quinta-feira, julho 29

Revistas


Na Pó dos livros, para além de livros, claro, habitam também revistas. São revistas temáticas - arte, teatro, fotografia, política, sociologia, antropologia, história, filosofia, literatura, poesia, etc. - e chegam muitas vezes até nós pelas mãos dos seus próprios autores, o que nos transmite uma ainda maior responsabilidade de tratarmos bem delas. Algumas nascem de departamentos de investigação das universidades, outras de redacções profissionais e muitas outras de colectivos de pessoas que se juntam para trabalhar/pensar uma ideia. Para mim as revistas são um intervalo interessante entre os jornais e os livros, os artigos têm mais densidade do que nos primeiros, têm um tempo de duração alargado porque não perdem a actualidade, normalmente as revistas são temáticas e por essa razão abordam o mesmo assunto sob várias perspectivas, são espaços de reflexão e debate importantes, são coleccionáveis e poderia continuar aqui a enumerar vantagens sobre as mesmas, mas fica para outro dia porque agora, vou continuar a arrumar a secção das revistas de arte que está um pouco desordenada.


Deixo uma listagem* das revistas que podem encontrar na Pó dos livros:
ByPass-Publicação Multidisciplinar
Cine Qua Non - Revista de Artes
Maca-Magazine de Arte de Coimbra & Afins
Voca-Revista de Arte
Exit-Revista de Artes
Obscena-Revista de Artes Performativas
Detritos
Nada
Malasartes-Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude
Manga Ancha-Revista de Literatura
Oficina de Poesia-Revista da Palavra e da Imagem
Ítaca-Cadernos de Ideias, Textos & Imagens
Inimigo Rumor-Revista de Poesia Brasil e Portugal
Big Ode-Poesia e Imagem
Inútil
Intervalo
Telhados de Vidro
Ler
Os Meus Livros
Textos e Pretextos
Artistas Unidos-Revista
Egoísta
Relações Internacionais
Faces de Eva-Estudos Sobre a Mulher
Análise Social
ExAequo
Etnográfica
Nova Águia-Revista de Cultura para o Século XXI
Metacrítica-Revista De Filosofia
Prima Facie-Revista de Ética
*esta listagem está em permanente actualização.

Débora Figueiredo

quarta-feira, julho 28

Arca do Tesouro



Às vezes, os livros também se ouvem. Umas vezes, porque falam connosco enquanto os lemos e outras porque "se fazem ouvir". É o caso de "A Arca do Tesouro"editado pela Caminho, um livro com CD que nasceu de um texto original de Alice Vieira e que serviu de base para a obra original "Um Pequeno Conto Musical" de Eurico Carrapatoso. A interpretação é da Orquestra Metropolitana de Lisboa com direcção de Cesário Costa e a narração do conto é de Luís Miguel Cintra.
Apesar de não o podermos pôr a tocar aqui na Pó dos livros, garanto que quando se viram as páginas ele se "ouve" muito bem. A razão é que as lindíssimas ilustrações de João Fazenda, combinadas com o grafismo do livro, fazem-nos imaginar os sons e a música. Só tenho pena que as ilustrações fiquem dentro do livro e não saltem para a capa.
Agora, é só juntar um mais um: lê-lo e ouvi-lo ao mesmo tempo.


A Arca do Tesouro, Um Pequeno Conto Musical de Alice Vieira e Eurico Carrapatoso, Caminho - pvp 19.90 euros.

Débora Figueiredo

segunda-feira, julho 26

1001


"As Novas Mil e Uma Noites é um livro de histórias. Nem outra coisa poderia ser, já que tal título-New Arabian Nights, no original inglês - nos remete directa e imediatamente para a fabulosa e famosíssima colectânea das Mil e Uma Noites".*

Recebemos na sexta-feira passada o nº89 da colecção O Imaginário - "As Novas Mil e Uma Noites" de Robert Louis Stevenson. São sete histórias que Stevenson coligiu sob os títulos de O Clube dos Suicidas e O Diamante do Rajá e parecem-me perfeitas para ler nestas noites quentes de Verão. A boa notícia é que há mais, porque este é o primeiro volume.

As Novas Mil e Uma Noites vol.01, de Robert Louis Stevenson, tradução e prefácio de José Domingos Morais, edição Assírio & Alvim, 2010 - pvp 16.00 euros.

*texto retirado da contracapa.

Débora Figueiredo

sexta-feira, julho 23

O Fim dos Livros

Continuam a chegar "pequenos grandes livros" à Pó dos livros. Ontem, foram duas edições da Angelus Novus e hoje, esta edição da Palimpsesto. Pequenos no formato, grandes no interesse.

"No final do século XIX, convivas de um serão londrino entretêm-se a imaginar o futuro próximo da humanidade. Das artes, da literatura. E dos livros. Edison, o inventor do fonógrafo, acaba de apresentar o cinematógrafo e Gutenberg parece condenado pela ascensão do som e da imagem em movimento. O livro impresso vai desaparecer, vaticina uma das personagens.

