoje às 18h30.

quarta-feira, maio 13

Literatura Ibérica

Reunir escritores de Portugal e Espanha, em torno das diferenças e de projectos comuns como a Colecção Palavra Ibérica, que tem apostado na publicação de obras de autores contemporâneos em versão bilingue português/castelhano, bem como promover o encontro com o público, é o objectivo desta iniciativa pioneira que começa a ser uma referência no espaço cultural de ambos os países.
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Na próxima sexta-feira, 15 de Maio às 18:30 horas, na Pó dos livros serão apresentadas pelos seus autores e editores, as obras: Crematório Sentimental, de Golgona Anghel, O Pequeno Almoço de Carla Bruni, de Rui Costa, Agência do Medo, de Santiago Angeded Landero e Uma Ânfora No Horizonte, de Maria do Sameiro Barroso, editados pela Livro do Dia; Privado, de Fernando Esteves Pinto, editado pela Canto Escuro; Os Animais da Cabeça, de Rui Dias Simão, da editora 4Águas.

Pensamento do dia

Adágios, frases, pensamentos, citações, sintetizam na maior parte das vezes os raciocínios complexos dos sábios ou a sabedoria popular acumulada durante séculos. Por isso, os nossos líderes gostam tanto de as usar. Deixo alguns exemplos que lhes poderão ser extremamente úteis:

«Se à primeira não tiveres sucesso, insiste, insiste e insiste de novo.»
«Não batas com a cabeça contra a parede»

«A ausência faz o coração crescer»
«Longe da vista, longe do coração»

«Duas cabeças a pensar são melhores que uma»
«Rema a tua própria canoa»

«Nunca se é demasiado velho para aprender»
«Não se ensinam novos truques a um cão velho»

«Quem não chora não mama»
«O Silêncio é de ouro»

«A palavra é mais poderosa do que a espada»
«Os actos falam mais alto do que as palavras»

«Quanto mais depressa mais devagar»
«O tempo não espera por ninguém»

«O seguro morreu de velho»
«Quem não arrisca não petisca»

«A cavalo dado não se olha o dente»
«Cuidado com os Gregos que trazem presentes»
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«Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és»
«Diz-me o que pensas, dir-te-ei com quem andas»

Livreiro anónimo do contra

O clique




Como quase todos os rapazes, só muito tarde descobri a leitura. Apesar de uma casa cheia de livros e de um pai que não se cansava de nos tentar incutir o prazer da leitura. Essa descoberta só se deu por volta dos treze, catorze anos - foi necessário ter ficado doente e acamado, juntamente com a minha irmã, no mesmo quarto, para não pegar a hepatite-A aos outros. A minha irmã, sete anos mais velha do que eu, é, e sempre foi, uma leitora compulsiva. Na altura (não sei se ainda é assim), o tratamento para a hepatite-A era repouso absoluto, durante pelo menos um mês e meio. Como nos anos setenta a televisão só começava na parte da tarde, logo a seguir à telescola, não nos restava muito com que nos entretermos se não ler. Eu, como já disse, não gostava de ler - era burrinho, burrinho. Imaginem agora um puto preso a uma cama sem se poder mexer. Uma autêntica tortura. Felizmente, minha irmã teve a ideia de me ler em voz alta um livro chamado, na edição da altura, Canino Branco - A Voz dos Deuses.
Escrito por Jack London e agora editado pela Relógio D’Água com o título Presa Branca, é um livro que não conta apenas a história de um cão-lobo selvagem: mostra-nos como as mudanças dramáticas do ambiente social e natural podem modificar o nosso comportamento individual de forma a agirmos de maneira civilizada ou completamente selvagem. Este foi o livro que me fez descobrir o prazer da leitura, fez o clique na minha cabeça. Lembro-me de o ter tirado da mão de minha irmã logo que ela acabou de ler este excerto do primeiro capítulo:

«Passou uma hora, e depois uma segunda hora. A luz pálida do dia breve e sem sol começava a toldar-se, quando um ténue grito ao longe subiu no ar quieto. Aumentou com uma intensidade rápida, até atingir uma nota mais aguda, vibrante e tensa, para depois se extinguir lentamente. Podia ser uma alma penada gemendo, mas parecia animado por uma certa ferocidade triste e uma avidez devoradora. O homem da frente moveu a cabeça até os seus olhos encontrarem os olhos do homem de trás. E então, por cima da caixa estreita e oblonga, manearam a cabeça um para o outro.
Um segundo grito subiu no ar, trespassando o silêncio como uma agulha acerada. Os dois homens localizaram a origem do som. Vinha das suas costas, algures da extensão de neve que acabavam de atravessar. Um terceiro grito de resposta veio também de trás, à esquerda do segundo.

