sexta-feira, dezembro 20

Feliz Natal artesanal


Postais Lebres + papoilas, pintados à mão
(agora na Pó dos livros)

Este fim de semana é de compras e a livraria Pó dos livros está aberta


Fotografia de Jorge F. Marques, da série A place where I can hide
(agora na Pó dos livros)

No natal vale tudo



Rapaz: Mãe, mãe, compras-me este livro?
Mulher: Vai lá perguntar ao teu pai  se o compra.
Rapaz: Pai!, pai!... a mãe diz se tu não me comprares este livro, não vais poder dormir na cama dela esta noite!

quinta-feira, dezembro 19

Natal Surrealista

Este Natal seja original, ofereça(-se) um Curso de Surrealismo Português, aqui, na Pó dos livros.

Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir.





«A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas.»

António Maria Lisboa

Curso em 4 sessões, 4.ªs feiras de janeiro de 2014, às 21h, na Livraria Pó dos Livros.
Iscrições: 35€  podoslivros@gmail.com tel: 21 795 93 39

Com Rosa Azevedo: nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos portugueses, franceses e menor em Literaturas do Mundo, em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e dos novos autores portugueses. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte. Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora e divulgadora da área dos livros.

Alexandre O'Neill (19/12/1924 - 21/08/1986)




AUTO-RETRATO


O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada..)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sofre de ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…

Alexandre O'Neill 

terça-feira, dezembro 17

Pai uma história de Natal para adormecer, vá lá, vá lá!

Novos tempos


Cliente: Por acaso não tem um exemplar de Mário de Carvalho, «Quando o Diabo Reza»? Não o encontro nas prateleiras.
Livreiro: Infelizmente não temos de momento, mas podemos encomendá-lo e estará cá dentro de 24 horas. Também o podemos enviar por correio.
Cliente: Já não confio nos CTT. Não pode antes digitalizá-lo e enviá-lo por e-mail?

sábado, dezembro 14

Gigantes e anões


Para quem gosta de livros, viver no meio deles é um privilégio, seja como escritor, editor, livreiro, leitor, etc. Não me queixo da minha sorte, faço exactamente o que gosto. Todavia, já desfrutei mais com o que faço, ou melhor, já gostei mais do negócio dos livros. Num passado recente a relação que existia entre os vários agentes do livro era mais equilibrada, o mercado era mais distribuído, homogéneo, não importava tanto ser grande ou pequeno, mais forte ou mais fraco. Eu acreditava que no mercado ninguém se considerava acima da lei, e que ninguém fora dele podia impor leis que o mercado fosse forçado a reconhecer, pois seja qual for a constituição de um mercado, se houver uma só empresa que não esteja submetida à lei, todas as outras estarão necessariamente à mercê dessa empresa.
O nosso mercado do livro não é hoje muito diferente ao de outros países, o que aconteceu lá fora, aconteceu cá dentro mas para pior, isto é, transformou-se praticamente num oligopólio, tanto a nível do retalho como a nível editorial, onde a maior parte das médias e familiares editoras passaram a ser meras chancelas editoriais. Existem actualmente em Portugal duas grandes empresas editoriais, a Porto Editora e a Leya. No retalho a realidade não é muito diferente, existem os hipermercados – de onde se destaca a Sonae –, a enorme cadeia de livrarias Bertrand – pertencente ao grupo da Porto Editora – e um gigante chamado FNAC. Tudo o resto são duas ou três médias empresas, outras tantas pequenas e um punhado de micro empresas que vivem sob as regras e o jugo das grandes. E o resultado é este: quando um gigante e um anão caminham na mesma estrada, em cada passada que dão o gigante ganha nova vantagem.

É necessário entender que quem marca o preço dos livros são os editores que muitas vezes os aumentam artificialmente para alimentar campanhas de descontos que as grandes cadeias exigem aos editores. Estes não têm outra hipótese se não ceder porque, precisamente, ficaram sem os livreiros independentes para venderem os seus livros mais baratos, ou seja, ficaram dependentes de três clientes. Por outro lado, os livreiros independentes que ainda existem não têm poder de negociação para pedir aos editoras as mesmas margens que dão aos grandes grupos. Para terem uma ideia a margem de um pequeno livreiro é de 30% em média, enquanto a margem de uma Bertrand, Fnac ou Hiper ronda entre os 50 e 60% e por vezes mais. Agora digam-me se isto é justo e equatitativo? Mais, os grandes grupos nem sequer respeitam a lei do preço fixo que foi feita para evitar este desequilíbrio. E agora pergunta o leitor e com pertinência: se os editores tem tanta margem para dar, por que razão são os livros tão caros? Eu respondo: para além das pequenas tiragens (que faz aumentar o preço por exemplar) e de um pequeno país com fracos índices de leitura, o consumidor não resiste a um grande cartaz a dizer: "descontos espectaculares!" E no fim quem paga é o consumidor, isto é, o leitor ingénuo e crente que lhes estão a dar alguma coisa de graça.