Publicada em 1895, eis uma história surpreendentemente actual de um autor muito pouco conhecido, Octave Uzanne (1851-1931). Com ilustrações de Albert Robida (1848-1926)".*




Octave Uzanne



O Fim dos Livros" de Octave Uzanne, ilustrações de Albert Robida, tradução de Jacinta Gomes, Edição Palimpsesto, 2010, pvp 8.85 euros

*texto retirado da badana.

Débora Figueiredo

quinta-feira, julho 22

Experimente no sofá



... ou noutro sítio qualquer. Eu vou já experimentar o primeiro, à hora de almoço, no banco de jardim. O segundo vai no bolso, depois logo se verá para onde. Ora diga lá, se não apetece mesmo, a novíssima colecção da Angelus Novus:




Título: "Dois Diálogos entre um Padre e um Moribundo", Marquês de Sade e Nuno Júdice, Tradução de Sade de Bénédicte Houart, Edição Angelus Novus, pvp 4.50 euros

Título:"Quinze Dias no Deserto Americano", Alexis de Tocqueville, Tradução de Bénédicte Houart, Edição Angelus Novus, pvp 6.80 euros

Isabel Nogueira

Citando de ouvido #2

"A literatura atiça a nossa exigência"
Mário Vargas Llosa, entrevista de Carlos Vaz Marques - Pessoal e Transmissível, TSF


Título: A Festa do Chibo
Autor: Mário Vargas Llosa
Tradução: Miguel Serras Pereira
Edição: Leya (Biis), 2010
PVP: 7,50€
Isabel Nogueira


quarta-feira, julho 21

Alberto Manguel



Há pouco tempo atrás, li "Um Diário de Leituras" e foi através das suas palavras, que percorri de um folêgo uma série de livros fundamentais. Para algumas obras foi uma segunda visita e para outras, ainda por ler, uma espécie de primeira apresentação. Em ambas as situações, senti que gosto tanto de ler os livros, como de os conhecer através das leituras de Alberto Manguel. Mal o terminei, fui à biblioteca buscar "Uma História da leitura" que, imperdoavelmente, ainda não tinha lido e o fascínio manteve-se. Dias depois, recebemos na livraria o "No Bosque do Espelho" e confesso, que aproveitei todos os bocadinhos livres para percorrer, capítulo a capítulo, pela mão de Alice, um maravilhoso mundo de alamedas e clareiras cheias de livros. Agora, sempre que vou a casa da minha irmã, olho invejosa o "Dictionnaire des Lieux Imaginaires" , que repousa na sua estante e imagino os "sítios imaginados", enquanto espero que alguém o traduza, para que possa novamente passear pelos mundos livrescos do Sr. Manguel.


Imperdível a entrevista no Ipsilon (Público) no passado dia 2 de Julho. Ler aqui.



"Um Diário de Leituras", Alberto Manguel, Asa - 19.00 euros

"No Bosque do Espelho", Alberto Manguel, Dom Quixote - 15.00 euros

"Uma História da Leitura", Alberto Manguel, Presença - 22.45 euros

"Dictionnaire des Lieux Imaginaires", Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, Livre de Poche

Débora Figueiredo

terça-feira, julho 20

Leituras de férias 1


O Verão já se instalou na Pó dos livros. Os nossos visitantes vão e vêm, variando com as quinzenas. Através das montras iluminadas pelo sol, sabemos que muitos dos livros que saem são escolhidos a pensar nas férias.
Hoje, enquanto arrumava o "infantil", seleccionei alguns com o mesmo propósito. A maior parte não tem idade, podem ser lidos, contados e recontados por todos. Deixo apenas alguns conselhos de utilização: são para ler ao acordar, antes da sesta e ao deitar; são para ler na praia e no campo; lêem-se e ouvem-se melhor enquanto se saboreia um gelado, ao som do mar ou esticados no chão com os pés enterrados na relva.

Aqui fica a lista e sexta-feira, prometo, que haverá uma lista especial de fim-de-semana.
Boas leituras!
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"A Joaninha Resmungona", Eric Carle, Kalandraka - 17.16 euros.
"Os Sete Cabritinhos", Taleixa Alonso e Teresa Lima , OQO - 12.90 euros.
"A Mimi Vai à Praia", Paul Korky e Valerie Thomas, Gradiva - 13.00 euros
"O Enorme Crocodilo", Roald Dahl e Quentin Blake, Terramar - 7.00 euros
"Os Brincalhões", Roddy Doyle, Presença - 7.49 euros (a história mais divertida que conheço sobre bolachas e partidas)
"Contos e Lendas de Macau", Alice Vieira e Alain Corbel, Caminho - 21.00 euros
"Contos da Mata dos Medos", Álvaro Magalhães e Cristina Valadas, Assírio & Alvim - 13.00 euros
" O Livro da Selva", Rudyard Kipling, Tinta da China - 17.80 euros


