quinta-feira, janeiro 28

Venham à Pó

(para ampliar clique sobre a imagem)

Aula de Poesia


Crónicas sobre, entre outros: Eugénio de Andrade * Adília Lopes * Camilo Pessanha * Judith Teixeira * Jorge de Sena * Manuel Gusmão * Joaquim Manuel de Magalhães * Carlos Drummond de Andrade * Manuel de Freitas * Carlos de Oliveira * Gonçalo M. Tavares * Rui Knopfli * Fernando assis Pacheco * Mário Cesariny * Sophia de Mello Breyner * Herberto Helder * VGM * António Botto * Cesário Verde
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Título: Aula de Poesia
Autor Eduardo Pitta
Edição: Quetzal
Isbn:9789725648445
Pvp:16.50€

terça-feira, janeiro 26

A dúvida

Se Aristóteles ou Galileu, entre outros, não tivessem já debatido suficientemente o movimento dos corpos, eu, de tanto andar de um lado para o outro com uma imensa preocupação, teria acabado de o provar neste preciso momento. O chão onde piso mais parece a tijoleira gasta dos aposentos do Rei Afonso VI no Palácio Nacional de Sintra, onde o desgraçado esteve cativo durante nove infinitos e fatais anos. É assim que eu me sinto com a dúvida existêncial sobre quem irá comprar o grupo Bertrand.

Jaime Bulhosa

segunda-feira, janeiro 25

Fotografar o pó dos livros

Oddments Room #III, Jane &Louise Wilson, 2008

--- Oddments Room #6, Jane & Louise Wilson, 2008

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Oddments Room #I, Jane & Louise Wilson, 2008


As fotos das gémeas britânicas Jane & Louise Wilson, aqui apresentadas, fazem parte da série fotográfica Oddments (2008/2009). Esta série foi fotografada numa das maiores livrarias alfarrabistas de Londres, a Maggs Bros, tendo sido escollhidas apenas as salas onde se guardam livros valiosos mas danificados: não têm a capa, ou falta-lhes uma página...
Até 18 de Abril, estarão expostas na Gulbenkian, no CAM, integradas na mostra Tempo Suspenso.

Isabel Nogueira

foi bonito o lançamento, pá

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Os desenhos e as notas de Pedro Vieira.
(clique na imagem para link)

sábado, janeiro 23

a máquina de fazer espanhóis

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Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até didícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo.
a máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar.
O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?
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Título: a máquina de fazer espanhóis
Autor: valter hugo mãe
Capa: GROOVE, a partir de fotografia de Paulo Alegria
Edição Alfaguara, 2010
ISBN: 9789896720162
PVP: 17,00€

quinta-feira, janeiro 21

Lançamento do livro "Caderno de Memórias Coloniais"

Realiza-se hoje pelas 18h30, aqui na Pó dos Livros, o lançamento do livro de Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais, editado pela Angelus Novus. A apresentação será feita por Eduardo Pitta.

Nota: Pode ouvir a entrevista de Carlos Vaz Marques a Isabela Figueiredo no programa da TSF, Pessoal & Transmissível

A experiência de ler

Título: A Experiência de Ler
Autor: C.S. Lewis
Tradução e Notas: Carlos Grifo Babo
Edição: Porto Editora
PVP: 8.50€
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Podemos falar sobre um livro, começando por falar dos seus leitores? Isto é, podemos começar por definir tipos de leitores ou, melhor, diferentes modos de ler e, a partir daí, chegar à apreciação do livro? Dado que diferentes maneiras de ler levam à escolha de diferentes livros, podemos distinguir um mau livro de um bom livro pelo modo como são lidos?
É o que nos propõe C.S. Lewis, neste interessante ensaio A Experiência de Ler: «Já nos bancos da escola, alguns de nós começávamos a reagir à boa literatura. Outros, e eram a maioria, liam na escola The Captain e, em casa, novelas de vida efémera, obtidas na biblioteca itinerante. Mas já então era evidente que essa maioria não "gostava" do seu quinhão do modo como nós "gostávamos" do nosso. E ainda é evidente. As diferenças saltam aos olhos.»
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Isabel Nogueira

quarta-feira, janeiro 20

Finalistas dos Prémios de Edição LER/BOOKTAILORS

(clique na imagem para poder votar)
Até ao próximo dia 15 de Fevereiro pode votar numa obra de cada uma das categorias. O vencedor será apurado pela média de votos do Júri, do Conselho e do Público, pelo que o seu voto é fundamental. A apresentação final dos vencedores será efectuada durante o Correntes d’Escritas, dia 26 de Fevereiro, pelas 21h30, no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim.