Editam-se actualmente, no mundo, milhões de títulos por ano, e em Portugal milhares, tantos que eu teria que construir uma nova livraria a cada ano, só para conseguir arrumar todos livros saídos apenas em Portugal. Dou-vos uma imagem mais clara: imaginem todos os títulos editados no mundo, deitados uns a seguir aos outros sobre a linha do equador, eles são tantos que dariam para dar centenas de voltas ao planeta. É por isso, que fico sempre assombrado de cada vez que entra um cliente à procura de um livro, na imensidade de livros que existem, e fica muito escandalizado, irritado, quando não o encontra, imediatamente, o que pretende. Porém, é exactamente essa uma das funções de um livreiro, tentar adivinhar os livros que os seus clientes procuram, nem sempre é fácil, no entanto, acho que o fazemos razoavelmente bem, tendo em conta a dimensão em que nos movemos.
Posto isto, será que o aumento exponencial de livros e o tipo de títulos que hoje se editam é benéfico para a diversidade cultural, ideias novas, qualidade e liberdade de escolha do público leitor? Para vos responder a esta questão deixo-vos com uma passagem do livro «Negócios dos Livros», de André Sciffrin, Letra Livre:

As mudanças no meio editorial […] mostram a aplicação da teoria do mercado à disseminação da cultura. Os proprietários das editoras têm vindo a «racionalizar as suas actividades», seguindo o padrão das políticas pró-empresariais de Ronald Reagan e de Margaret Thatcher. O mercado, segundo se defende, é como que uma democracia ideal. Não cabe à elites a imposição dos seus valores sobre os leitores, dizem as editoras, o público é que deve escolher aquilo que deseja – e se o que deseja é cada vez  mais massificado e de alcance limitado, então que assim seja. O aumento dos lucros é a prova de que o mercado está a funcionar como devia.
Tradicionalmente, as ideias estavam isentas das habituais expectativas de lucro. Admitia-se, com frequência, que os livros que apresentassem novas abordagens e teorias diferentes fariam naturalmente perder dinheiro, logo à partida. A expressão «mercado livre de ideias» não se refere ao valor de mercado de cada ideia. Pelo contrário, significa que ideias de toda a espécie deveriam ter uma oportunidade de sair a público, de serem explicitadas e argumentadas até ao fim, e não de forma truncada.
Durante boa parte do século XX, o mercado de edição e venda de livros foi, no seu todo, visto como uma operação no limiar da rentabilidade. Os lucros viriam assim que os livros chegassem a um público mais amplo através da venda de «paperbacks» e dos clubes do livro. E se isto é exacto para a não-ficção, tanto mais para a literatura. Era esperado que um romance de estreia perdesse dinheiro (e de muitos autores já se disse terem escrito muitos romances de estreia). Todavia, sempre houve editoras que consideravam que a edição de novos romancistas devia constituir uma parte importante do conjunto da sua produção.
Novas ideias e novos autores demoram a ser aceites. Podem passar vários anos até que um escritor encontre um número de leitores que seja significativo a ponto de justificar os custos da publicação do seu livro. Mesmo a longo prazo, o mercado não pode ser considerado um juiz adequado para o valor de uma ideia, como provam, de forma óbvia, as centenas ou até milhares de livros que nunca fizeram dinheiro. Assim, toda esta nova abordagem – a decisão de publicar apenas os livros que podem trazer lucro imediato – elimina automaticamente dos catálogos um vasto número de obras de relevo.


Jaime Bulhosa

sexta-feira, dezembro 13

Alguma coisa está mal?


Os leitores queixam-se de que os livros estão caros e de que as livrarias não têm o que procuram. Os livreiros queixam-se de que não vendem porque há novidades a mais e por isso não podem ter tudo e de que a concorrência é desleal. Os editores queixam-se do mesmo e de que não vendem o suficiente, porque colocar os livros nas montras e sustentar campanhas de descontos absurdos, das grandes livrarias, custa muito caro e por isso têm os armazéns cheios de livros. Os autores queixam-se de que as suas obras não estão expostas nas livrarias e de que o marketing feito pelas editoras não é suficiente na promoção dos seus livros. Os críticos literários queixam-se de que os livros são todos iguais e de má qualidade. Os livreiros queixam-se de que os editores não têm critério nem perspectiva de futuro. Os editores queixam-se de que os livreiros são incompetentes. Os autores queixam-se de ser mal pagos pelo seu trabalho. Os tradutores queixam-se de não ter trabalho. Os revisores queixam-se do acordo ortográfico. Os ilustradores queixam-se de que as capas são só Photoshop. As gráficas queixam-se de que não lhes pagam. Enfim, toda a gente se queixa neste mercado. Pergunto: se todos se queixam, não será porque alguma coisa está mal?

Jaime Bulhosa

quinta-feira, dezembro 12

Macacos


Cliente: Você sabe aquilo que dizem os matemáticos e cientistas de que se dermos a cem macacos uma máquina de escrever, mais cedo ou mais tarde, eles escreverão uma grande obra? 
Livreiro: Sim... 
Cliente: Bem, tem algum desses livros escritos por macacos? 
Livreiro: Claro! Desses livros é o que mais se edita hoje em dia!

quarta-feira, dezembro 11

O fim das livrarias independentes é mau para quem?


Há quem diga que sempre que uma livraria fecha é como queimar, livro após livro, lentamente numa pequena fogueira. Seguindo a metáfora, estes últimos anos têm sido de autênticos incêndios. Desde o ano de 2007 fecharam em Portugal quase cem livrarias e algumas delas históricas. É um facto incontornável, se nada se fizer, que as livrarias independentes têm os dias contados, sobreviverão umas poucas especializadas e em locais privilegiados. E porquê? Não me venham com a história de que todas eram mal geridas ou que não se adaptaram aos novos tempos, às novas formas de marketing, etc, etc. É uma realidade que os novos suportes digitais do livro e a venda por internet têm afastado muitos clientes das livrarias. Mas, no entanto, para dizer a verdade, a razão principal para que as livrarias fechem em catadupa passa sobretudo por um mercado que se tornou selvagem, sem regras ou regido pela lei do mais forte, a caminho de um monopólio. A concorrência entre os vários agentes do livro é completamente desleal, injusta e contraproducente para a liberdade de escolha, para a diversidade cultural e para o futuro do próprio mercado. Um país sem livrarias heterogéneas, diferentes na oferta, diferentes no serviço, diferentes no gosto, é um país mais pobre, menos plural e menos democrático. O mercado do livro é como uma cadeia alimentar, quando desaparecer a presa mais fraca, mais tarde ou mais cedo desaparecerão os predadores de topo.    