Débora Figueiredo

segunda-feira, julho 19

Citando de ouvido

"O Quixote: um livro auto-irónico sobre um maluco."
B Fachada, Câmara Clara, RTP2




Título: D. Quixote de la Mancha, I (e II)
Autor: Miguel de Cervantes
Tradução e Notas: João Bento
Revisão: Hélder Guégués
Edição: Relógio d'Água (BI), 2007
PVP: 13,00€ (cada volume)
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Isabel Nogueira

sábado, julho 17

Convite

Hoje, Sábado, 17 de Julho, às 17h30, na Pó dos livros: apresentação do livro de poesia erótica Afrodite, de Paula Moreira, Edição Lugar da Palavra




Deliciosamente ligada à mitologia grega através da heroína AFRODITE, deusa grega da beleza e do amor e cuja origem é contada na Introdução deste Volume, cada poesia, cada letra escrita vai ligando, num elo indissociável, os vários factos mitológicos que levam ao Amor/Paixão, ao Amor Sexual.Este livro de Paula Moreira vai contribuir para que seja dado mais um passo importante no sentido de, mais do que difundir o Amor, reinventar o AMOR!
Elvira Almeida

sexta-feira, julho 16

Melancolia


Vou de férias. Não quero provocar a melancolia a ninguém, até porque, como sabem, a melancolia foi substituída pela inveja, no Século VI pelo Papa Gregório I e considerada, desde aí, um pecado mortal – um pequeno apontamento de grande erudição. Não sei, se já vos disse que vou de férias? Sim, parece que sim. Como eu estava a dizer, vou de férias e, consequentemente, a actualização deste pobre blogue vai ficar à mercê das minhas queridas colegas, enquanto eu vou para a praia apanhar sol, confraternizar, comer, beber, ler e dormir. Não acredito que elas sejam tão assíduas, como eu, a actualizar esta página. Têm mais que fazer, dizem elas. No entanto, também dizem as más-línguas que, para vosso benefício, o nível irá subir substancialmente. Até já.


Jaime Bulhosa

quinta-feira, julho 15

O que será que ele pensou que era?

O outro dia, infelizmente, fui a um enterro. Antes de sair de casa disse ao meu filho mais novo:

- Olha Vasco, ficas em casa com os teus irmãos mais velhos, porque eu e a mãe temos que ir a um funeral.

- Tá bem, pai.

Duas horas mais tarde, ao ver-me chegar a casa com cara de… disso mesmo, o Vasco pergunta muito espantado:

- Então!?... Correu mal?


Jaime Bulhosa

Começar bem o dia

Sou muito tolerante em relação às opiniões dos outros. Sinceramente, não me causam o menor transtorno, nem percebo porque é que há pessoas que se irritam por tudo e por nada quando alguém as contraria. Não faz sentido. Cada um tem o direito às suas opiniões, gostos, preferências sexuais, ideologias, religiões, clubes de futebol, etc., e devemos saber respeitá-las quando não coincidem com as nossas. Parece-me ser um raciocínio simples de pôr em pratica.

- Bom dia! E que lindo que está. Que sol esplendoroso, não acha? Olhe, por ser o primeiro cliente do dia, faço-lhe um desconto.

- Deixe-se de tretas e diga-me uma coisa: de quem foi a falta de gosto na escolha do nome para a livraria? Por amor de Deus, até deve afastar a clientela. Que mentecapto teve a triste ideia? Já para não falar na ideia do logótipo, que horror, que bicho horrível. Quase não se consegue escolher um livro de jeito nesta livraria. Dê-me antes um saco de plástico, em vez daquele de papel pavoroso que vocês têm. Blá, blá, blá…

O cliente continuava naquilo que era o seu direito, isto é, expressava a sua opinião. Eu, no meu fairplay habitual, sempre de sorriso nos lábios, pensava no maravilhoso dia que estava lá fora, a um dia do começo das férias, sem dar demasiada importância ao que ouvia, ao mesmo tempo que tentava recordar um pensamento que sabia adequar-se perfeitamente àquele momento e que, com toda a calma do mundo, me preparava para pôr em prática:

Gostaria por vezes de ser canibal, não tanto pelo prazer de devorar este ou aquele, mas antes pelo de o poder vomitar.

E.M.Cioran


Jaime Bulhosa

Papéis Inesperados


Festejado como um acontecimento editorial pela crítica e amantes de todo o mundo da obra de Julio Cortázar, Papéis Inesperados é uma deslumbrante colecção de textos inéditos e dispersos escritos pelo autor de Rayuela durante toda a sua vida e recentemente encontrados num móvel da sua casa no XV bairro de Paris. Os protagonistas desta surpreendente história - que recorda o baú de inéditos de Pessoa - são Aurora Bernárdez, a sua viúva e herdeira universal, e o especialista na obra do autor, Carles Álvarez Garriga, responsáveis pela edição do livro.