Um ramo de flores

- Queria mais seis exemplares de A Porta de Duchamp e faça-me seis embrulhos para oferta, por favor. Sabe, às vezes vamos encontrar-nos com alguém de quem gostamos e levamos uma flor, eu achei este pequenino livro tão bonito, é como oferecer uma flor... e não murcha.

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Título: A Porta de Duchamp
Autor: Rosa Maria Martelo
Edição Averno, 2009
PVP: 9,00€


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NUVENS

Ao dobrar de uma curva da estrada, encontro o fotógrafo celeste. Imóvel ao lado do tripé, braços cruzados sobre o peito, espera que o vento misture de tal modo luz e sombra que a cor do céu possa entrar toda inteira no breve enquadramento da máquina fotográfica. Assim que me aproximo, começa a procurar nos bolsos e, franzindo um pouco os olhos (creio que cada vez mais lhe custa ver ao perto), vai tirando imagem sobre imagem: pedaços de céu com grandes massas de nuvens muito brancas, ou azuis como os montes ao longe, ou levemente pintadas de vermelho e cor-de-rosa como os frutos de verão. «Não é bonito, isto?», pergunta. Depois voltamos a olhar para as fotografias, com a surpresa de quem vai à janela olhar o céu e se dá conta de estar a ver um pormenor do universo: «quanto mais as nuvens nos parecem imóveis, mais nos movemos nós, viajantes de uma nave imensa. Como se não houvesse nenhum vento e, sabe-se lá porquê, a Terra começasse a rodar ligeiramente mais depressa».

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(Foi um belíssimo ramo de flores que chegou à Pó dos livros, a consignação de todo o catálogo da Averno.)
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Isabel Nogueira

Machado de Assis




É um dos escritores que mais me surpreendeu, pela positiva, quando o li pela primeira vez. É considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores escritores do mundo, enquanto romancista, contista e até como poeta. Machado de Assis (1839-1908) é o nome central da literatura brasileira e um dos mais singulares clássicos da língua portuguesa. Nasceu no Rio de Janeiro, onde aliás viveria toda a vida. Perfeita encarnação do típico homem de letras oitocentista, escreveu romances e contos, poesia, teatro, ensaio, foi cronista brilhante, exerceu a crítica literária e teatral, fundou a Academia Brasileira de Letras, de que seria o primeiro presidente. Os seus romances da maturidade, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, ou por alguns considerada a sua obra-prima Dom Casmurro, mantêm aguda actualidade e surpreendem ainda pela novidade e audácia dos processos de escrita e pela feição trágica do seu singular humorismo. Poderá encontrar facilmente nas livrarias as obras:

Dom Casmuro, Memorial de Aires, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Um Homem Célebre, Antologia de Contos, entre outras.
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Jaime Bulhosa

terça-feira, janeiro 19

Ler

«Ler é compreender as memórias do passado, perspectivar as probabilidades do futuro e preservar a perplexidade perante os acontecimentos do presente.»

Livreiro anónimo sobre o sismo do Haiti

Al e Berto


- Por favor, eu queria o livro O Al e Berto Sem Medo.

- Não leve a mal, mas não será O Medo, de Al Berto ou talvez As Aventuras do João Sem Medo, de José Gomes Ferreira?

- Disseram-me que o rapaz tem que o ler na escola.

- Ah! Então já sei qual é.

- Aqui tem As Aventura de João Sem Medo.

- Obrigado. No entanto, aguarde só um momento que eu vou telefonar para confirmar.

- Com certeza.

- Olhe! É mesmo o Al e Berto Sem Medo.

segunda-feira, janeiro 18

Ler à distância de um gesto.