Jaime Bulhosa

A tua família é a melhor do mundo?

(clique na imagem para ampliar)

No próximo Sábado, 14 de Dezembro, às 16h00, teremos na Pó dos livros o lançamento do livro infantil A minha Família é a melhor do mundo. E a tua?, de Joana Miranda e Sofia Neves, com ilustrações de Luís Romano, edição Fonte da Palavra. Miguel Vale de Almeida fará a apresentação.

terça-feira, dezembro 10

Domingo, na Pó dos livros


(clique sobre a imagem para ampliar)

Por razões alheias à Pó dos Livros este lançamento fica anulado e. Aguardar nova data a marcar. 

No próximo Domingo, 15 de Dezembro, às 16h00, na Pó dos livros, realizar-se-á o lançamento do livro de poesia Os Selos da Rosa, de Ana Pinto, edição Castália. A apresentação estará a cargo de Maria Teresa Dias Furtado. Poemas ditos por João Completo.

quinta-feira, dezembro 5

Providência Cautelar contra Livrarias Bertrand e Lojas FNAC


Na sequência da queixa enviada ao IGAC (Inspecção-Geral das Actividades Culturais), no passado dia 20 de Novembro, efectuada pelos livreiros independentes, sobre as campanhas de Natal praticadas pela cadeias de livrarias Bertrand e lojas FNAC, denunciando a violação da lei do preço fixo, As Livrarias Independentes confirmam a entrada no Tribunal Cível de Lisboa de uma Providência Cautelar com intuito de parar as referidas e ilegais campanhas de Natal.

terça-feira, dezembro 3

Pop-up


Cliente: Por favor, têm algum livro de Educação Sexual em 3D?

sexta-feira, novembro 29

A Inspecção-Geral das Actividades Culturais dá razão aos livreiros independentes

Na sequência da queixa enviada ao IGAC (Inspecção-Geral das Actividades Culturais), no passado dia 20 de Novembro, efectuada pelos livreiros independentes sobre as campanhas de Natal praticadas pela cadeias de livrarias Bertrand e lojas FNAC, denunciando a violação da lei do preço fixo, segue a resposta positiva do IGAC às pretensões dos livreiros independentes:


Exmos. Senhores

Encarrega-me o Sr. Inspetor-geral das Atividades Culturais de dar a conhecer a V. Exas. que na sequência da denúncia formulada foi efetuado o apuramentos dos factos denunciados, tendo-se concluído pela respetiva pertinência. Nesse sentido, foi levantado procedimento em conformidade, encontrando-se o processo a correr os seus termos. 

Agradecendo toda a colaboração, sublinha-se, por último, que a denúncia de situações que contenham indícios da prática de violação à Lei do Preço Fixo é muito importante e constitui um instrumento útil às ações de fiscalização empreendidas neste domínio.


Atenciosamente

Isabel Mileu
Chefe de Equipa da Equipa Multidisciplinar
de Direito de Autor e Recintos de Espetáculos (EMDARE)
isabel.mileu@igac.pt

INSPEÇÃO-GERAL DAS ATIVIDADES CULTURAIS
Palácio Foz, Praça dos Restauradores - Apartado 2616, 1116 - 802 Lisboa
Tel: 351 21 321 25 00 Fax: 351 21 321 25 66 E-mail: igacgeral@igac.pt www.igac.pt 

segunda-feira, novembro 25

Afinal como tirar o pó dos livros?

(clique sobre a imagem para ampliar)

"Afinal, como tirar o pó dos livros?
Acordamos com quem lemos?
Dostoievski, Stefan Zweig, os leitores e o dia a dia"

O mote está lançado: Na próxima Quita-feira, às 18h00, na Pó dos livros, por ocasião da edição do caderno Fantasma Útil, de Fernanda Cunha, Pedro Castro Henriques e João Eduardo Ferreira, edição Apenas, os autores estarão à conversa com os escritores Mário de Carvalho e Rui Cardoso Martins. 
Firmino Bernardo lerá excertos do livro.

sexta-feira, novembro 22

É proibido, mas pode-se fazer!

Este Comunicado do Grupo Bertrand sobre as campanhas de Natal e a violação da lei do preço fixo do livro, faz lembrar este scketche do Gato Fedorento:
  

Amanhã, Sábado, na Pó dos livros

(clique sobre a imagem para ampliar)

No próximo Sábado, 23 de Novembro, às 16h00, realiza-se na Pó dos livros a apresentação do livro Pretérito Perfeito, de Raquel Serejo Martins, edição Estampa. A apresentar o livro estará a escritora Patrícia Reis.

Campanhas


Depois desta notícia: Livreiros independentes apresentam queixa contra redes FNAC e Bertrand. Fiquei a pensar… se o objectivo, imbuído de espírito natalício, destas grandes cadeias é disponibilizar livros a preço acessível, para toda a gente, porque é que não fizeram, neste início de ano lectivo, uma campanha com 25% de desconto sobre todos os livros escolares? Esta até eu apoiava!»

Livreiro anónimo

quarta-feira, novembro 20

Livrarias independentes denunciam violação em grande escala da Lei do Preço Fixo


Estão a decorrer na Fnac e nas livrarias Bertrand, os dois maiores canais de venda de livros em Portugal, duas campanhas de Natal que violam a Lei do Preço Fixo do livro. Estas campanhas decorrem em plena época natalícia e abrangem as novidades editoriais. Trata-se de um ataque sem precedentes, denunciam os livreiros independentes à Inspecção-Geral das Actividades Culturais (entidade responsável pela fiscalização do cumprimento da Lei do Preço Fixo).