Dividido em 3 partes (prosas, entrevistas perante o espelho, poemas), reúnem-se neste volume contos nunca antes publicados em livro; histórias de cronópios julgadas desaparecidas; um capítulo suprimido de Rayuela; textos sobre literatura, política, viagens, «de emergência», de «palmada-nas-costas»; auto-entrevistas; poemas inéditos, e muitos outros autênticos tesouros que oferecem ao leitor uma visão completa das várias facetas da escrita de Julio Cortázar.


Edição: Cavalo de Ferro
Título: Papéis Inesperados
Autor: Júlio cortázar
Tradução: Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro
Formato:15x22,5cm
n.º pág.: 495
isbn: 9789896231231
pvp: 21.90€

quarta-feira, julho 14

Andava a magicar num livro


Andava a magicar num livro, num título capaz de convencer o meu filho Afonso, de 13 anos, a ler nas férias. Tinha que o obrigar a ler, mas de forma que ele não percebesse que estava de facto a ser obrigado, porque isso seria o pretexto ideal para ele, educadamente, me mandar limpar o pó aos livros. Era necessário que fosse um bom livro. De um autor consagrado, reconhecido quase unanimemente, como um livro que se pega e não se larga mais até àquela palavrinha de três letras que costuma aparecer no fim dos filmes. Fiz um exercício de memória, tentando lembrar-me de títulos que tivesse lido, mais ou menos com a idade dele, e impressionado o suficiente para terem ficado apontados numa lista de livros que um dia, eventualmente, releria. Rapidamente me veio à memória, por exemplo: A Ilha do Tesouro, de Stevenson, Miguel Strogoff, de Júlio Verne, Tom Sawyer e O Príncipe e o Pobre, de Mark Twain, O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, Capitães da Areia, de Jorge Amado. Porém, nenhum destes foi o escolhido. Deveria ser mais actual, ter alguma coisa a ver com a personalidade do meu filho. Lembrei-me, imediatamente, do O Deus das Moscas, de William Golding, por causa da personagem principal o Ralph. É um livro publicado originalmente em 1954 e que nos conta a história de um grupo de rapazes, únicos sobreviventes entre os passageiros de um avião que se despenha numa ilha deserta. Inicialmente, desfrutam de liberdade total, festejando a ausência de adultos. Para sobreviver unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem corajoso e o seu amigo, gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder.
Levei-o para casa. Aproveitando o facto de ter chegado mais cedo que o meu filho, comecei a ler as primeiras páginas, de forma a refrescar a minha memória, com o intuito de, mais tarde, lhe fazer um resumo convincente.

Quarenta e cinco minutos depois:

- Olá pai!

- Humm…

Balbuciei eu, numa espécie de resposta, sem tirar os olhos do livro.

- Estás a ler um livro diferente do de ontem?

- Humm…

- Que livro é que estás a ler?

- Humm, sim… O Deus das Moscas.

- Não me digas que esse é um dos livros que queres, há montes de tempo, que eu leia? Nem penses!

Sem me aperceber da provocação, respondi.

- Humm… sim, sim é este.

- E qual é a história?

Contrariado, fiz-lhe a sinopse mais curta que pude e que acabava com a frase: «numa ilha deserta, sem a supervisão dos adultos».

Ouvindo as palavras mágicas, o meu filho diz:

- Sem adultos!? Parece fixe… dá-me aí o livro!

Irritado por me estar a interromper a leitura, sem reflectir, respondi torto:

- Não, não me chateies, agora estou eu a lê-lo!

- Ok, tchau! Disse-me ele.

Tomando consciência da estupidez que tinha acabado de cometer, pensei para com os botões da minha camisa, que por acaso era uma t-shirt: «estive tão perto». Encolhi os ombros e continuei a ler deliciado.


Jaime Bulhosa

terça-feira, julho 13

Paciência


Entra, olha em volta, vê livros por todos os lados e, mesmo assim, faz uma pergunta que só pode ser de retórica:

- Vende livros!?

Depois, começa a pegar nos que lhe chamam mais a atenção, em todas as prateleiras e em todas as estantes, abre-os apenas durante uns segundos e tanto que lhes vinca as lombadas, manifesta com esgares e trejeitos de ombros o seu desinteresse pelos livros. Recoloca-os nas estantes ao contrário, de pernas para o ar, na horizontal, fora da ordem alfabética, na secção errada e repete a operação por diversas vezes. Quando lhe pergunto se precisa de ajuda, responde-me com outra pergunta:

- Os livros são todos ao mesmo preço?

Continua sem esperar pela resposta, na sua pesquisa do nada, até que se cansa. Dirigindo-se ao balcão, pede-me:

- Seis euros no Euromilhões, por favor.

- Desculpe, mas isto não é uma papelaria.

- Ai não!?... Então, para que é que lhe servem os livros… para decoração?