- Vêm atrás de nós, Bill.»

Gostaria que este livro pudesse fazer outros cliques na cabeça de outros miúdos. Mas se não for este que seja outro qualquer. Estou sempre a tentar impingir livros aos meus filhos, espero acertar com o Jack London.


Nota: Obrigado, Aninhas, obrigado, Jack London.




Editor: Relógio D'água
Tradução: Miguel Serras Pereira
Ano de edição: 2009
ISBN: 9789896410698
Preço: 14,00 €

terça-feira, maio 12

A Obra ao Negro

Uma boa notícia esta reedição da Dom Quixote.

A Obra ao Negro é a história de uma dissolução: a da ordem de valores que a Idade Média chegou a admitir como incontestáveis, mas que, mercê de quase imperceptíveis alterações, acabaram por perder o seu sentido, abrindo-se à metamorfose.
Uma personagem, Zenão, concentra em si o desejo de mudança, a vontade de alcançar, num mundo conturbado por conflitos vários, a liberdade de pensar e conceber.
E só um grande escritor poderia acompanhar, de forma simultaneamente tão minuciosa e bela, os contornos dessa personalidade, ao longo do doloroso caminho que a leva a enfrentar e a assumir a própria morte. Acaso se verificará então, nesse decisivo instante, uma das máximas possibilidades da Grande Obra alquímica, o opus nigrum, a tentativa de calcinar as formas para permitir a erupção de novo.

Título: A Obra ao Negro
Autor: Marguerite Yourcenar
Tradução: António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes
ISBN: 978-972-20-3760-0
Páginas: 352
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
Colecção: Ficção Universal
Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado
Preço com IVA: 16.00 €

O poder da mente



Um jovem casal pára junto da montra da livraria. Como se estivessem num bar do Bairro Alto com música ao vivo, falam alto.

Não sei se por causa do nome da livraria ou pelas estantes pretas, ela comenta:
- Esta livraria tem um ambiente especial, podias entrar e perguntar se têm o livro O Poder Infinito da Mente do Lauro Trevisan.

De imediato entram e ele pergunta: Por favor, tem o…?

- Sim, O Poder Infinito da Mente.

Ela agarrando a mão do seu parceiro, sussurra-lhe ao ouvido: Estamos no sítio certo, ele tem poderes psíquicos.

-
Jaime Bulhosa

segunda-feira, maio 11

A não perder


O fim do livro tradicional



Diz-se que a escrita foi inventada há aproximadamente cinco mil e trezentos anos, pela necessidade prática da substituição do mensageiro. O mensageiro, utilizado frequentemente para fins militares, na maior parte das vezes morria antes mesmo de conseguir transmitir a mensagem. E, se a transmitia, normalmente era deturpada. Com a invenção da escrita, não terminaram as más interpretações. No entanto, é por causa dela que se inventa o livro.
Na Suméria (sítio onde é hoje o Iraque), o livro tinha como suporte as tábuas de cerâmica ou de pedra.
Só no antigo Egipto, dois mil anos depois, mais coisa menos coisa, é que o suporte do livro mudou para folhas de papiro feitas a partir da planta cyperus papyrus. Uma tecnologia tão complexa que, para terem uma ideia, a produção de uma folha de papiro custaria o equivalente a 50 euros. Como podem verificar, comparativamente, os livros são hoje bastante mais baratos.
O cilindro de papiro foi um avanço tecnológico enorme em relação às tábuas, quebradiças e pesadas, de cerâmica. Manteve-se durante muitos e longos anos, da Grécia antiga ao Império Romano. E é exactamente nesta altura que o livro mais se desenvolveu e se expandiu a todas as áreas do conhecimento humano. Como curiosidade, foi Júlio César que mandou construir a primeira biblioteca pública e, paradoxalmente, foi também apontado como um dos responsáveis pelo incêndio que destruiu a lendária biblioteca de Alexandria.
Na antiguidade ocidental o livro mantém o suporte, o cilindro de papiro. Na Idade Média surge o pergaminho. É assim até ao invento do papel pelos chineses. O codex, isto é, o livro tal como o conhecemos, mantém-se praticamente inalterado desde há mais de meio milénio, graças à invenção de Gutenberg.
O livro em papel foi, em toda a história do Homem, o objecto de tecnologia cultural mais venerado. Agora constantemente se ouve falar do seu fim. Não há dia em que não surjam notícias sobre os novos suportes para o livro, os famosos livros electrónicos ou e-books. Por enquanto sou um céptico em relação ao suporte do livro digital, sinceramente não acredito muito no seu sucesso. Desde já, porque são demasiado caros e pouco atraentes esteticamente. Julgo que, por uns tempos, o livro “tradicional” vai continuar a passar a perna ao livro tecnológico. Fala-se de que um tipo de papel orgânico será o futuro dos ecrãs. Imaginem, se assim for, as potencialidades de um livro.