Segue o texto de denúncia enviado ao IGAC:

Assunto: Denúncia sobre Violação da Lei do Preço Fixo

Para: Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC)

De:
Livraria 100ª Página - (Braga)
Livraria A das Artes - (Sines)
Livraria Apolo 70 - (Lisboa)
Livraria Arquivo - (Leiria)
Livraria Boa Leitura - (Leiria)
Livraria Contra Capa - (Castro-Verde)
Livraria Culsete - (Setúbal)
Livraria e Papelaria Espaço - (Algés)
Livraria Esperança - (Funchal)
Livraria Ferin (Lisboa)
Livraria Fonte de Letras - (Évora)
Livraria Fundamentos - (Braga)
Livraria Galileu - (Cascais)
Livraria Lello - (Porto)
Livraria Ler Devagar - (Lisboa)
Livraria Letra Livre - (Lisboa)
Livraria Letraria - (Miraflores)
Livraria Livro do Dia – (Torres-Vedras)
Livraria A Nazareth - (Évora)
Livraria Palavra de Viajante - (Lisboa)
Livraria Pinto dos Santos  - (Guimarães)
Livraria Poetria (Porto)
Livraria Pó dos Livros - (Lisboa)
Livraria Solmar (São Miguel Açores)
Livraria Traga-Mundos- (Vila-Real)
Livraria Unicepe -(Porto)


Preâmbulo:

O livro tem sido o instrumento privilegiado de natureza cultural e educativa propiciador da formação das pessoas. Esta função eminente permitiu sempre que ao livro não se aplicassem, de um modo redutor e simplista, as regras normais vigentes e adequadas ao comum produto económico. A nossa civilização tem considerado como prioridade cultural a possibilidade de o livro ser objecto de fruição pelos indivíduos, de um modo geral, o que, entre outras coisas, implica a necessidade de colocar o referido bem à livre e fácil disposição do público, em qualquer parte do território nacional. A manutenção deste objectivo determina a existência de uma rede, densa e diversificada, de livrarias, considerados os espaços aptos para satisfazer as reias necessidades culturais da população portuguesa neste domínio. Nos últimos anos, em consequência de vicissitudes várias da economia da organização do mercado do livro, muitas livrarias encerraram a sua actividade, num movimento que se tem verificado também nalguns países europeus. Esta situação, negativa e preocupante, impõe a criação de medidas disciplinadoras e de incentivo, de modo a corrigir-se as detectadas disfuncionalidades do mercado do livro e a garantir aos seus agentes condições de actuação mais equitativas e proveitosas para o interesse geral.
Neste sentido, na esteira da melhor experiência europeia, designadamente de países como a Espanha, a França, a Alemanha, a Áustria, a Irlanda e a Dinamarca, e acolhendo a recomendação adoptada pelo Parlamento Europeu, em Janeiro de 1994, constante do programa comunitário Gutemberg, Portugal, mediante o presente diploma, instaura o sistema do preço fixo do livro. Trata-se de uma das medidas fundamentais de correcção das anomalias verificadas no mercado do livro, susceptível de, a prazo, criar condições para a revitalização do sector, um dos aspectos marcantes da prossecução de uma política cultural visando o desenvolvimento nos domínios do livro e da leitura.

Assim e de acordo com as campanhas em realização pelas redes de Livrarias Bertrand e lojas FNAC, exercidas nos seguintes moldes:


Livrarias Bertrand
De 14 de Novembro a 31 de Dezembro, as Livrarias Bertrand realizam uma forte campanha de Natal, com o objectivo assumido de colocar o livro como primeira referência nas compras deste fim de ano. Assim, vão oferecer 25% de desconto em 10000 livros em cartão Leitor Bertrand em todas as compras, incluindo novidades.

FNAC
A Campanha de Natal Fnac 2013, a decorrer de 14 Novembro a 24 Dezembro, com uma mecânica de  multicompra (multifornecedor) de Leve 4 livros e Pague 3, incluindo as novidades.
Esta promoção abrangerá, nas  lojas, todos os livros de literatura adulto e todas as temáticas de infantil, em língua portuguesa. Na loja online, abrangerá todo o catálogo disponível de cada editor participante. Nas lojas, poderá ainda ser considerada a inclusão de títulos pontuais, fora das temáticas trabalhadas.

A exposição desta campanha de multicompra será feita nas entradas de loja e nas salas de literatura e kids que estarão devidamente decoradas para o efeito.
Esta acção terá um forte plano de divulgação nos meios de comunicação social e será contracapa da  Publicação de Natal.



Consideramos uma violação à Lei do Preço Fixo, nomeadamente, nos seus Artigos n.ºs 4, 11 e 14.

Desta forma gostaríamos de solicitar à vossa entidade a fiscalização imediata das campanhas referidas para o bem da diversidade cultural e da concorrência saudável entre os diversos agentes económicos do livro.


Sem outro assunto os nossos melhores cumprimentos,


Livrarias Independentes

Contactos:

Jaime Bulhosa
(Pó dos Livros)

José Pinho
(Ler Devagar)

segunda-feira, novembro 18

Sequela


O mundo das livrarias é tudo menos aborrecido. Por vezes, ser livreiro é a melhor profissão do mundo.