- Não, para me dar paciência.*


*Paciência: Uma forma menor de desespero disfarçada de virtude.

Bierce, Ambrose, Dicionário do Diabo, tinta-da-china 2006

Passarinhos


As relações entre as entidades de crédito, sejam elas de que natureza forem e os seus pequenos clientes, assemelham-se a ter um pássaro numa gaiola, pegar nele como se pretendêssemos restituir-lhe a liberdade, porém, em vez disso, arrancar uma a uma todas a penas do seu corpo, e depois aconchegá-lo, esperando que o pássaro ainda se sinta agradecido pelo o calor humano libertado pelas mãos que o depenaram.

Livreiro anónimo em reflexões sobre o pagamento de juros referentes aos empréstimos bancários adstritos à sua livraria

O Elefante Evapora-se


Num sufocante dia de Verão, um advogado põe-se à procura do seu gato e dá de caras com uma estranha rapariga num jardim abandonado nas traseiras de casa. Mais adiante, as dores provocadas a meio da noite pela fome levam um jovem casal de recém-casados a fazer uma incursão nocturna e a assaltar um McDonald’s para conseguir deitar a mão a trinta hambúrgueres Big Mac, realizando assim um secreto desejo que já vinha dos tempos da adolescência. Um homem fica obcecado pela misteriosa e incrível saga de um elefante que se desvanece em fumo e desaparece da noite para o dia sem deixar rasto. Sem esquecer as confidências de uma mulher casada e jovem mãe com insónias que passa as noites em claro, a ler Tolstoi, e acorda para a vida num mundo indefinido de semiconsciência em que tudo se afigura possível – até mesmo a morte. Ao longo de dezassete pequenas histórias aparentemente banais, das muitas que povoam o nosso quotidiano, Haruki Murakami transporta o leitor à dimensão paralela de um imaginário delicioso e bizarro ao mesmo tempo, percorrendo um Japão que tem tanto de nostálgico como de moderno. «Muitas vezes divertidos, sempre comoventes», os dezassete contos desta colectânea são prova da extraordinária capacidade narrativa de Haruki Murakami.

edição: Casa das Letras
título: O Elefante Evapora-se
autor: Haruki Murakami
tradução: Maria João Lourenço
formato: 15x23cm
n.º pág.: 351
isbn: 9789724619736
pvp: 18.17€

segunda-feira, julho 12

Avarentos e cromáticos



Há muitos, muitos anos, havia um "excelente" cliente, baixinho, gordinho, muito rico e avarento que só comprava livros com dimensões 12x18cm (por serem os mais baratos) e em tons de azul. Essa era a distância entre as prateleiras das caríssimas (dizia ele, escolha de sua mulher) estantes da biblioteca e os tons condizentes com o papel de parede.
- Como eu gostava de ler alguns destes.
Suspirava o cliente, enquanto nitidamente se contorcia de dor, por não poder comprar alguns livros de cores diferentes.
- O que fazer? Quando não se pode, não se pode!
Eu bem tentei convencê-lo que os de tons verdes e vermelhos iam bem com os de azul e o preço era exactamente o mesmo, mas de nada serviu. O cliente Justificava:
- Não tenho manias, mas infelizmente a cor é uma exigência da minha esposa.

Jaime Bulhosa

A Morte do Ouvidor


A 28 de Fevereiro de 1764 é preso em Santiago, Cabo Verde, o coronel António de Barros Bezerra de Oliveira, e com ele nove cúmplices, acusados de terem assassinado o ouvidor João Vieira de Andrade. Transportados para Lisboa, são julgados e condenados à morte, e enforcados no Rossio. As cabeças são cortadas e enviadas para Santiago, para serem espetadas em paus e exibidas em público. A Morte do Ouvidor é um romance histórico que se centra neste acontecimento e que o relata em todos os pormenores, dando um quadro muito vivo da vida na colónia de Cabo Verde no tempo do Marquês de Pombal. Germano Almeida é o mais importante escritor cabo-verdiano vivo.

edição: Caminho
título: A Morte do Ouvidor
autor: Germano Almeida
formato: 13,5x21cm
n.º pág.: 382
isbn: 9789722121149
pvp: 17.06 €

sexta-feira, julho 9

Capricho juvenil

…Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.

Assis, Machado, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Relógio D’Água 2008


Um cliente de cartão-jovem e borbulhas na cara, estende ao livreiro um papel enfeitado com um título de livro escrito a tinta cor-de-rosa.

- Por favor, eu queria este livro que a minha namorada me pediu para comprar?

- Com certeza, só um momento.

Passado, não mais que uns segundos.

- Aqui tem.

- Faça um embrulho de oferta e diga-me, por favor, quanto devo?

- 30 euros.

- Tem a certeza?

- Absoluta.

O cliente engole em seco, perde o equilíbrio e com uma voz trémula, desabafa:

- Glup! O amor é cego...

- Não diga isso.