A minha mãe - não digo a sua idade porque, como ela me ensinou, não se diz nem se pergunta a idade de uma senhora - pediu-me como prenda de Natal livros para ler. Objectos que, desde que me recordo de mim, sempre vi na sua mesa-de-cabeceira. Foi o que fiz. Convém antes explicar que à minha mãe foi diagnosticada a doença de Parkinson com apenas 40 anos de idade. Doença que nos últimos anos a colocou de vez numa cadeira de rodas. Levei-lhe cinco livros, com o corpo de letra grande, porque a vista já não é o que era, pouco pesados, no sentido literal do termo, isto é, com poucas páginas, leves, para que não lhe pesassem muito nos braços, que como ela diz têm muita preguiça em movimentar-se. Noutro dia fui jantar com ela e perguntei-lhe se tinha gostado de ler os livros que lhe tinha oferecido, ao que ela me respondeu – «Não fui capaz de ler nenhum!» Fiquei momentaneamente triste, diria egoistamente ofendido. Eu, um livreiro, não fui capaz de aconselhar à minha própria mãe um livro para ler. Infelizmente não foi nada disso: Simplesmente, os livros que eu lhe tinha oferecido eram pesados demais para que os mesmos braços que um dia me pegaram ao colo os pudessem suster ou folhear.


Jaime Bulhosa

Os Postais da Primeira República


Festas de Lisboa em 1913.1913Lisboa
João Franco é expulso do poder
Autor: Ângelo N. Pons 1908 (?) Lisboa
Editora: Tabacaria Rocha
O governo Provisório.
Autor: Amarelhe
1911(?)PortoEditor: Glória
Postal anticlerical de uma série numerada.
Lisboa
Editor: Empresa Lusitana Editora

O presente volume inaugura a série de álbuns comemorativos do centenário da República (1910-2010). A impressionante colecção de postais ilustrados que António Ventura apresenta é, para além de puro deleite estético, um precioso roteiro e testemunho iconográfico da história de Portugal entre 1910 e 1926.


Título: Os Postais da Primeira República

Autor: António Ventura

Colecção: Álbuns da República

N.ºPág. : 190

isbn:9789896710248

Edição: tinta-da-chinaCNPCCR

Pvp: 32.00€

sexta-feira, janeiro 15

Anti-top 2009 Pó dos Livros



1- Caim, de José Saramago, Caminho

2- O Símbolo Perdido, de Dan Brown, Bertrand

3- Uma Pequena História do Mundo de E.H.Gombrich, tinta-da-china

4- O Planalto e a Estepe, de Pepetela, Dom Quixote

5 -2666, de Roberto Bolaño, Quetzal

6- História de Portugal, de Rui Ramos, Esfera dos Livros

7 -Novas Crónicas da Boca do Inferno, de Ricardo Araújo Pereira, tinta-da-china

8 -Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos

9–Veneza, de Jan Morris, tinta-da-china

10–Leite Derramado, de Chico Buarque, Dom Quixote


Afinal, qual vendeu mais?


Afinal, qual vendeu mais: O Símbolo Perdido, de Dan Brown, ou Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos? Parece que a polémica se instalou de vez no mercado editorial português. Sejamos sinceros, se a comparação fosse feita no mercado mundial, o Dan Brown estaria a léguas de distância, mais ou menos à mesma distância a que o Benfica se encontra este ano do Sporting. Porém, tanto a Bertrand como a Gradiva reivindicam para si o mérito de terem editado o livro mais vendido em Portugal no ano passado, factor que por si só é indicador da qualidade das obras, como toda a gente sabe. Segundo os números disponibilizados pelas respectivas editoras, a diferença situa-se, dizem, na ordem das unidades. Qualquer coisa como 170.000 exemplares para O Símbolo Perdido, e 169.999 exemplares para a Fúria Divina. Perdão, acabam de me informar de que, aqui na Pó dos Livros, devolveram, neste preciso momento, um exemplar de O Símbolo Perdido, de Dan Brown. Este livro foi, por lapso, oferecido neste Natal a um senhor que na realidade desejava o Paraíso Perdido, de John Milton, que é, como todos sabemos, quase a mesma coisa. Ambos versam temas inescrutáveis, quase tão inescrutáveis como a realidade dos números da edição em Portugal. De maneira que ficamos, para desgosto não sei bem de quem, talvez dos mais nacionalistas, com um empate técnico.