Cliente: Por favor, gostaria de ter a sequela de Anne Frank?
Livreiro: ?...
Cliente: Sabe?... gostei muito do seu primeiro livro.
Livreiro: Do Diário?
Cliente: Sim, do Diário.
Livreiro: Mas o Diário não é ficção.
Cliente: A sério? não me diga!
Livreiro Sim… Ela de facto morre. É por isso que o diário acaba. Ela foi levada para um campo de concentração.
Cliente: Oh… isso é terrível!
Livreiro: Sim, foi uma grande perda.
Cliente: Tenho mesmo pena, ela era tão boa escritora.

quarta-feira, novembro 13

Inteligência canina


Ouvi à frente da livraria um ganir de cachorro, dirigi-me lá fora para ver o que se passava. Vi um homem a chicotear um cão com trela sem motivo aparente. O animal estava aterrorizado de orelhas baixas, olhos tristes e cauda entre as pernas. Resolvi perguntar ao homem porque maltratava o bicho. A resposta foi desconcertante:

- O animal não tem inteligência e por isso não sofre e para além do mais, o que é que você tem a ver com isso?

Depois disto seguiu caminho puxando o cão violentamente. Não pude fazer nada. No entanto, socorro-me de uma história da literatura que serve bem de exemplo para o que quero dizer:

A história é famosa e prolonga-se ao longo dos séculos, contada tanto por Plutarco como por Plínio: um cão segue o dono com o faro, passados uns quilómetros, perde momentaneamente o rasto e chega a uma encruzilhada na estrada onde tem de escolher entre três caminhos. Correu ao longo do caminho da esquerda, a farejar, parou, e voltou ao ponto de partida. Seguiu pelo caminho do meio, durante um certo troço, sempre a farejar, até que voltou para trás de novo. Por fim, já sem farejar, meteu-se alegremente pelo caminho da direita.
Montaigne, comentando esta história, afirmou que ela mostrava com clareza o raciocínio silogístico canino: o meu dono foi por um destes caminhos. Não é do da esquerda; não é o do meio; por conseguinte, tem de ser o da direita. Não tenho necessidade de confirmar esta conclusão com o faro, pois ela decorre da mais estrita lógica.
A possibilidade de existir nos animais um raciocínio deste tipo, embora talvez menos articulado de forma menos clara, era perturbadora para muitas pessoas e pelos vistos continua a ser.

Jaime Bulhosa

segunda-feira, novembro 11

Os Labirintos da Água




Três magníficos trabalhos de Diniz Conefrey a partir de três textos de Herberto Helder:

AQUELE QUE DÁ A VIDA
adaptação a partir de Os Passos em Volta

(uma ilha em sketches)
Texto integral e adaptação a partir de Photomaton & Vox

Separador: Excerto do texto Sonhos incluído no livro Os Passos em Volta

A MÁQUINA DE EMARANHAR PAISAGENS
Adaptação a partir de Poesia Toda

Separador: Excerto do poema Última Ciência incluído no livro Ofício Cantante


"Um dia há a fome. Não essa habitual fome surda e continuada, a básica fome da ilha - estilo central com suas tréguas que empenham de novo o homem no acto de viver. Há a fome extrema.
Então as mulheres saem das casas e atravessam os caminhos em grupos mudos. Têm as caras das pessoas velhas embora algumas sejam ainda mulheres jovens. O seu passo é incerto, porque saem pouco. Estão desesperadas e dirigem-se às autoridades da ilha. Caminham num passo sem jeito, vestidas de negro, com aquele pensamento femininamente feroz do pão, a determinação de fêmeas ameaçadas nos fundamentos da vida. É uma fome imediata, um pouco sem dignidade. Não atinge a forma de ideia, uma expressão de silêncio sombrio. É uma fome-fêmea, e por isso será remediada.
Os homens estão deitados na praia, e ir às autoridades é a última coisa, a coisa desesperada, convincente, brutal e eficaz que pertence às mulheres. Esse alarde a que não falta malícia não é dos homens. O orgulho inútil é que é dos homens. Ficam na mesma posição, olhando para o mundo. E, nesse orgulho imóvel de que extraem não se sabe que confusa justificação, sentem toda a fome por todas as partes do corpo. É uma fome-macho, e por isso não seria remediada se a seu lado não se tivesse desenvolvido, com toda a ignóbil e engenhosa energia, a fome das mulheres. É a salvação.
As autoridades redigem um apelo às ilhas vizinhas, mais férteis, e depois chega um barco com farinha de milho e barricas de carne seca." 
(Herberto Helder)

título: Os Labirintos da água
autor: Diniz Conefrey / adaptação de três textos de Herberto Helder
edição: Quarto de Jade, 2013
capa: Diniz Conefrey
isbn: 9789899726727
pvp: 18.00€

quinta-feira, novembro 7

Amanhã na Pó dos livros


Amanhã, 8 de Novembro, às 18h30, realiza-se na Pó dos livros a  apresentação do livro “Entre Estruturas e Agentes: Padrões e Práticas de Consumo em Portugal Continental”, de Isabel Silva Cruz,  Edições Afrontamento. O livro será apresentado por António Firmino da Costa.

Pandemónio


A Sociedade actual está-se borrifando para a felicidade do indivíduo, ou seja, está-se nas tintas para cada um de nós. A Sociedade actual apenas se preocupa se somos ou não somos um bom consumidor ou um bom vendedor. Se comprarmos ou vendermos muito somos bem tratados, se não comprarmos ou não vendermos somos uns indigentes. Não sei como é noutras áreas, mas calculo que seja igual ao mercado dos livros. Vivemos num Pandemónio, isto é, um conluio de indivíduos para fazer mal ou armar desordens; o inferno; tumulto; balbúrdia e coisas semelhantes, pandemónio é uma palavra inventada pelo famoso poeta inglês  John Milton em seu grande poema «O Paraíso Perdido». Aliás, ele escrevia «Pandemomium», com maiúscula, e no seu poema tal lugar é o Palácio dos Diabos, ou a capital do Inferno.