- Não o digo por não ter olhos. Não estava à espera que o amor custasse os olhos da cara. A brincar... a brincar e, em quinze dias, já lá vão 100…


Jaime Bulhosa

Vender a alma


Gosto daquela ideia hindu segundo a qual podemos confiar a nossa salvação a qualquer pessoa, de preferência a um «santo», e permitir-lhe que reze em nosso lugar, que faça tudo o que for preciso para nos salvar. É o que se chama vender a alma a Deus…

E.M.Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Letra Livre (1973)

quinta-feira, julho 8

Fábricas de livros

«Nada se pode escrever sobre nada.» Esta parece ser uma verdade absoluta, inexorável e impossível de rebater. Por ano, editam-se (estimativa) em todo o mundo um milhão de novos títulos e cerca de três milhões de inéditos ficam por publicar. Tendo em conta o que se edita por ano e que um leitor razoável apenas lerá, em toda a sua vida, 0,1% desse número, é-me cada vez mais difícil acreditar na veracidade da primeira afirmação.

Livreiro anónimo em reflexões sobre a indústria do livro.

A profissão mais perigosa do mundo


- Eu tenho a profissão mais perigosa do mundo.

- Qual é?

- Sou escritor.

- Ah!?...

- Não está a perceber, eu escrevo sempre na cama.

- E isso é perigoso?

- Pelo menos é lá que morre a maior parte das pessoas.

Mark Twain

Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo


Roménia no fim da guerra. A população alemã vive com medo. «Eram 3 da madrugada do dia 15 de Janeiro de 1945 quando a patrulha me foi buscar. O frio apertava, estavam -15º C.» O jovem narrador começa assim o seu relato. Tem cinco anos diante de si, dos quais ainda nada sabe. Cinco anos, ao fim dos quais regressa um homem diferente. Herta Müller relata experiências que marcam os sobreviventes para toda a vida. Foi a partir de muitas conversas com Oskar Pastior, e outros sobreviventes do campo de trabalho, que a escritora reuniu o material que está na base deste grande romance. «Os livros de Herta Müller desencadeiam uma torrente poética que arrebata a mente do leitor», escreveu Andrea Köhler no jornal Neue Zürcher Zeitung, «a sua linguagem é talhada numa outra cepa, diferente da plantinha mimada que caracteriza largos sectores da literatura alemã contemporânea.» Através da história profundamente individual de um homem jovem, consegue narrar-nos, com a força de imagens inesquecíveis, um capítulo ainda quase desconhecido da História europeia.


Edição: Dom Quixote
Título: Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo
Autor: Herta Müller
Tradução: Aires Graça
Formato: 15,5x23,5cm
n.º pág.: 290
isbn:9789722040877
pvp: 18.00€

quarta-feira, julho 7

Lógica


Nos livros a lógica da decisão de escolha pelas maiores proporções oferecidas parece ser, a partir de determinada idade e pelo menos durante adolescência, inversa. Assim que eu “dou a escolher” ao meu filho um de dois livros para ler, imediatamente me pergunta: «qual deles é o menor?»

Livreiro anónimo «em casa de ferreiro espeto de pau»

O livro da Selva

Ainda estava quente, acabadinho de sair da gráfica, comecei a lê-lo ao meu filho mais novo, a noite passada, o mais recente livro da colecção de clássicos da tinta-da-china. Simplesmente irresístivel, não é?

(muito brevemente nas livrarias)

(clique na imagem)

Imbeciclopédia IX


Acredito que existem pelo menos duas coisas que são infinitas, o universo e a estupidez humana, e em relação à primeira tenho algumas dúvidas.

Albert Einstein


É obrigatório ler, mesmo as letras mais pequenas.

Numa noite de fim-de-semana, numa grande loja de desporto, em Nova Iorque, Alfred Z preparava-se para roubar, dentro de uma mochila, cinco pares de ténis, para além de outro par que calçou, trocando-o pelo seu velho par de sapatos. Quando os seguranças da loja ouviram o alarme das antenas anti-roubo tocar, imediatamente, reparam num homem que se ponha em fuga por entre a multidão da movimentada avenida. A correr em zizague, voando com toda a velocidade que os seus novos ténis lhe permitiam, numa tentativa de escapar aos seus persistentes perseguidores, fugiu pelas ruas menos iluminadas. Pensou que tinha feito um excelente trabalho. Quando se julgava a salvo, escondido na escuridão de um beco, muito admirado ficou por ter sido apanhado. Alfred Z não tinha lido, a etiqueta de instruções, onde estava escrito que os ténis LA Tech, calçado nos seus pés, emitiam uma luz vermelha cada vez que ele pisava o chão. Enquanto o pobre Alfred se estafava a correr, ziguezagueando, pelas ruas de Nova Iorque, aos seguranças bastava seguir as luzes vermelhas.

- Why?

Pergunta Alfred Z.

- Read the fucking manual, asshole!