Jaime Bulhosa

quinta-feira, janeiro 14

Sem título

Não há nada mais gratificante para um livreiro do que escrever um post sobre um livro e alguém comentar:

- Adorei! Acho que vou ler.


Jaime Bulhosa

Não tenho tempo


Não tenho tempo para escrever no blogue. Porquê? Porque não existe tempo presente suficiente para escrever a não ser que eu use o tempo pretérito e o tempo futuro. Passo a explicar: Todos nós temos a percepção do tempo, como a passagem do tempo entre o pretérito, o presente e o futuro. Fácil até aqui. O que agora transparece é que não há tempos futuros, nem pretéritos. É impróprio afirmar: Os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer: os tempos são três: presente das coisas passadas, presente dos presentes, presente dos futuros. Existem pois estes três tempos na minha mente que não vejo em outra parte: memória presente das coisas passadas, visão presente das coisas presentes e esperança presente das coisas futuras. Se me é lícito empregar tais expressões, vejo três tempos e confesso que são três. […]
Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? [...] e de que modo existem aqueles dois tempos – o passado e o futuro – se o passado já não existe e o futuro ainda não veio? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse para o pretérito, seria eterno e não presente, como poderíamos afirmar que ele existe, se a causa da sua existência é a mesma pela qual deixará de existir? […]
Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derribar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria, tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de deitar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de aborrecer, tempo de guerra e tempo de paz.
E tempo para escrever no blogue?
Confusos? É o que dá eu andar a ler as Confissões, de Agostinho de Hipona, mais conhecido por Santo Agostinho.

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Jaime Bulhosa

quarta-feira, janeiro 13

Clientes especiais II

- Minha senhora, eu percebo que esteja aborrecida por nenhuma livraria a conseguir ajudar…

- Olhe! Com esta já são cinco.

- Sim, mas dizer simplesmente que o livro começa por “Era uma vez” não é lá uma grande ajuda, pois não?

terça-feira, janeiro 12

Grandes Tradições Religiosas


Entre os séculos IX e II a.C., os povos de quatro regiões diferentes do mundo criaram as tradições religiosas e filosóficas que têm norteado a humanidade até aos nossos dias: confucionismo e tauismo na China, hinduísmo e budismo na Índia, monoteísmo em Israel e racionalismo filosófico na Grécia. Este período, a que Karl Jaspers chamou Era Axial, viu surgir Buda, Sócrates, Confúcio e Jeremias, entre outros. Estes génios espirituais e filosóficos foram pioneiros de toda uma nova forma de estar, de pensar o mundo e a existência. Como se mantêm ainda tão próximos de nós? Como é possível, que passado tanto tempo sobre os seus ensinamentos, continuemos a recorrer a eles?
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Edição: Temas e Debates/Circulo de Leitores
Título: Grandes Tradições Religiosas
Autor: Karen Armstrong
Tradução: Maria Eduarda Correia
N.º Pág.: 450
isbn:9789727598861
pvp: 27.90€

Facturas obituárias


Conto esta história de memória, conforme ma contavam a mim. Não sei a sua origem, nem se é verdadeira. Dizia-se que um livreiro e a sua secretária e amante, com cara de poucos amigos, mantinham uma livraria decrépita e decadente na baixa de Lisboa, o assunto dava que falar entre as pessoas do meio. O que é certo é que iam mantendo a livraria aberta ao longo dos anos. O segredo era o seguinte: o livreiro e a sua amante liam todos os dias os obituários dos jornais, à procura de anuviadas viúvas da alta sociedade. Conseguindo facilmente as suas moradas, enviavam-lhes cartas, lamentando o incomodo, juntamente com pesadas facturas de listas de livros e revistas pornográficas que alegadamente os seus falecidos maridos tinham comprado. As viúvas, horrorizadas, pagavam rapidamente, sem fazer muitas perguntas, com medo de algum escândalo. Outras, dizia-se, continuavam clientes, mas creio que era só má-língua. Parece que este esquema rendeu milhares de contos. O negócio manteve-se, como quase sempre acontece, até que se facilita e se comete um erro. Um dia uma viúva, cujo marido era cego, recebe uma destas cartas que levantou, como devem calcular, suspeitas.
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Jaime Bulhosa

segunda-feira, janeiro 11

Quantos livros tenho de ler para ser culto?