Livreiro anónimo

sábado, outubro 26

O Livreiro (1936-2013)



Um enterro numa aldeia. Pergunto detalhes a um camponês que olhava de longe o cortejo. «Ainda era novo tinha pouco mais de sessenta anos. Encontraram-no morto no campo. Que se há-de fazer? É assim… É assim… É assim…»
Este refrão, que na altura me pareceu ridículo, atormentou-me depois. O homenzinho nem suspeitava que estava a dizer da morte tudo o que se pode dizer e tudo o que sabemos dela.
E.M. Cioran

Morreu um Poeta. Morreu um Livreiro, mas mais relevante, desapareceu um homem bom e com ele uma biblioteca inteira se perdeu. Manuel Medeiros, livreiro da livraria Culsete, em Setúbal, era para mim uma referência. Soube apenas ontem que “O Livreiro Velho” nos tinha deixado, o que não me permitiu fazer-lhe uma última homenagem. Não quero falar da morte, até porque a obra de um Homem, como Manuel Medeiros, não o deixa morrer.

Cruzei-me com ele algumas vezes, não era o que se pode dizer um amigo chegado, mas de todas as vezes que com ele falei nunca me deixou indiferente. Lembro-me da primeira vez que o vi, já tinha ouvido falar muito dele, mas nunca tinha tido o prazer de o encontrar. Até que, há seis anos atrás, o conheci, quando se realizou, na livraria Pó dos Livros, um encontro de livreiros independentes, vindos de todo o país, numa tentativa de se organizar uma associação de livreiros fora da APEL, que infelizmente não se concretizou. Não me esqueço, porque nessa animada reunião, quando já quase todos tinham dado a sua opinião, fez-se de repente um silêncio confrangedor. Inesperadamente, de um canto da livraria, ouve-se a voz de um livreiro velho, magro, de sorriso na boca, chapéu na cabeça e de longe a pessoa que, naquela sala, mais sabia do mercado livreiro. Já não me lembro exactamente o que ele disse, mas sei o que senti. Vou tentar explicar: Manuel de Medeiros era daquelas figuras cujo as palavras eram iguais à luz branca solar que ao passar por um prisma se reflecte em sete cores mágicas. Assim nos maravilhava com suas histórias, exemplos de vida, ditas sempre com uma linguagem simples, ao mesmo tempo lúcida, inteligível e culta. Desde essa altura passei a seguir o seu trabalho, a admirá-lo e a ter o prazer de conviver com ele de vez em quando. A última vez que o fui visitar à sua livraria, tivemos uma pequena conversa sobre o que é ser um livreiro. Disse-me com a sua sabedoria: «um escritor publica a escrita, um editor publica o livro e um livreiro publica a leitura».  Para Manuel Medeiros divulgar a leitura era tão importante como publicar ou escrever, porque ler é viajar aos mistérios mais profundos da natureza e do saber humano.

Jaime Bulhosa

quinta-feira, outubro 3

Serve perfeitamente


- Olá! Ouvi dizer que compra livros.
- Isso depende. Que livros, exactamente, tem para vender?
- Oh, de todo o tipo!
- Pode ser um pouco mais específico?
- É muito difícil responder. Podemos dizer que é uma miscelânea, muita coisa sobre tudo e sobre toda a gente.
- Está a falar de história, talvez de literatura?
- Sim, sim… Claro!
- Qual delas?
- Ambas?... É melhor vir ver, é uma verdadeira miscelânea de livros.
- Sabe, não me dá muito jeito sair agora da livraria. Antes de me deslocar para ver os livros, gostaria mesmo de ter uma noção do que falamos.
- Hmm!... Você perguntou por história, não foi?
- Perguntei?...
- Bem, para ser correcto… história, história, propriamente, não.
- Convinha ser um pouco mais concreto.
- Aquilo é tudo… Oh, meu Deus, como posso dizer?... É tudo um grande monte de…
- Por favor, não diga! “Miscelânea” serve perfeitamente.

quarta-feira, outubro 2

Amanhã na Pó dos livros

Área de Serviço, o mais recente livro de poesia de Ana Maria Puga, edição Labirinto, será apresentado amanhã, quinta-feira, 3 de Outubro, às 18h00, na Pó dos livros. A apresentação estará a cargo de Victor Oliveira Mateus, poeta e ensaísta. A actriz Maria do Céu Guerra, fará a leitura de alguns poemas.


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quarta-feira, setembro 18

A Infância de Jesus



Depois de cruzarem oceanos, um homem e um rapaz chegam a uma nova terra onde recebem um nome e uma idade, são alojados num campo enquanto aprendem espanhol, a língua do seu novo país. Agora chamados Simón e David, dirigem-se ao centro de realojamento da cidade de Novilla, onde os funcionários são corteses, mas não necessariamente prestáveis. Simón arranja emprego. O trabalho é invulgar e extenuante, mas ele não tarda a estabelecer relações com os seus colegas estivadores, que nas horas vagas mantêm diálogos filosóficos sobre a dignidade do trabalho e de uma maneira geral se afeiçoam a ele.
Assume então a incumbência de localizar a mãe de David. Embora, como todos os que chegam a este novo país, ele pareça estar limpo de todos os vestígios de recordações, tem a convicção de que a reconhecerá quando a vir. E, efectivamente, ao passear pelo campo com o rapaz, vislumbra uma mulher que tem a certeza de tratar-se da mãe dele, persuadindo-a a assumir esse papel. A mãe de David vem a aperceber-se de que está em presença de uma criança excepcional, de um rapaz inteligente e sonhador, com ideias muito invulgares sobre o mundo. As autoridades académicas, porém, detectam nele um traço de rebeldia e teimam em que seja enviado para uma escola especial distante. A mãe recusa-se a entregá-lo e é Simón que tem de conduzir o automóvel durante a fuga do trio pelas montanhas.