Beatriz e Virgílio

Henry, um escritor reconhecido, decide escrever um livro, meio ficção e meio ensaio, como forma de abordar todos os aspectos de um mesmo tema. Completamente desencorajado pelos seus editores, desiste do projecto e vai viver para outra cidade. Aí, contudo, continua a receber cartas de leitores e, um dia, um taxidermista escreve-lhe a pedir ajuda. Henry apercebe-se então de que estão ambos a tentar escrever sobre o mesmo tema. Um livro polémico e provocador, que confirma o autor de A Vida de Pi, o Man Booker Prize de 2002, como um dos mais surpreendentes escritores canadianos da actualidade.


edição: Editorial Presença
título: Beatriz e Virgílio
autor: Yann Martel
tradução: Fátima Andrade
formato: 15x23cm
isbn: 9789722343855
pvp: 13.50€

terça-feira, julho 6

Para quem tem filhos em idade de infantário ou da primária, uma pequena nota literária

Do apanhar piolhos:

- Afonso, anda fazer o tratamento dos piolhos.

- Não, Não!

- Tem que ser.

- Não! Os piolhos são meus e eu sou contra a caça aos animais!

E serão muitos os caçadores de animais que quanto mais apanharem menos terão; e assim igualmente mais terão quanto menos apanharem.

Da Vinci, Leonardo, Bestiário, Fábulas e Outros Escritos, BI.026 (2007)

Nunca é tarde


- Boa tarde, pode ajudar-me?

- Por favor, diga.

- Estou à procura de livros infantis ou juvenis. Têm que ter uma escrita simples, sem palavras estrangeiras ou muito eruditas, mas com histórias que não sejam demasiado básicas.

- Com certeza, que idade é que tem a criança?

A cliente ergue a sobrancelha e sorrindo, com uma expressão de quem já sabe a reacção que vai provocar:

- Tem 83 anos.

Nota: A cliente teve amabilidade de esclarecer que procurava livros para oferecer à sua avó, de 83 anos. Senhora que com apenas a 3.ª classe de escolaridade, e não tendo tido oportunidade de ler, nem de praticar, na maior parte do tempo da sua vida, tinha recentemente adquirido o gosto pela leitura.

Matilde Rosa Araújo 1921-2010

Folha tocada
Pelo Outono
Folha tombada
Meiga cansada
Cheia de sono

Matilde Rosa Araújo

segunda-feira, julho 5

Antes de ir de férias

Os seres que outrora foram humanos


Uma moeda e um cigarro
Outubro 2008

Passo por eles todos dias, sei que estão ali mas não os vejo. É como se fizessem parte da paisagem arquitectónica, como se fossem estátuas que já não vemos, por tantas vezes as termos olhado. Interrogo-me sobre o seu passado e imagino as suas histórias. Não são residentes, porque isso implica ter uma residência. No entanto, vivem aqui. São os sem-abrigo das Avenidas Novas.
Há uns meses atrás, num sábado de manhã, quando o movimento nesta zona da cidade diminui substancialmente em relação aos dias da semana, um sem-abrigo, cuja face me é familiar, entra na livraria. Estava com um aspecto mais limpo do que o habitual, barba feita e roupa lavada, não teria mais de cinquenta anos. Não diria que era um sem-abrigo se não o soubesse; talvez por isso se tenha aventurado a entrar sem receio. Pede-me uma moeda e um cigarro, que eu prontamente lhe cedo. Ao voltar as costas para se ir embora, inclina a cabeça, coloca a mão na orelha, como quem a abre para ouvir melhor, faz um sinal afirmativo com a mão e diz:
- A música que se ouve na loja é “In a Sentimental Mood”, de Duke Ellington.
Espantado, respondo que sim, não é toda a gente que reconhece o piano de Duke Ellington. Não parou mais, a conversa seguiu por Milles Davis, John Coltrane, Elvin Jones, Bill Evans, Chet Baker, Shirley Horn e tantos outros. Depois passou inevitavelmente para os livros: Victor Hugo, Albert Camus, Balzac, Flaubert. Decididamente, preferia os francófonos, eu quase sem dizer nada, estupefacto com tanto conhecimento, sem qualquer exagero, era das pessoas mais cultas com quem, ultimamente, tinha tido o prazer de conversar. No final, agradeceu a moeda e o cigarro e saiu.
Há uns dias, voltei a cruzar-me com ele, disse-lhe olá, ele não me reconheceu, pediu-me uma moeda e um cigarro, agradeceu e partiu.