- Disseram-me que aqui, nesta livraria, é que tem livreiros a sério?

- Ai sim?...

- Diga-me, por favor, quantos livros tenho de ler para ser culto?

O livreiro, um pouco atrapalhado:

- Bem… Não sei...

- Vi logo que não sabia.

- Não é isso! Acho que depende mais dos títulos do que propriamente da quantidade.

- Ah! Está a querer dizer-me que se eu ler o livro certo passo a ser culto?

- Não exactamente!...

- Então porque foge à questão? Não é você um livreiro?

O livreiro, já um pouco irritado:

- Sei lá, uns cinco mil, dez mil…

- Agora sim! Pode dar-me a lista?

- Mas meu caro senhor…

- Ah, ah, ah, estava a brincar.


Jaime bulhosa

Caderno de Memórias Coloniais

«Manuel deixou o seu coração em África. Também conheço quem lá tenha deixado dois automóveis ligeiros, um veículo todo-o-terreno, uma carrinha de carga, mais uma camioneta, duas vivendas, três machambas, bem como a conta no Banco Nacional Ultramarino, já convertida em meticais.Quem é que não foi deixando os seus múltiplos corações algures? Eu há muitos anos que o substituí pela aorta.»Pode descolonizar-se um país. Mas é impossível descolonizar-se a alma.

Nota: O lançamento lisboeta do livro de Isabela Figueiredo terá lugar na Pó dos Livros no próximo dia 21. O livro será apresentado por Eduardo Pitta, que sobre ele se pronunciou já em termos elogiosos

Edição: Angelus Novus
Título: Caderno De Memórias Coloniais
Autor: Isabela Figueiredo
N.º Pág.:136
isbn:9789728827663
Pvp: 15.00€

sexta-feira, janeiro 8

O livro negro das cores

A subtileza deste livro demonstra a beleza da percepção do mundo através dos nossos sentidos e na sua complementaridade. Convidando-nos a reflectir sobre como será aquilo que nos rodeia para quem não vê, esta grande obra obriga-nos a reformular o mundo através dos seus cheiros, sabores, texturas, sons; a recriar, de forma imaginativa, as coisas que nos envolvem. Um livro que nos lembra que há sempre mais para além do que vemos, um livro para redescobrir a riqueza sensorial do nosso corpo e determo-nos na beleza oferecida por essa sensibilidade. Exceptuando o texto, todo o livro é negro. No entanto, as ilustrações em alto relevo e o texto em braille, permitem experimentar as texturas e jogar com as descrições poéticas das cores.
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edição: Bruaá
autor:Memena Cotti e Rosana Faria
tradução: Miguel Goveia
formato:280x170mm
n.º pág: 28
isbn:9789898166043
pvp:19.50€

Clientes especiais


- Mas minha senhora há mais de um ano que a escuto dizer quase diariamente «Pode recomendar-me alguma coisa divertida para ler?»

- É verdade e vamos lá ver se é desta que acerta!

Jaime Bulhosa

Blogues há muitos...

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90 Livros clássicos para pessoas com pressa


Parece-lhe impossível ler 90 livros em apenas uma hora? 90 Livros Clássicos para Pessoas Com Pressa, trata-se de uma "obra" sobre os maiores livros de sempre, todos eles clássicos e de leitura obrigatória. Se não os leu, agora é a sua oportunidade de os ler a todos de uma assentada. Se já os leu, poderá lê-los aqui outra vez. Em quatro vinhetas de banda desenhada, este livro conta-lhe toda a história, uma espécie de romance filtrado, para que consiga ler 90 livros numa hora. Perfeito para pessoas com muita pressa ou simplesmente para quem "gosta" de ler. Vai fazer um figurão quando lhe perguntarem se já leu os clássicos. Aqui ficam dois exemplos:

Dom Quixote de La Mancha, 1605
Miguel de Cervantes, 1547-1616

«Numa época anterior à TV, Dom Quixote lê demais e tem ideias malucas. Ataca moinhos de vento que confunde com gigantes e até o seu cavalo o acha doido. Descobre que não há lugar para heróis e regressa a casa. O cavalo agradece a Deus. E os moinhos de vento também.»