título: A Infância de Jesus
autor: J.M. Coetzee
edição: Dom Quixote, 2013
tradução: J. Teixeira de Aguilar
n.º pág.: 327
formato: 15.5x23.5cm (in-8.º)
capa: Rui Garrido
isbn: 9789722052832
pvp: 17.90€

terça-feira, setembro 17

Objectos inúteis


Não é a primeira vez que encontrarmos dentro de livros antigos missivas e outros escritos que retratam a maneira como se vivia no século passado. Desta vez dentro do miolo de um livro dos anos sessenta encontramos um postal que convoca a comunidade da igreja católica vizinha para uma festa de caridade. 
Para os pobres tudo serve. Mas esta comunidade foi bastante mais além do que apenas oferecer os objectos inúteis do costume. A missiva dizia o seguinte:


Vamos organizar no próximo mês uma grande festa de caridade. Contamos com as senhoras para nos levarem todos os objectos inúteis que tenham em casa: livros, vestuário, bugigangas e também, naturalmente, os seus maridos.  

sexta-feira, agosto 9

Silly Season


Alguns títulos de artigos de jornais de hoje:

«Vaca ajudou a capturar touro», «Um condutor rouba carro por não querer ir a pé para casa», «Idosa espancada até à morte», «Hernâni sofre de disfunção erétil», «Ladrão caçado pelo marido de vítima de roubo», «Salta da janela e morre enforcado», «Política faz sexo na câmara», «Deputado envia fotos nu»,  «Agredia a mãe e cultivava canábis em casa», «Gritos de dor no funeral de peregrina atropelada».

Silly Season, é por isto que este blogue está de férias.

quinta-feira, julho 25

Hoje na Pó dos livros

Hoje, às 18h00, na Pó dos livros, apresentação da obra "Como Folhas ao Vento", da autora Emília Daniel Leitão, edição Edita-Me

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quinta-feira, julho 18

Sá da Costa 100 anos


Livrarias fechadas: Portugal, Barateira, Camões, Guimarães, Diário de Notícias. Livrarias a fechar: Olisipo, Artes & Letras, Sá da Costa. Esta é a lista das livrarias que recentemente fecharam ou estão para fechar só na zona nobre da cidade de Lisboa. A Livraria Sá da Costa, dias depois de cumprir cem anos, vai fechar portas este Sábado, é irónico. Livrarias centenárias que de um momento para o outro deixaram de ser viáveis? Livrarias de encontro, de tertúlia, de cultura que já não fazem sentido? Livrarias onde o espaço era público, onde nos podíamos sentar gratuitamente a ler um livro, não têm agora qualquer relevância? Lugares de identidade que nos diferenciavam de outros lugares todos iguais, franchisados, estilizados, aqui, em Madrid ou em Paris, vão ser transformados em sapatarias ou padarias ao estilo francês? Livrarias que eram de todos nós ou não eram?
Alguma coisa estranha se passa nesta cidade ou melhor neste país. Um país onde cada vez menos se gosta de viver. Um país onde as políticas são feitas para o mercado e não para as pessoas. Um país onde a pobreza não nos deixa pensar noutra coisa a não ser como vamos viver no dia seguinte. Um país assim, naturalmente, não tem ânimo para a indignação, nem para a revolta. Um país assim está morto.


Jaime Bulhosa

sexta-feira, julho 5

Dedicatória

Que punição será para mim se os livros tradicionais se transformarem, como parece estar a acontecer, em bits informáticos. Não é só o objecto, o toque do papel, o cheiro que se perde, é também a memória. Os livros digitais são muito mais efémeros, impessoais que os livros em papel. Eles não se vêem, não terão estantes onde os guardar e perder-se-ão relíquias, recordações que os livros antigos trazem consigo, como é o exemplo desta deliciosa dedicatória encontrada num livro, de José Rodrigues Migués, «Uma Aventura Inquietante» (ou não?…) Transcrevo aqui a dedicatória para aqueles que não consigam decifrar a letra:

Lisboa 30/05/81

Cândida,

Não achas que seria mais belo e sobretudo mais lógico, juntarmos os corpos às almas?...

Manel

Jaime Bulhosa

quinta-feira, julho 4

Tragédia grega


Vivemos actualmente em Portugal uma tragédia grega. Ainda estou perplexo, de boca aberta, com tudo o que aconteceu esta semana. Tenho assistido e lido tudo o que é comentário político, mas não consigo entender, é demais para a cabeça de um cidadão comum. No entanto, sempre que assisto a mais um folhetim político não posso, talvez por defeito profissional, deixar de associar algumas das nossas principais figuras políticas a personagens célebres da literatura universal. Quase dá para montar uma peça de teatro. Vejam lá se não vos faz lembrar qualquer coisa:

1.ª - Personagem: Dom Quixote (Miguel de Cervantes)
Actor: Pedro Passos Coelho

Dom Quixote (Pedro Passos Coelho) depois de muitos anos perdidos na juventude, sem nada fazer a não ser ler velhos romances de cavalaria política, perdeu o juízo de vez. Dom Quixote de Massamá resolve, então, encarnar a personagem de cavaleiro andante. Parte em busca de aventuras, em nome do seu grande amor Dulcineia (Angela Merkel), para livrar o país dos seus malfeitores (os portugueses). Para isso arranja uma montada, o cavalo Rocinante (CDS) que por si só já estava cansado e sem vontade nenhuma de se associar à festa. Levando juntamente consigo o escudeiro Sancho Panza (Miguel Relvas) montado no seu burro (licenciatura), lutam destemidamente e obstinadamente contra moinhos de vento do Estado Social. Já todos sabem como acaba, não preciso de contar. 