A transmissão do conhecimento no futuro deixará forçosamente de se fazer através do livro tradicional. Contudo, penso que passará muito mais por qualquer coisa parecida com a hipnopédia do extraordinário livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, do que por um qualquer e-book.




-Jaime Bulhosa

sábado, maio 9

Pensamento do dia


«Gosto quando os livros pensam como os sábios, mas falam como falam as pessoas simples.»

Livreiro anónimo a partir de uma frase de Aristóteles

Passatempo :


Leia os inícios destes 8 clássicos e coloque-os por ordem de títulos e respectivos autores. Para o primeiro e-mail enviado (podoslivros@gmail.com) com a ordem correcta, temos para lhe oferecer o livro: O Planalto e a Estepe de Pepetela.

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Orlando – Virgínia Woolf
Capitães da Areia – Jorge Amado
O Deus das Moscas – William Golding
1984 – George Orwell
Histórias Extraordinárias – Edgar Alan Poe
Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley
O Conde de Monte-Cristo – Alexandre Dumas
O Jogador – Fiódor Dostoiévski


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1 - «Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem.
Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por um réstia amarela de lua.»

2 - «Ele – pois não poderia haver dúvidas quanto ao seu sexo, embora a moda da época contribuísse até certo ponto para o dissimular – estava a golpear uma cabeça de mouro suspensa das vigas do telhado. Esta era da cor de uma velha bola de futebol, e mais ou menos do mesmo feitio, tirando as faces encovadas e uma madeixa ou duas de cabelo crespo e ressequido, como os pêlos de um coco.»

3 - «As mil injúrias de Fortunato, eu suportei o melhor que pude, mas quando ele chegou ao insulto, então jurei vingança.»

4 - «Era um dia claro e frio de Abril, nos relógios batiam as treze. Winston Smith, queixo aninhado no peito, num esforço para se proteger de malvado vento, esgueirou-se depressa por entre as portas de vidro das Mansões Vitória, não tão depressa, porém, que não entrasse com ele um turbilhão de poeira arenosa.»

5 – «Em 24 de Fevereiro de 1815, o vigia de Nossa Senhora da Guarda assinalou os três mastros Pharaon, vindo de Esmirna, Trieste e Nápoles.
Como de costume, um piloto costeiro largou imediatamente do porto, passou rente ao Castelo de If e abordou o navio entre o cabo de Morgion e a ilha de Rion.»

6- «Voltei, finalmente, após duas semanas de ausência. A nossa gente há três dias que está em Roletenburgo. Pensei que me esperavam com impaciência, mas enganei-me. O general olho-me com um desprendimento extremo, falou comigo de alto e apontou-me para a irmã, que a fosse cumprimentar. Certo e sabido que o general tinha arranjado dinheiro em qualquer lado.»