A Bíblia

«No principio, Deus criou tudo e mais alguma coisa (sem feriados). Fast Forward: Jesus, o filho de Deus, nasceu (feriado!) e morreu numa cruz pelos nossos pecados (feriado). E no fim é provável que acabemos todos no inferno.»

Edição: Presença
Título: 90 Livros Clássicos Para Pessoas Com Pressa
Autor: Henrik Lange
Tadução: Maria Carvalho
Isbn: 9789722342537
Pvp: 10.00€

Jaime Bulhosa

quinta-feira, janeiro 7

Atendimento personalizado ao cliente

Depois de seis longos meses a trabalhar numa livraria como moço de recados, eis que finalmente chega a hora de atender o primeiro cliente. A excitação e o nervosismo eram enormes, finalmente iria transformar-se num livreiro a sério. Mas antes o velho livreiro, famoso por ter uma carteira de clientes invejável e responsável pela formação, decide fazer uma pequena palestra sobre as regras básicas de atendimento ao cliente.

- Presta bem atenção, que eu não duro para sempre. Em primeiro lugar estão os nossos clientes e logo a seguir empresa:

Regra n.º 1 – Cuidado com o teu tom de voz, que deve ser agradável e o mais natural possível.

Regra n.º 2 – Isto de atender tem que se lhe diga e pode não ser fácil. Nunca deves perder a calma. Ter paciência é fundamental nesta profissão. Se alguma coisa estranha acontecer, o melhor é pedires ajuda.

Regra n.º 3 – Cada pessoa é única e merece uma atenção especial.

Regra n.º 4 – Deves ser formal e nunca usar a intimidade. Deves utilizar termos como: Senhor, Senhora, por favor, queira desculpar, etc.

Regra n.º 5 – A postura e apresentação são muito importantes, os braços não devem estar atrás das costas. Atende as pessoas com um sorriso e sempre olhos nos olhos.

Regra n.º 6 – Facilita a vida ao cliente, não compliques e não inventes.

- Olha! Vem aí um cliente. Presta atenção, vou mostra-te como se faz.

Adoptando uma postura hirta diz:

- Bom dia. O Senhor deseja?

- Estou à procura do livro O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil.

O velho livreiro, olhando o cliente nos olhos e com uma voz suave, triste, tanto quanto é possível fazer-se, responde:

- Infelizmente, senhor, esse livro encontra-se esgotado há uns anos e é muito difícil conseguir um exemplar.

Desesperado, o cliente exclama:

- Isso já eu sei! Mas onde o vou encontrar se não for você a arranjar-mo?

- Obrigado pelo elogio e por depositar confiança em mim. Dê-me então 48 horas e verei o que posso fazer.

- Posso ter esperança de que mo vai conseguir arranjar?

- Farei tudo para não o decepcionar.

- Muito obrigado e até daqui a dois dias.

- Até breve, senhor.

De sorriso malicioso, mal o cliente sai, logo o velho livreiro sobe umas escadas, e tira o respectivo livro da estante.

Espantado, o livreiro novato pergunta:

- Se já tinha o livro aqui, porque é que faz o cliente voltar daqui a dois dias?

Sem se atrapalhar.

- Porque este... este ainda não era meu cliente, e eu tenho uma reputação a manter.