2.ª - Personagem: O Alienista (Machado de Assis)
Actor: Vítor Gaspar

O estrangeirado e reconhecido aqui e além-mar, Dr. Simão Bacamarte (Vítor Gaspar), resolve voltar à sua terra natal para se dedicar a experiências científicas, usando cobaias humanas (os portugueses) para justificar as suas teorias. Assim, transforma a sua terra num gigantesco hospício. Devagarinho, vai colocando um a um todos os habitantes no manicómio e depois de todos lá estarem, resolve, ele próprio, enfiar-se lá dentro.

3.ª – Personagem: Dr. Jekyll and Mr. Hyde  (Robert Louis Stevenson)
Actor: Paulo Portas

Dr. Jekyll (Paulo Portas), elabora uma fórmula secreta e dá-lhe o nome de Sede-de-Poder. Não querendo pôr em perigo a vida de ninguém, ele próprio a bebe. Como resultado o seu lado demoníaco é revelado,  sofrendo de dupla personalidade um terrível e novo ser nasce dentro dele, um ser horrível, monstruoso a quem dá o nome de Mr. Hyde. Não conseguindo livrar-se deste ser diabólico, que o domina e transforma num assassino, frio, calculista e sem escrúpulos, Dr. Jekyll resolve por fim ao seu martírio, suicida-se matando assim Mr. Hyde.  

4.ª – Personagem: Mr. Bartebly (Herman Melville)
Actor: António José Seguro

Mr. Bartebly, (António José Seguro) o homem mais estranho que alguma vez alguém poderá conhecer. Um jovem e simples escrivão, tão esquisito que ninguém consegue descortinar o que ele pensa, sempre que lhe é pedido que execute as tarefas para as quais foi escolhido, responde: «eu preferiria não o fazer».

5.ª Personagem: O Eterno Marido (Dostoiéveski)
Actor: Cavaco Silva

O Eterno Marido (Cavaco Silva), não tem muito para contar. É aquele típico marido que tem sempre a testa enfeitada, balbucia umas coisas e é sempre o último a saber.

Jaime Bulhosa

segunda-feira, julho 1

Concílio do Amor




Peguei por acaso neste livro sobre o Céu, não, não estou a falar do livro «O Céu Existe Mesmo», que vendeu milhões de exemplares, o que até hoje não entendi porquê. Estou, isso sim, a falar do livro «O Concílio do Amor», de Oskar Panizza (1853-1921), Editorial Estampa (1974). não sei se este livro vendeu muito, mas duvido, tendo em conta que se trata de uma peça de teatro, mas também não interessa. É um livro que apesar da data de edição ainda se encontra disponível, quer dizer, ainda se encontra em algumas livrarias que tenham fundo editorial. A capa não é atraente, o autor pouco me dizia, mas o título chamou-me à atenção. Resolvi dar uma vista de olhos só para saber do que se tratava. Comecei pelo prefácio de André Breton o que me levou a lê-lo. Basicamente a cena desenrola-se no Céu, onde podemos encontrar seres etéreos, como querubins, anjos, Deus Pai, Jesus, Maria, sem faltar o Diabo. O livro é hilariante. Imaginem um Deus Pai, sob os traços de um ancião de idade bastante avançada, barba e cabelos brancos, olhos grandes, papudos e inexpressivos, cabeça curvada, espinha arqueada de cifótico. Envergando uma longa veste de um branco sujo, apoia-se nos ombros de dois querubins, tosse e limpa catarro da garganta, arrasta os pés e anda curvado para a frente. Um Jesus que não passa de um imbecil, mais não faz do que repetir, como um papagaio, tudo o que os outros dizem. Uma Maria fútil que não se importa com outra coisa a não ser com a sua imagem. Um diabo que acaba por ser, entre todas as personagens, o mais inteligente e complacente. O móbil da acção é o concílio que Deus Pai resolve realizar. Com o fim de punir os homens que em Nápoles, Itália (1495), praticam os mais ignóbeis pecados e vícios, onde mulheres, de seio nu, correm, lúbricas, pelas ruas e os homens se consomem em ardores de bode, chama o Diabo para engendrar um castigo que só este podia engendrar. Muitos dirão que este livro não passa de uma blasfémia ofensiva, sem interesse a não ser beliscar a fé. Pois, foi exactamente isso que aconteceu, na época, ao autor desta peça de teatro que teve de cumprir prisão por blasfémia à conta de se ter metido com os deuses. O livro contém também a defesa que Panizza fez no processo movido ao «Concílio do Amor» perante o tribunal Real de Munique em 30 de Abril de 1895.

Este livro não «prova» a existência do Céu como no livro supra citado, «O Céu Existe Mesmo», mas garanto que abrange mais verdade numa só linha do que o outro em toda a sua extensão. Claro, é a minha opinião.

Jaime Bulhosa

quinta-feira, junho 27

A Vida Inútil de José Homem


A Livraria Pó dos Livros e a Gradiva têm o prazer de vos convidar para o lançamento do livro «A Vida Inútil de José Homem», de Marlene Ferraz. A sessão terá lugar no dia 4 de Julho, pelas 18h30. A obra será apresentada pela jornalista Luciana Leiderfarb e a sessão contará com leitura de excertos do romance por Tiago Ribeiro Patrício.

 (Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2012, instituído pela Estoril-Sol).


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