Uma leitora compulsiva (aromas)
Fevereiro 2009

Passam os dois pela porta, ela recua, rodopia e entra. Não consegue, mais uma vez, resistir ao seu sentido mais apurado, o olfacto. Aquele aroma a papel e a tinta misturado com cola, com laivos de resina, madeira e um ligeiro perfume a café que vem do fundo da livraria. Fragrâncias que se materializam no cérebro e se transformam num impulso irresistível. Depois, linda, de cabeça apontada, num caminhar típico de um exemplar fêmea, ainda muito jovem, de raça indistinta. Literalmente, fareja as novidades. Não lhe interessa qualquer livro, têm de ser daqueles mais cuidados, feitos com papel da melhor qualidade, talvez um munken. São de certeza os que exalam as melhores essências. Quando os encontra, pára, encosta o nariz ao livro e emite um som profundo, característico do ar a entrar com força nos pulmões. Lá de fora, ouve-se uma voz firme, autoritária, mas ao mesmo tempo meiga. «Morena! Anda cá, deixa os livros. Já sabes que me trazem más recordações.» A mesma voz, mas agora dirigindo-se para nós, diz «Desculpem! É mais forte do que ela, é uma leitora compulsiva, como eu fui em tempos.»

Nota: Morena é uma cachorra rafeira que aparenta ser a única companheira de o sem-abrigo referido no texto anterior. Sempre que passa, entra e fareja os livros.

Julho 2010

Na rua da livraria há pessoas que vivem como se fossem pó, indesejado, soprado de um lado para o outro na esperança de que caia longe, se desvaneça, desapareça definitivamente, para um lugar onde, invisível aos olhos, a nossa consciência possa ser aliviada. Gorki chamava-lhes: «os seres que outrora foram humanos»; outros chamam-lhes vagabundos, ou o politicamente correcto «sem-abrigo». No sábado passado entrou na livraria um deles, que costuma ter como morada de Verão o terceiro degrau das escadas da entrada do prédio, cinquenta metros à direita da fachada da igreja. Desde a primeira vez que o vi, faz agora quase dois anos, a degradação física, e digo só física, porque a psíquica não se vê, foi impressionante, tanto que tive dificuldade em reconhecê-lo. Como sempre, entra só para pedir.

- Vês esta criatura repugnante, suja, de odor intenso, calvo, sem dentes, ranhoso, combalido, mal tratado?... Pois, o melhor que tem é a figura.

Mudo, atordoado com o inesperado murro seco no estômago infligido pela minha própria consciência, após tão desconcertante, verdadeira e cruel descrição, não fui capaz, tal como das outras vezes, de fazer mais do que apenas dar-lhe o que me pediu.


Jaime Bulhosa

O Papagaio de Flaubert

O inglês Geoffrey Braithwaite atravessa o Canal da Mancha e dirigese a Rouen, a terra natal de Gustave Flaubert. A intenção é a de ver o papagaio embalsamado que serviu de modelo a Flaubert durante a escrita de um dos seus livros. Mas o que é apenas uma viagem transforma-se, lentamente, numa lição maravilhosa e genial sobre o autor de Madame Bovary — o seu talento indiscutível mas também os seus defeitos, manias, tiques insuportáveis, vaidades e medos —, sobre literatura, sobre o amor (entre ele mesmo e a sua mulher Helen, que morreu recentemente; entre Flaubert e Louise Colet), sobre o que falha e o que não tem sentido na vida, sobre os segredos que a rodeiam e lhe dão sentido. Tudo para concluir que a vida verdadeira é a vida que vem nos livros. Porque é a única que se pode interrogar.


edição: Quetzal
título: O Papagaio de Flaubert
autor: Julian Barnes
tradução: Ana Maria Amador
formato: 15x23cm
n.º pág.:238
isbn:9789725648926
pvp: 15.50€

sexta-feira, julho 2

A memória é selectiva e cruel

Em conversa, num intervalo entre clientes, com um colega:

- Eh pá! Faz hoje um ano e meio que não fumo.

- Eh pá! Parabéns.

- Ainda me lembro do meu primeiro cigarro, fumado em segredo, na inocência da meninice e do primeiro namoro.

- E do segundo, lembras-te?

- Do segundo, não!... No entanto... devia ser igualzinho ao primeiro!?...

Jaime Bulhosa

Sobre o aumento do IVA

A livraria Pó dos livros decidiu não reflectir o aumento do IVA no preço final de venda ao público em todos os livros do seu stock com data de entrada até 1 de Julho, assumindo encargos decorrentes da subida do IVA de 5 para 6%.

Um início célebre

Hoje, a sua mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: «sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.» Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem.

Albert Camus, O Estrangeiro (1942)

Homossexuais no Estado Novo


Esta é uma primeira tentativa de abordagem do que foi a realidade dos homossexuais em Portugal durante praticamente todo o século XX, ou seja, desde que a jovem Primeira República, enquadrada pela psiquiatria, coloca sob a alçada da lei os crimes contra a natureza até que estes o deixam de ser, em 1982. O que era ser homossexual em Portugal? O que é viver uma condição estigmatizada e estigmatizante, em que não há identidade, tão-só uma afectividade e uma sexualidade, quase sempre clandestinas?

edição: Sextante Editora

título: Homossexuais no Estado Novo

autor: São José almeida

formato: 15x23cm

n.º pág.: 231

isbn:97898976212

pvp: 16.50€