Jaime Bulhosa

quarta-feira, janeiro 6

A Volta ao Dia em 80 Mundos


Pela primeira vez publicado em Portugal, «A volta ao dia em oitenta mundos», confirma todo o génio criativo de Julio Cortázar, consubstanciado numa nova forma de fazer literatura. Cortázar rompe com o modelo clássico da narrativa e apresenta ao leitor, num único volume, uma colectânea de textos literários que abrange o conto, a poesia, o ensaio, o comentário humorístico e autobiográfico, e que tratam temas tão variados como o boxe, a política, técnicas culinárias, sadismo, Paris, entre outros. Tudo alternado com ilustrações e fotografias escolhidas pelo próprio autor. Uma das obras fundamentais da narrativa mundial, e um livro incontornável deste importante autor.

Edição: Cavalo de Ferro
Autor: Julio Cortázar
Tradução: Alberto Simões
N.º Pág.331
Isbn: 9789896231040
Pvp: 18.00€

terça-feira, janeiro 5

Lisboa «cidade triste e alegre»




Este livro levou três anos a preparar. Cerca de seis mil clichés foram o resultado da tarefa a que os autores se votaram, tarefa que é um tributo de amor à cidade em que ambos nasceram e vivem. E dessas seis mil fotografias, foram escolhidas cerca de duzentas para formarem o conjunto desta obra.

Sem dúvida existem belas fotografias de Lisboa, da Lisboa pitoresca e monumental. Mas este álbum é diferente: não se trata dum simples inventário ou reportagem documental e muito menos duma colecção de «bonitas» provas isoladas. As fotografias que compõem o volume, afastando-se tanto quanto é possível daquilo que se entende por fotografia de «salon», são antes o retrato da Lisboa humana e viva através dos seus habitantes – de dia, de noite, nos seus bairros, na Baixa, no Tejo – revelação ora alegre ora triste, mas sempre terna e sentida, da vida duma cidade. Talvez, por isso, fosse mais adequado chamar-lhe «poema gráfico» - até porque o arranjo das imagens e a própria composição do livro têm, no seu grafismo, o fluir, a alternância de ritmos, as ressonâncias duma obra poética.


Título: Lisboa «cidade triste e alegre»

Autor: Costa Martins e Victor Palla

Edição: Pierre von Kleist Editions

Isbn:9789729982538

PVP: 90.00€

sábado, janeiro 2

Learicks



AUTO-RETRATO DO LAUREADO EM DISPARATES*


Ai que prazer é conhecer o Sr.Lear!
As bagatelas que escreveu e publicou!
Tem mau feitio e há quem não o possa ver?
Também há gente que com ele simpatizou...


O seu espírito é concreto e rigoroso,
E que tamanho excepcional o do nariz!
Possui um rosto mais ou menos horroroso
E a barba lembra uma peruca de juíz!


Tem dois ouvidos e dois olhos; dedos, dez,
Tomando em conta um e outro polegar.
Há muito tempo belas cantorias fez,
Mas hoje em dia é entre os mudos o seu lugar.


Fica sentado muitas vezes numa sala
Bem decorada, onde em livros se tropeça;
Bebendo copo atrás de copo de Marsala
Que não lhe sobe todavia à cabeça.


Padres e leigos, tem amigos sempre à espera,
Sem esquecer nunca o Velho Foss, que é o gato.
Seu corpo tem a forma exacta de uma esfera,
Usa um chapéu de rucinântico aparato.


Se acaso um branco impermeável utiliza
A criançada corre atrás num alarido,
Dizendo alto: - Ele vem p'ra rua em camisa!
É com certeza o velho inglês doido varrido!


Em frente ao mar ou nas montanhas, de emoção,
É de esperar que o seu pranto se desate;
Compra panquecas e pomada em profusão
E ao pasteleiro, macarrão de chocolate.


Consegue ler-mas não falar-o espanhol,
É-lhe impossível suportar a ginger-beer;
Antes que acabem os seus dias sob o sol,
Ai que prazer é conhecer o Sr.Lear!"


Damos as boas vindas ao novo ano com o humor absurdo e o "non-sense" de Edward Lear. Agora que já conhece o autor, divirta-se a ler as outras "Learicks.
Bom ano!


"Learicks" de Edward Lear, Livros &Etc, 2005,*texto português de Vera Pinto e Luís Manuel Gaspar, págs.27 e 28. Pvp - 13.62 euros.


Débora Figueiredo