7- «Um edifício cinzento e atarracado, de apenas trinta e quatro andares, tendo por cima da entrada principal as palavras:

CENTRO DE INCUBAÇÃO E DE CONDICIONAMENTO DE LONDRES-CENTRAL
e, num escudo, a divisa do Estado Mundial:

COMUNIDADE, IDENTIDADE, ESTABILIDADE»

8- «O rapaz de cabelo alourado desceu os últimos palmos de rocha e encaminhou-se para a lagoa. Apesar de ter tirado a camisola da escola, que agora lhe pendia de uma mão, a camisa cinzenta colava-se-lhe à pele e sentia o cabelo pegajoso na testa. Em torno dele, a vasta cicatriz rasgada na selva ressumava calor»

A Ninfa Inconstante


Estela não tem dezasseis anos nem sequer um metro e sessenta. Nem tão pouco consegue entender o discurso desse crítico de cinema que se apaixonou por ela e que tem uma mulher que já não fica acordada à espera dele. Mas esta não é outra dessas histórias de amor em que um intelectual maduro cai na armadilha da beleza de uma ingénua adolescente - Estela tem um plano que é tudo menos inocente. Em pano de fundo, os boleros de uma Havana ruidosa e sensual. A Ninfa Inconstante mostra todas as facetas do estilo de Cabrera Infante: os jogos de palavras que tanto fascinavam esse infatigável explorador da linguagem, as suas referências cinematográficas e literárias, o gosto pelas expressões populares e o sentido de humor único que povoa as suas páginas.
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A Ninfa Inconstante
Autor: Infante, Guillermo Cabrera
Editora: Quetzal Editores
Tradução: Salvato Telles de Menezes
PVP: 17.00 €

sexta-feira, maio 8

Sessões de Autógrafos


Na Feira do Livro de Lisboa junto ao pavilhão da tinta-da-china/Pó dos Livros

quinta-feira, maio 7

Desespero do escritor em tempos de feira


Em tempos de Feira do Livro não lhe faltará oportunidade para conseguir o autógrafo de um escritor. São muitos os que por lá se vêem a cumprir essa “obrigação”. Que por vezes aparenta ser penosa, principalmente para aqueles que são ainda novatos e menos populares. Sentados junto dos seus editores, com um ar muito aflito, com medo de que não apareça ninguém, vemo-los com aquelas caras, de quem a qualquer momento vai gritar: «Socorro, tirem-me daqui!»
Não sei o que pensam os escritores nestas ocasiões, mas poderá muito provavelmente ser mais ou menos como se segue:


O que o leitor diz: Estou sempre ansioso para que os seus livros cheguem às livrarias.

O que o escritor ouve: Nunca pagaria um tostão por esta porcaria.

O que o leitor diz: Vim cá de propósito.

O que o escritor ouve: O editor obrigou-me a vir cá.
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O que diz o leitor: É para oferecer ao meu marido.
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O que ouve o escritor: Pode ser que leia qualquer coisa para além da Bola.

O que o leitor diz: Disseram-me para o ler na escola.

O que o escritor ouve: Contra a minha vontade. Ou: Provavelmente nunca o teria lido. Ou: Porque é que não estás morto.

O que o leitor diz: Não é nada parecido com as fotografias.

O que o escritor ouve: É muito pior.

O que o leitor diz: Você é tão prolífico.

O que o escritor ouve: Você escreve demais, é tão repetitivo e dá-me um sono...

O que o leitor diz:
Eu também vou escrever um livro, quando arranjar tempo.

O que o escritor ouve: O que você escreve é tão banal que qualquer idiota o consegue fazer.

O que o leitor diz: Eu apenas leio os clássicos.

O que o escritor ouve: E você não é um deles.

O que o leitor diz:
Porque não escreve acerca de____?

O que o escritor ouve: Em vez das coisas chatas sobre o que escreve.

O que o leitor diz:
O livro do Saramago vende que nem ginjas.

O que o escritor ouve: Ao contrário do seu.

O que o leitor diz: Então também dá aulas?

O que o escritor ouve:
Sim, porque escrever não é bem um trabalho a sério.

O que o leitor diz: Sabe, a minha vida dava um livro.

O que o escritor ouve: Já a sua…
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Jaime Bulhosa

terça-feira, maio 5

Pandemia




Há três dias que a Pó dos Livros apanhou um vírus. Não, não foi o da gripe do México, foi bem pior. Nem um computador se livrou. Foi uma total PANDEMIA. Por isso, só hoje consegui escrever aqui.

Jaime Bulhosa